Uma verdadeira “faxina aérea” tem escancarado o emaranhado de fios que há anos toma conta dos postes em Mato Grosso. Só em 2026, a Operação Telefone Sem Fio já arrancou mais de 15 toneladas de cabos irregulares do alto das ruas — e, em Várzea Grande, o cenário não era diferente: 2,1 toneladas de fios clandestinos e abandonados foram retiradas, revelando o tamanho do problema escondido sobre a cabeça da população.
O que parecia apenas poluição visual esconde riscos bem mais graves. Cabos soltos, mal instalados ou simplesmente largados após serviços antigos vinham transformando postes em verdadeiras armadilhas urbanas. Em muitos pontos, a fiação irregular ameaça pedestres, motoristas e moradores, com perigo real de choques elétricos, curtos-circuitos e até incêndios.
No último domingo (3), o pente-fino chegou à Avenida Alzira Santana, onde equipes retiraram cerca de meia tonelada de fios fora dos padrões — um volume que ultrapassa 6 quilômetros de cabos acumulados de forma irregular. O retrato é de abandono: estruturas sobrecarregadas e ocupadas por empresas que sequer têm autorização para operar.
Segundo as regras, até existe o compartilhamento de postes entre energia e telecomunicações, mas na prática nem todos seguem o jogo. Empresas clandestinas, sem contrato ou projeto aprovado, avançam sobre a estrutura pública e deixam para trás um rastro de desorganização e risco.
A operação também tem caráter punitivo. Provedores irregulares estão sendo alvo direto das equipes e podem sofrer multas, além de terem seus cabos simplesmente cortados e removidos. A mensagem é clara: quem insistir na clandestinidade vai perder espaço — e dinheiro.
Mais do que estética, a ofensiva mira segurança. Fios baixos ou rompidos podem causar acidentes graves em questão de segundos. E, enquanto a retirada avança, a população pode acabar sentindo reflexos imediatos: interrupções em serviços de internet e telefonia, principalmente quando as redes pertencem a empresas irregulares.
Diante do cenário, moradores também entram no radar da fiscalização. Denúncias sobre cabos suspeitos e empresas clandestinas passaram a ser peça-chave para ampliar o alcance da operação e evitar que o problema volte a se acumular nos céus das cidades.
















