A Assembleia Legislativa viveu uma sessão carregada de tensão política ao colocar em votação o veto do Governo ao reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O clima no plenário era de expectativa fervente, com discursos inflamados e olhares atentos diante de um tema que vinha dividindo parlamentares, categorias e o próprio Executivo. A decisão, aguardada há semanas, finalmente ganhou forma diante de um público ansioso por um desfecho.
A contagem dos votos trouxe um misto de surpresa e frustração quando foram contabilizados 10 votos pela derrubada do veto e 12 votos pela sua manutenção, enterrando temporariamente qualquer possibilidade de reajuste salarial. Os números revelaram não apenas a força do Governo, mas também a dificuldade de articulação das categorias que pressionavam pela recomposição salarial. O plenário, antes barulhento, caiu num silêncio pesado diante do resultado.
Com a vitória apertada do “não”, a Assembleia Legislativa optou por sustentar o veto imposto pelo Executivo, reafirmando que os servidores do Judiciário não terão, neste momento, o aumento de 6,8% aprovado anteriormente. A decisão reacendeu debates sobre autonomia entre poderes, articulação política e prioridades orçamentárias, além de provocar reações imediatas de representantes sindicais, que já prometem novos atos e mobilizações.
Desde o início da discussão, o governador Mauro Mendes (UB) vinha se posicionando de forma firme e pública contra a proposta de reajuste. Em diversas entrevistas, o chefe do Executivo alertou que o aumento poderia gerar um temido “efeito cascata”, pressionando outras categorias a também reivindicarem correções salariais. Para o Governo, isso desencadearia um impacto explosivo nas contas públicas.
Segundo cálculos apresentados pelo próprio governador, o rombo poderia chegar a R$ 1,6 bilhão, um valor considerado insustentável para as finanças estaduais. Com esse argumento, o Executivo manteve a defesa inabalável de barrar o reajuste — e, com a votação desta quarta-feira, garantiu o respaldo político necessário para preservar seu controle fiscal, mesmo sob forte pressão dos segmentos do Judiciário.



























