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Nova ética global

Em evento de Al Gore, Corrêa do Lago defende incorporação de políticas contra mudança do clima na economia; ex-vice-presidente dos EUA elogiou a criação do “balanço ético global” pela presidência brasileira na COP-30

No Rio, presidente da COP30 participa do “Climate Reality Project”, evento promovido pela organização do ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore. (Foto: Rafael Medelima / Secom-COP-30)

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Responsável pela COP-30, o embaixador frisou que o desafio agora é desmantelar a desinformação em torno do tema e recorrer ao multilateralismo para fortalecer ações de desenvolvimento sustentável.

 

Por Humberto Azevedo

 

Em debate realizado com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos da América (EUA), entre os anos de 1993 e 2000, Al Gore elogiou a liderança brasileira na organização da 30ª edição da Conferência sobre mudança no clima das Nações Unidas (COP-30), que acontecerá em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro, em que “balanço ético global” foi elogiado pelo ex-representante da Casa Branca.

 

Na oportunidade, o embaixador André Corrêa do Lago – responsável pela COP no Brasil – explicou que a iniciativa integra um total de quatro círculos de lideranças, que contribuem para debates sobre financiamento climático, ampliação da voz de povos indígenas e comunidades tradicionais, reflexão sobre a governança climática e mobilização em torno de uma nova ética global.

 

A preocupação quanto às hospedagens na capital paraense para a COP-30 também esteve na pauta. O presidente da conferência garantiu a viabilidade do evento. O embaixador enfatizou que a inclusão de mecanismos que levem em consideração o combate à mudança climática no orçamento é fundamental para o desenvolvimento das nações. 

 

As declarações aconteceram na última sexta-feira, 15 de agosto, durante o evento “The Climate Reality Project”, ocorrido na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ) e organizado pelo ambientalista, ex-vice-presidente norte-americano e vencedor do prêmio Nobel da Paz, Al Gore. O evento foi realizado entre os dias 15 e 17 de agosto, com o objetivo de mobilizar lideranças e fortalecer a pressão por ações climáticas concretas.

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Al Gore promoveu treinamento gratuito de três dias para ativistas climáticos, por meio de sua organização. (Foto: Rafael Medelima / Secom-COP-30)

“Estou muito impressionado que, sob a liderança de Marina Silva, o Brasil tenha inovado com o Balanço Ético Global. Tivemos 29 COPs e ninguém antes havia abordado os problemas éticos. Posso assegurar que isso está sendo tratado e que haverá lugares com preços razoáveis em Belém. É lá que vamos construir, juntos, o mundo em que queremos viver”, falou Corrêa do Lago.

 

“O novo desafio é que há alguns esforços afirmando que, se a economia incorporar a preocupação climática, isso será ruim para a economia. O que não é verdade. Nós temos que divulgar muito mais os exemplos positivos que mostram que isso é bom para a economia, bom para o emprego, bom para a qualidade de vida. Esse é um grande esforço que teremos que fazer nos próximos dois meses antes da COP”, apontou o presidente da COP-30, Corrêa do Lago.

 

MULTILATERALISMO

 

Estiveram reunidos a CEO da COP30, Ana Toni, o ambientalista americano Al Gore, e o embaixador André Corrêa do Lago. (Foto: Rafael Medelima / Secom-COP-30)

O presidente da COP-30 defendeu, ainda, o fortalecimento do multilateralismo como forma de viabilizar os esforços na construção de economias sustentáveis, com a participação de organizações financeiras neste processo. Outro tema destacado no evento foi a transição energética para priorizar as fontes limpas e renováveis, como solar, eólica e hidrelétrica.

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O uso de combustíveis não renováveis como petróleo, carvão e gás natural é responsável pela emissão de grandes quantidades de gases carbônicos e principais catalisadores do efeito estufa, que amplia o aquecimento do planeta acelerando a deterioração ambiental, o que resulta em condições cada vez mais inóspitas para seres vivos. Corrêa do Lago afirmou que o assunto já está na agenda de ação da COP-30 como uma das pautas prioritárias, que precisam de implementação e novas soluções. Ele destacou que esse enfrentamento é coletivo e demanda recursos financeiros.

 

“Temos que ir além da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, sigla em inglês) e do Acordo de Paris para fazer a implementação [das ações acordadas]. Precisamos do Banco Mundial, de todos os outros bancos de desenvolvimento, de todas as instituições, trabalhando juntos para colocar o clima como pauta essencial em todos os temas, porque o clima está em todos os lugares”, enfatizou.

 

“Nós sabemos que resolver problemas climáticos envolve muitas mudanças na economia, e precisamos discutir juntos o que é construtivo para todos os países, e criar mecanismos para que essas alianças funcionem bem”, disse. “Aqui no Brasil nós já fizemos o mais difícil, que é ter 95% da nossa energia renovável”, completou o embaixador.

 

Com informações de assessoria.

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