A disputa em torno do futuro da concessão de energia elétrica em Mato Grosso começou a ganhar contornos mais definidos dentro da Assembleia Legislativa. Em uma reunião estratégica realizada nesta segunda-feira (19), deputados estaduais se reuniram para traçar as linhas mestras do que poderá ser o novo contrato que vai reger o fornecimento de energia no estado pelas próximas três décadas — um tema que afeta diretamente milhões de consumidores.
Participaram do encontro os deputados Wilson Santos (PSD), Eduardo Botelho (União) e Diego Guimarães (Republicanos), que discutiram medidas para endurecer regras, ampliar a fiscalização e melhorar, na prática, a qualidade do serviço entregue à população. A preocupação central foi clara: evitar que Mato Grosso continue enfrentando problemas recorrentes como quedas de energia, demora no atendimento e falhas estruturais na rede.
Para embasar o debate, a engenheira eletricista Luciana Miyabaiyashi, da LM Consultoria, apresentou análises técnicas e apontou fragilidades do modelo atual. Segundo ela, o novo contrato precisa sair do papel com mecanismos mais rígidos de controle e metas objetivas, sobretudo diante da possibilidade de renovação da concessão ou abertura de uma nova licitação por mais 30 anos.
Entre os pontos considerados prioritários está o reforço da fiscalização sobre a concessionária, com a criação de um comitê gestor, indicadores permanentes de qualidade e sistemas capazes de monitorar, em tempo real, interrupções no fornecimento e o tempo de resposta ao consumidor. A avaliação é de que o atual modelo permite brechas que dificultam a cobrança de resultados concretos.
Outro tema que pesou na discussão foi a realidade peculiar de Mato Grosso. Com grande parte da rede instalada em áreas rurais e distantes, os parlamentares defenderam que o contrato leve em conta as diferenças regionais, evitando a aplicação de um modelo genérico que não dialoga com as necessidades do estado.
Também entrou no radar a exigência de mais transparência nos investimentos. A proposta é que a concessionária seja obrigada a detalhar obras, valores aplicados, regiões atendidas e os resultados esperados, reforçando o caráter público do serviço. Além disso, foi defendido um plano de investimentos contínuos e equilibrados, capaz de evitar oscilações bruscas nas tarifas e trazer previsibilidade ao consumidor.
Estudos técnicos em andamento, inclusive com participação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), indicam a necessidade de aportes mais robustos nos primeiros cinco anos do contrato, justamente para reduzir gargalos históricos e melhorar a infraestrutura elétrica no estado.
A ausência de agências da concessionária em cidades do interior também entrou na pauta. Deputados cobraram melhorias no atendimento presencial, especialmente para idosos e moradores com dificuldade de acesso a serviços digitais. A proposta prevê a manutenção de agências físicas em municípios com mais de 10 mil habitantes e postos de atendimento em localidades menores.
Ao final da reunião, ficou definido que as propostas consolidadas servirão de base para uma agenda no Ministério de Minas e Energia (MME), marcada para esta terça-feira (20). O objetivo é levar a Brasília uma posição unificada da Assembleia Legislativa, defendendo um contrato mais rigoroso, transparente e alinhado com a realidade de Mato Grosso — e menos tolerante com falhas que hoje impactam diretamente a população.
Fonte: Da Assessoria


































