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Relações Sino-brasileira

Lula comemora resultado da visita à China: “A nossa relação é muito estratégica”

Durante a entrevista coletiva a jornalistas brasileiros e estrangeiros, o presidente Lula abordou temas como o multilateralismo, comércio, Brics, conversas de paz e parceria entre Brasil e China, entre outros. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

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Em entrevista coletiva à imprensa, o presidente brasileiro abordou a sua quarta visita como chefe de Estado ao país asiático, que resultou na assinatura de acordos em diversas áreas.

 

Por Humberto Azevedo

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, em entrevista coletiva à imprensa ao fim da agenda de compromissos na China, na noite desta última terça-feira, 13 de maio, no horário de Brasília e na manhã de quarta-feira, 14 de maio, pelo fuso horário chinês, a importância da viagem para ampliar as parcerias entre os governos dos dois países com o objetivo de estimular investimentos privados. Ao todo, Brasil e China assinaram 20 acordos e adotaram outros 17 documentos para fortalecer a cooperação, pelos próximos 50 anos, em diversas áreas.

 

O presidente pontuou a importância da exportação de commodities brasileiras para a China e indicou o desejo de diversificar os tipos de produtos que são comercializados. Esta é a quarta visita como chefe de Estado de Lula à China, a primeira a ocorrer desde a elevação das relações bilaterais ao patamar de “Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo Mais Justo e um Planeta Mais Sustentável”, estabelecida em novembro de 2024. Trata-se do terceiro encontro entre o líder brasileiro e o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, desde 2023. 

 

“A nossa relação com a China é muito estratégica. A gente quer aprender e, também, atrair mais investimentos para o Brasil. A gente quer mais ferrovia, mais metrô, mais tecnologia. A gente quer inteligência artificial. A gente quer tudo o que eles possam compartilhar conosco. E a palavra correta é ‘compartilhar’. Porque a gente precisa aprender a trabalhar junto para que as coisas possam dar os frutos que nós precisamos”, destacou Lula.

 

ACORDOS 

 

Os 20 acordos assinados têm como meta alicerçar a cooperação pelos próximos 50 anos em diversas áreas. Na oportunidade, foram assinadas declarações conjuntas entre os dois governos tanto sobre o resultado do encontro, da crise na Ucrânia e demais memorandos e protocolos acertados nos encontros.

 

Um dos acordos firmados visa o estabelecimento conjunto de um Centro de Transferência de Tecnologia entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do governo brasileiro e o Ministério da Ciência e Tecnologia da China. Além da celebração, ainda durante a cerimônia, de uma declaração conjunta de intenções entre o MCTI e a Administração Espacial Nacional da China sobre o compartilhamento de dados espaciais com os países da América Latina e do Caribe.

 

Na declaração conjunta, Lula e Xi Jinping reiteraram o firme compromisso em dar seguimento à agenda de cooperação, de modo a impulsionar conjuntamente os processos de modernização do Brasil e da China, facilitar investimentos, promover a interconectividade regional e contribuir para o desenvolvimento sustentável.

 

COMÉRCIO

 

O presidente brasileiro enfatizou o crescimento da relação comercial entre os dois países. Os dois presidentes participaram do IV Fórum Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos – Celac/China (FCC) com objetivo de promover a cooperação intergovernamental entre países da latino-americanos e do Caribe com a nação asiática.

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O encontro na Celac inclui também diálogos regulares com União Europeia, União Africana de Nações, Conselho de Cooperação do Golfo, Índia e Turquia.

 

“O apoio chinês é decisivo para tirar do papel rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão. Mas a viabilidade econômica desses projetos depende da capacidade de coordenação de nossos países para conferir a essas iniciativas escala regional”, ressaltou o presidente brasileiro no evento.

 

“Em 2003, quando eu tomei posse na presidência da República, a gente tinha US$ 6,6 bilhões de fluxo de balança comercial. Hoje, temos o privilégio de dizer que nós temos US$ 160 bilhões, com viés de alta no nosso fluxo comercial. Não é pouca coisa. Mas não estamos contentes com o resultado de US$ 160 bilhões ou com o superávit de US$ 31 bilhões que o Brasil tem no comércio com a China. Porque o comércio entre dois países tem que ser equilibrado”, afirmou.

 

“Eu sempre disse que o comércio bom entre dois países é aquele que parece uma via de duas mãos: a gente compra e a gente vende, mais ou menos de forma igual, para que não haja um desbalanço muito grande no orçamento de cada país. E nós viemos aqui para isso”, completou Lula.

 

RELACIONAMENTO

 

O relacionamento entre as duas nações vai além da esfera bilateral. Brasil e China têm mantido diálogo em mecanismos como BRICS, G20, OMC e BASIC (articulação entre Brasil, África do Sul, Índia e China na área do meio ambiente).

 

Neste sentido, a visita de Lula permitiu que o presidente brasileiro e o presidente chinês, Xi Jinping, explorassem sinergias entre suas políticas de desenvolvimento e programas de investimento e estreitassem a coordenação sobre tópicos regionais e multilaterais – inclusive em relação ao G20, ao BRICS e às conferências das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), que neste ano será realizada em Belém (PA), em novembro.

 

“Nós também queremos trocar produtos com maior valor agregado e, por isso, queremos que os chineses nos ajudem a dar esse avanço no desenvolvimento tecnológico que precisamos. Aí entra a discussão da transição energética, da transição climática e a questão da inteligência artificial”, complementou o presidente brasileiro.

 

BRICS

 

Lula também abordou a relevância do BRICS, bloco econômico ao qual o Brasil participa juntamente com Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, que têm como finalidade a cooperação econômica e diplomática dos países membros e cuja próxima cúpula será na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ), nos próximos dias 6 e 7 de julho.

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“Eu falei com o Xi Jinping: o BRICS é a possibilidade de a gente mudar um pouco a história para colocar os excluídos dentro do sistema político e econômico. Por isso que o BRICS é importante. E eu tenho certeza que nós vamos realizar no Brasil, no mês de julho, a melhor reunião do BRICS já feita desde que o bloco foi criado”, frisou.

 

INVESTIMENTOS

 

Na segunda-feira, 12 de maio, Lula teve uma agenda cheia de compromissos. Após participar de quatro audiências com executivos de empresas chinesas ligadas aos setores de energia sustentável e defesa, foram anunciados investimentos de R$ 5,6 bilhões na produção de combustível renovável para aviação por meio da Envision Group, e a criação de um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em parceria entre a Windey Technology e o Senai-Cimatec na área de energia renovável.

 

O presidente brasileiro também participou do encerramento do Fórum Empresarial Brasil-China. Na ocasião, o Brasil celebrou a atração de investimentos chineses, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), na ordem de R$ 27 bilhões.

 

Lula ainda se reuniu com representantes de empresas do setor de saúde, onde a agenda foi marcada pelo anúncio de acordos bilaterais voltados à criação de um centro de excelência em pesquisa e desenvolvimento de vacinas no Brasil e, ainda, a proposta de uma parceria estratégica para construir no Brasil uma plataforma industrial robusta de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), além da assinatura de memorandos de entendimento na área de equipamentos de imagem (VMI).

 

A China figura entre as principais fontes de investimento estrangeiro direto no Brasil. Destacam-se os investimentos nos setores de eletricidade e de extração de petróleo, bem como de transportes, telecomunicações, serviços financeiros e indústria. Desde 2003, de acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o Brasil foi o principal destino de investimentos chineses na América Latina (39% do total).

 

O CEBC estima que, entre 2007 e 2023, os investimentos chineses no Brasil tenham chegado a US$ 73,3 bilhões, resultado de 264 projetos nas cinco regiões do país. Do total de investimentos chineses no Brasil destinados à indústria, destacam-se sobretudo a automotiva, eletroeletrônica e de máquinas e equipamentos. Os 93 projetos industriais e de tecnologia da informação equivalem a 36% do número total de empreendimentos chineses no Brasil.

 

“Eu acho que a China merece ser olhada com mais carinho e sem preconceito, porque a China é a novidade econômica e tecnológica do século XXI. É assim que nós temos que olhar a China, com muito apreço e com muito carinho. E é assim que eu acho que a China olha o Brasil”, assinalou.

 

Com informações de assessoria.

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