Por Ademir Galitzki
Não podemos ignorar que o governo federal prestou alguma ajuda às pessoas do Rio Grande do Sul, que enfrentaram uma das maiores tragédias climáticas dos últimos tempos. No final de abril e início de maio de 2024, a região foi devastada por um evento climático sem precedentes. A natureza parece clamar por socorro, mostrando ao ser humano a necessidade de mudança para o bem comum e da própria natureza.
Como fã do programa Globo Rural, da Rede Globo, que já está no ar há mais de 40 anos, ininterruptamente, aos domingos pela manhã, tenho o hábito de não marcar compromissos antes das 8h30, pois estou sempre acompanhando o programa. No último domingo, 25 de agosto de 2024, assisti mais uma vez a cenas que ainda tocam profundamente o nosso coração. A situação no Rio Grande do Sul ainda não foi totalmente normalizada; é possível ver muito lixo e desorganização causados pela tragédia. Muitas pessoas continuam pedindo ajuda, ainda sem direção na vida, sem saber o que fazer ao acordar todos os dias.
Em várias localidades, onde antes existiam centenas de casas, agora não resta nem um prego, pois as enxurradas levaram tudo. Essas pessoas ficaram apenas com as roupas do corpo e o sonho de um dia se reerguerem, para continuar lutando pelo que acreditam ser justo: ter seu pedaço de terra e continuar plantando. É plantando, cultivando e colhendo que elas se realizam. Essas pessoas desejam recuperar sua dignidade, sua casa, móveis, roupas, e continuar produzindo alimentos para suprir as necessidades de milhões de pessoas ao redor do mundo.
O estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do Brasil, e não acredito que a equipe do Globo Rural sairia de São Paulo para fazer uma matéria no meio do caos e entrevistaria pessoas escolhidas previamente para combinarem o que iriam dizer. As mesmas pessoas que foram entrevistadas no auge da tragédia foram novamente ouvidas agora e, de forma unânime, afirmaram que nenhum funcionário de prefeitura ou do governo federal as procurou para perguntar se precisavam de algo, nem mesmo de um simples garrafão de água, madeira, telhas, cimento, pedras ou areia para reconstruir suas casas e barracões.
Um senhor, com a voz embargada e lágrimas no rosto, relatou que passou 40 anos de sua vida ordenhando vacas naquele local, que hoje está coberto por ferros e madeiras retorcidas, sem telhado, sem máquinas, e sem esperança. Outro entrevistado mencionou que muitos não receberam os míseros R$ 5.100 prometidos pelo governo federal porque não têm como comprovar seus endereços, número das casas ou nome das ruas onde moravam. Além disso, as terras anteriormente férteis não existem mais, e muitos terão que buscar novas terras para cultivar, já que as que restaram estão inutilizáveis para a produção de alimentos, essenciais para a subsistência dessas sofridas pessoas do Rio Grande do Sul.












