Uma brincadeira comum das férias escolares acabou provocando um apagão de grandes proporções em Mato Grosso. O simples ato de soltar pipa próximo à rede elétrica deixou mais de 70 mil clientes sem energia ao longo de 2025, revelando um problema recorrente que transforma lazer infantil em transtorno coletivo.
Somente neste ano, a concessionária de energia registrou 387 ocorrências envolvendo pipas presas em fios de alta tensão. Em muitos casos, o uso de cerol ou linha chilena — materiais cortantes e proibidos por lei — agravou a situação, causando o rompimento de cabos e a interrupção imediata do fornecimento de energia elétrica.
Os impactos não se limitaram a quedas pontuais de luz. Bairros inteiros ficaram às escuras e, em situações mais graves, até cidades foram afetadas. Segundo especialistas do setor elétrico, uma única pipa enroscada na fiação é suficiente para provocar danos estruturais à rede, colocando em risco tanto quem brinca quanto equipes de manutenção e a população em geral.
Além do prejuízo no abastecimento, o problema expõe um cenário de risco iminente. Linhas quase invisíveis representam perigo para motociclistas e ciclistas, enquanto tentativas de resgatar pipas presas nos fios podem resultar em choques elétricos fatais. Em dias de chuva ou tempestade, o perigo se multiplica.
Diante do número expressivo de ocorrências e dos transtornos causados, o alerta se repete todos os anos: soltar pipa perto da rede elétrica não é apenas imprudência, é um risco real à segurança pública. A repetição dos apagões mostra que a falta de conscientização segue deixando milhares de mato-grossenses no escuro.














