MATO GROSSO

Mais de 30 corpos revelam avanço de cemitérios clandestinos operados por facções em MT

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Mais de 30 corpos foram encontrados neste ano em seis cemitérios clandestinos espalhados por Mato Grosso, reforçando o avanço das facções criminosas que usam áreas de mata e regiões isoladas para ocultar vítimas. A prática integra a estratégia de controle territorial das organizações, que recorrem à tortura e execuções para impor medo. Segundo a Perícia Oficial e Identificação Técnica, 47 corpos já foram identificados nos últimos anos, enquanto outros 70 seguem sem nome no banco genético Codis. Em 2024, 168 famílias buscaram o sistema na tentativa de localizar parentes desaparecidos.

Um dos casos mais recentes ocorreu em Confresa, no dia 3 de dezembro, descoberto após meses de monitoramento da Derf, que cruzou denúncias e informações de inteligência indicando a existência de um ponto de desova na Cachoeira da Onça. No local, equipes encontraram dois corpos ainda não identificados, um deles decapitado — sinal de execução com extrema violência e possível relação com conflitos internos da facção. Em Várzea Grande, outros quatro corpos foram achados em março no bairro Pirinéu, dois deles trabalhadores maranhenses desaparecidos após chegarem à cidade.

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A sequência de descobertas continuou ao longo do ano. Em janeiro, três corpos foram localizados próximos ao Complexo Predinhos, também em Várzea Grande, identificados como Flávio Rodrigues Carneiro, 47, Wellington Suede Jesus Carneiro, 28, e Jean Suede de Jesus Dias, 21. Meses depois, a polícia encontrou o corpo de José Walleffe dos Santos Lins, 28, enterrado no Residencial Isabel Campos. As investigações apontam que os alvos, em muitos casos, são pessoas submetidas ao chamado “tribunal do crime”.

Os maiores cemitérios clandestinos do ano, porém, estavam em Lucas do Rio Verde e Rondonópolis. Em janeiro, 12 corpos foram encontrados em Lucas, em área atribuída ao Comando Vermelho, usada pela facção ao menos desde 2022. Em fevereiro, Rondonópolis registrou outro cemitério com 11 vítimas — usuários de drogas que, segundo a polícia, violaram regras impostas pela facção dominante na região. As descobertas reforçam a expansão do modelo de execução e ocultação de cadáveres, que se consolida como método sistemático das organizações criminosas no estado.

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