O presidente da Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Grãos Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir), Hugo Henrique Garcia, alertou para os impactos negativos da Medida Provisória 1300/2025, que propõe alterações no setor elétrico brasileiro. Um dos pontos mais criticados é a possibilidade de mudança no horário em que os produtores recebem desconto na tarifa de energia usada para irrigação e aquicultura.
Atualmente, o benefício é aplicado no período noturno, entre 20h e 6h, quando o consumo é menor. Caso a MP seja aprovada sem ajustes, as distribuidoras poderão escolher o horário de concessão do desconto, o que pode transferir o uso da irrigação para o dia. “Se isso mudar, a eficiência da irrigação será muito inferior. Teremos que irrigar por mais tempo para alcançar o mesmo resultado, o que aumenta o custo para o produtor e, consequentemente, para o consumidor”, afirmou Hugo Garcia.
O presidente da Aprofir também destacou o déficit estrutural de energia em Mato Grosso: cerca de 72% das redes são monofásicas, o que compromete a expansão da irrigação e da agroindústria. “Há regiões em que, se o produtor quiser instalar um pivô, não há energia disponível. Não dá para falar em crescimento agroindustrial sem resolver esse gargalo”, disse. Ele elogiou a atuação do governador Mauro Mendes no tema, mas pediu união entre setor produtivo e políticos.
Garcia reforçou ainda que, sem irrigação, o estado pode perder a capacidade de produzir duas safras ao ano. “A estação chuvosa já caiu de 245 para 204 dias e pode chegar a 170. Quem não tiver irrigação não planta a segunda safra”, alertou. Segundo ele, Mato Grosso tem potencial para irrigar até 10 milhões de hectares. “A irrigação é essencial para o pequeno produtor e pode transformar a agricultura familiar”, concluiu.












