As investigações sobre o assassinato do advogado Renato Nery apontam que Julinere Goulart Bentos, suspeita de ser a mandante do crime junto com o marido, realizou transferências que somam cerca de R$ 215 mil para pessoas ligadas ao executor. O dinheiro teria como destino final Jackson Pereira Barbosa, apontado pela Polícia Civil como o intermediário entre o casal e os autores do homicídio.
A polícia teve acesso ao histórico de transações após a Justiça autorizar a quebra de sigilo bancário dos investigados. Segundo o inquérito, as movimentações começaram em 4 de março, quando Julinere transferiu valores para contas de terceiros, estratégia usada para dificultar o rastreamento do dinheiro. A pedido de Jackson, os depósitos não foram feitos diretamente em sua conta.
No dia seguinte, 5 de março, Jackson comprou um veículo Mercedes-Benz avaliado em cerca de R$ 115 mil, registrado em nome de outra pessoa. No mesmo dia, também transferiu R$ 40 mil para a própria mãe. Já em 6 de março, os R$ 45 mil restantes foram enviados para a conta pessoal dele.
Ainda conforme a investigação, em 8 de março Julinere realizou outra transferência, desta vez de R$ 15 mil diretamente para Jackson. Para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o fracionamento dos valores e o uso de contas de terceiros indicam tentativa de ocultar a origem do dinheiro, o que pode caracterizar o crime de lavagem de dinheiro.
Renato Nery foi morto a tiros em 2024, em um crime cometido à luz do dia. De acordo com a polícia, o assassinato ocorreu no contexto de uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras em Novo São Joaquim, a 485 km de Cuiabá. O advogado havia conquistado uma decisão favorável no processo, causando prejuízo às partes adversárias. Segundo depoimentos de investigados, o crime teria sido encomendado por R$ 200 mil.































