Parlamentares da Comissão de Relações Exteriores do Senado querem interlocução com congressistas daquele país para intermediar as relações econômicas bilaterais dos dois países.
Por Humberto Azevedo
Senadores ligados à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Casa da Federação se preparam para visita aos Estados Unidos da América (EUA) nos próximos dias, entre 28 a 30 de julho, onde vão procurar atuar em “defesa do diálogo político e dos interesses estratégicos do Brasil”.
A visita buscará uma interlocução com congressistas daquele país para intermediar as relações econômicas bilaterais dos dois países, face ao cenário em que o presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu para o início do mês de agosto tarifar em 50% adicionalmente todas as exportações brasileiras com destino àquele país.
Essa promessa foi feita pelo presidente estadunidense no último dia 9 de julho em carta ao ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que as tarifas são uma resposta às ações do Supremo Tribunal Federal (STF) em processar o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, assim como pela decisão da Suprema Corte que definiu as empresas de tecnologia, proprietária das plataformas cibernéticas, serem responsáveis por opiniões de terceiros.
A missão dos senadores tem caráter suprapartidário institucional com objetivo de reabrir os canais de diálogo político com o Congresso dos EUA e defender os setores produtivos nacionais. O grupo parlamentar é formado pelos senadores Nelsino Trad (PSD-MS), Tereza Cristina (PP-MS), Jaques Wagner (PT-BA), Fernando Farias (MDB-AL), Marcos Pontes (PL-SP), Rogério Carvalho (PT-SE), Esperidião Amin (PP-SC), Carlos Viana (Podemos-MG).
A missão foi concebida como resposta do Senado à escalada protecionista anunciada por Trump. Seus principais objetivos são: retomar o diálogo político de alto nível com o Congresso dos EUA, promovendo uma interlocução direta entre os Poderes Legislativos dos dois países; defender os setores produtivos brasileiros afetados pelas novas tarifas, especialmente aqueles com forte impacto socioeconômico, como agropecuária, metalurgia, energia e indústria de transformação; e reforçar a previsibilidade e a segurança jurídica nas relações econômicas bilaterais, condição essencial para manutenção e atração de investimentos.
Além de apresentar o posicionamento institucional do Senado Federal, com base no diálogo e na diplomacia parlamentar, como alternativa propositiva e responsável frente ao atual cenário geopolítico; explorar caminhos de cooperação bilateral em áreas estratégicas como bioenergia, infraestrutura, inovação tecnológica e sustentabilidade; e preparar o terreno para um grupo interparlamentar permanente Brasil–Estados Unidos, voltado à diplomacia econômica e à articulação de medidas legislativas frente a disputas comerciais internacionais.
“Vivemos uma nova ordem global e o Brasil precisa atuar de acordo com seu tamanho e sua importância. Precisamos de uma política externa assertiva, que defenda nossos interesses e aproveite as oportunidades que surgem nesse cenário desafiador”, comentou o senador Nelsinho Trad – presidente da CREDN do Senado.
IMPACTOS
O Banco Central avalia que, se impostas, as tarifas de 50% dos EUA irão reduzir 0,2% a 0,6% da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Essa análise é compartilhada pelo mercado financeiro. O Banco Santander estima que o impacto das tarifas será uma redução de 0,2% do PIB em 2025 e de 0,3% em 2026.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia que as perdas decorrentes das tarifas unilaterais podem chegar a R$ 175 bilhões nos próximos dez anos, representando uma redução do PIB brasileiro até 2035 de 1,49%. Para a Fiemg, caso o Brasil imponha tarifas lineares aos produtores dos EUA, o impacto seria maior e chegaria a R$ 259 bilhões até 2035, com redução do PIB, no período, sendo de 2,21%.
Segundo estudo da CNI, os setores mais afetados pela majoração tarifária serão: tratores e máquinas agrícolas, com redução de 23,61% na exportação e de 1,86% na produção; aeronaves, embarcações e outros equipamentos de transporte, com diminuição de 22,33% na exportação e de 9,19% na produção; e de carnes de aves, com queda de 11,31% na exportação e 4,18% na produção.
Segundo um estudo divulgado pela empresa de consultoria e de mídia dos EUA, Bloomberg, a adoção das tarifas de Trump de 50% paga, em média, pelos cidadãos estadunidenses atingirá 13%, o que representa um aumento de mais de cinco vezes em relação ao valor pago em 2024.
A estimativa da Bloomberg é que as tarifas de Trump reduzirão o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA em 1,6% nos próximos três anos. Somente em 2025, estima-se uma redução do PIB norte-americano decorrente das tarifas em 0,37%. Além de efeitos recessivos, uma possível guerra alfandegária entre os dois países aumentaria a inflação nos EUA, com estimativa alcançando o consumidor dos EUA em 0,9% só neste ano.


































