Vice-presidente avalia que negociações com o secretário de comércio dos EUA e demais reuniões já realizadas, que envolveram mais de 100 entidades do setor produtivo, sinalizam para cenário de reversão.
Por Humberto Azevedo
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), Geraldo Alckmin (PSB), vem intensificando a rotina de ações e iniciativas que reforçam a busca por diálogo com representantes do governo dos Estados Unidos da América (EUA) e empresários dos dois países para tentar reverter a tarifa adicional de 50% anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, no último 9 de julho sobre todos os produtos brasileiros exportados para aquele país a partir de 1º de agosto.
Nesta última quinta-feira, 24 de julho, Alckmin que também coordena o comitê criado pelo governo federal para estabelecer medidas frente às tarifas anunciadas por Trump, afirmou ter conversado com o secretário do comércio dos EUA, Howard Lutnick, por videoconferência. Segundo ele, a conversa durou cerca de 50 minutos e foi uma “conversa longa”, que colocou “todos os pontos” e destacou o “interesse do Brasil na negociação”.
Alckmin ressaltou que a conversa foi centrada na busca de uma solução efetiva para a questão comercial, seguindo a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não deixar a negociação se contaminar por questões políticas ou ideológicas. A ideia é mostrar que caso as tarifas sejam efetivadas, o Brasil perderá, mas dada as relações de integração das duas economias que já ultrapassam mais de 200 anos, isso fará com que as perdas também sejam representativas do lado norte-americano,
“Em vez de ter um perde-perde, com inflação nos Estados Unidos e diminuição das nossas exportações para o mercado americano, devemos resolver os problemas, aumentar a complementaridade econômica, a integração produtiva, investimentos recíprocos. Enfim, avançarmos numa agenda extremamente positiva”, afirmou Alckmin. “O Brasil nunca saiu da mesa de negociação. Não criamos esse problema, mas queremos resolver. Nós estamos empenhados em resolver”, comentou Alckmin.
MAIS DE 20 REUNIÕES
Desde a criação do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, no dia 15 de julho, Alckmin coordenou mais de 20 reuniões com o setor produtivo em um esforço coletivo em busca de caminhos para reverter a tarifa de 50%, que ele classifica injusta.
Os encontros, presenciais e por videoconferência já reuniram mais de 100 entidades privadas, entre empresas nacionais e internacionais, associações e federações. Nesta última quinta, 24 de julho, Alckmin reiterou o compromisso com o diálogo. O vice-presidente apontou que o setor farmacêutico, com o qual também se reuniu, foi usado como exemplo pelo ministro para ilustrar a vantagem dos EUA no comércio exterior.
“Estamos trabalhando com todo o setor produtivo no sentido de removermos essa medida, que não tem nenhuma justificativa para ser implantada. É uma indústria estratégica e que retrata bem a relação Brasil-Estados Unidos com o comércio exterior. No ano passado, exportamos US$ 145 milhões [R$ 803,3 milhões] e importamos dos Estados Unidos US$ 1,7 bilhão [R$ 9,42 bi] na área farmacêutica, que mostra de novo o grande superávit dos Estados Unidos em relação ao Brasil e a injustiça do aumento de tarifa para o país”, disse Alckmin.
NOVOS MERCADOS
Na oportunidade, Alckmin anunciou que o presidente Lula vai sancionar na próxima semana a lei que cria o programa “Acredita Exportação”, iniciativa do governo federal para ampliar e fortalecer a atuação das pequenas e microempresas no mercado internacional. O programa permitirá a devolução de tributos pagos ao longo da cadeia produtiva por essas empresas, incluindo as optantes pelo Simples Nacional, regime tributário que simplifica o pagamento de impostos e contribuições. E tem como meta abrir novos mercados, sobretudo, nos países vizinhos da América Latina, África, Ásia, Europa e Oceania.
Com informações de assessoria.


































