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Negócios da China

Fórum empresarial Brasil-China celebra R$ 27 bilhões em investimentos

Presidente Lula durante a assinatura de uma série de acordos entre empresas brasileiras e chinesas, em Pequim. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

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Durante encontro com empresários dos dois países, foram anunciados investimentos de montadoras chinesas, plataforma de delivery, além de HUB de energia renovável no estado Piauí, um Parque Industrial de ecossistema verde, entre outros.

 

Por Humberto Azevedo

 

Durante a quarta visita de Estado à China — a terceira em pouco mais de dois anos —, o Brasil celebrou a atração de investimentos chineses, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), na ordem de R$ 27 bilhões. O anúncio aconteceu nesta segunda-feira, 12 de maio, durante o encerramento do fórum empresarial Brasil-China, em Pequim, que contou com a presença do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Em discurso no encerramento do fórum empresarial Brasil-China, Lula comemorou o fato do Brasil ter conseguido atrair investimentos chineses na ordem de R$ 27 bilhões. Para ele, o fórum é uma demonstração de que China e Brasil constroem juntos uma história de sucesso. O presidente brasileiro lembrou que os dois países têm 50 anos de relações bilaterais que permitem evolução no comércio entre as duas nações. 

 

A GWM, uma das maiores montadoras chinesas, anunciou investimento de R$ 6 bilhões para expansão de suas operações no Brasil, a partir de onde exportará para toda a América do Sul e México. A Meituan, plataforma chinesa de delivery, investirá cerca de R$ 5 bilhões para atuar no mercado de entrega, por meio do aplicativo Keeta. O investimento prevê, nos próximos cinco anos, a geração de 100 mil empregos indiretos e a instalação de uma central de atendimento no Nordeste, com 3 a 4 mil empregos diretos.

 

“Hoje demos mais um passo para fortalecer nosso intercâmbio bilateral e criar oportunidades de comércio e desenvolvimento. China e Brasil são parceiros estratégicos e atores fundamentais nos temas globais. Apostamos na redução das barreiras comerciais e queremos mais integração”, afirmou Lula.

 

LIVRE COMÉRCIO

 

Frente ao ressurgimento de tendências protecionistas, o presidente brasileiro afirma que o país aposta na redução das barreiras comerciais, em mais integração e no livre-comércio. Lula lembrou que o programa Nova Indústria Brasil (NIB) é uma plataforma para que empresas chinesas e brasileiras possam constituir novas parcerias e que os dois países já são competitivos em diversos segmentos.

 

Ainda segundo o presidente brasileiro, já foram adotadas diversas medidas de modernização regulatória e incentivos à inovação e a parcerias público-privadas, que garantem segurança jurídica e previsibilidade para investidores nacionais e estrangeiros.

 

“A China saltou da 14ª para a 5ª posição no ranking de investimento direto no Brasil. Trata-se do principal investidor asiático em nosso país, com estoque de mais de 54 bilhões de dólares. Para manter essa trajetória mutuamente benéfica, estamos recuperando a capacidade de planejamento do Estado brasileiro”, comentou Lula.

 

“Com o apoio decisivo do Congresso Nacional, foi aprovada uma reforma tributária que vai facilitar a entrada de investimentos no Brasil, não apenas da China, mas de vários outros países que quiserem fazer negócios. Em novembro passado, o presidente Xi Jinping e eu decidimos estabelecer sinergias entre nossos projetos nacionais de desenvolvimento. Hoje colhemos os primeiros frutos desse trabalho”, continuou o presidente.

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APEX

 

Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, os resultados do Fórum em que foram recebidas mais de 750 inscrições para participar do encontro em Pequim, o resultado é auspicioso. Segundo ele, 25% de tudo que o Brasil importa vem da China.

 

“Mais de 200 empresários brasileiros e mais de 500 empresários e empresárias chinesas. O resultado é que estamos realizando, aqui, o maior encontro empresarial – e não apenas mais um encontro – com a presença do presidente do Brasil e uma grande autoridade local representando o presidente Xi Jinping”, declarou Jorge Viana.

 

“Estamos aqui com 20 setores da economia do Brasil: só do agronegócio e da agricultura são 13. E, quando nós pegamos a segurança alimentar, a produção agrícola, agropecuária, que a China importa R$ 1,22 trilhão (US$ 215 bilhões), 25% vem de empresas e grupos brasileiros”, registrou Jorge Viana, que também comemorou a presença dos governadores da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e do Piauí, Rafael Fonteles.

 

ENERGIA

 

A empresa estatal chinesa CGN irá investir mais de R$ 3 bilhões em um HUB de energia renovável no Piauí. Serão investimentos na geração de energia eólica, energia solar, armazenamento de energia e energia termosolar, gerando mais de 5.000 empregos na construção das unidades.

 

Na oportunidade, Lula citou também cooperações que permitirão a instalação de um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em energia solar, eólica e sistema de abastecimento, em uma cooperação entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec) e a empresa chinesa Windey.

 

“O Brasil lidera os esforços de transição energética. Nossa matriz elétrica já é uma das mais limpas do mundo, como 90% de energia renovável. Estamos descarbonizando a matriz de transporte e mobilidade, aumentando o percentual de etanol na gasolina e de biodiesel. A geração de energia eólica e solar cresce a cada ano. Aprovamos também marco legal que confere segurança regulatória e jurídica para investimentos em combustível sustentável de aviação e para hidrogênio verde”, elencou Lula.

 

INFRAESTRUTURA

 

Presidente defendeu integração irreversível com Pequim e exalta papel do Sul Global no novo cenário mundial. (Foto: Reprodução / CanalGov)

Na área de infraestrutura, Lula enumerou possibilidades de cooperação em projetos indutores do desenvolvimento. Uma nova rota marítima direta inaugurada no mês passado, ligando Zhuhai aos portos de Santana (ES) e de Salvador (BA), é uma conquista adicional para o Norte e o Nordeste brasileiros. Segundo o presidente, os próximos desafios serão “elevar o intercâmbio de turistas entre Brasil e China e ampliar as conexões aéreas entre ambos os países”.

 

“O Corredor Ferroviário Leste-Oeste será um empreendimento fundamental para a logística brasileira e um dos mais transformadores para a garantia da segurança alimentar no mundo. Conectar o oceano Atlântico ao Pacífico, por meio de cinco rotas de integração, facilitará o intercâmbio comercial e levará mais desenvolvimento para o interior do continente sul-americano. As rotas bi oceânicas encurtarão o caminho para a China em 10 mil quilômetros”, ressaltou.

 

PARQUE INDUSTRIAL

 

A Envision, líder global em tecnologia verde, investirá até R$ 5 bilhões para construir o primeiro Parque Industrial Net-Zero da América Latina, promovendo a construção de um ecossistema verde que inclui Combustível Sustentável de Aviação (SAF), hidrogênio verde e amônia verde.

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“Neste mundo de conflitos, nesse mundo de tensão e de insegurança para o comércio, o presidente Lula segue firme defendendo o multilateralismo, o livre comércio, isso é extraordinário para os produtores brasileiros”, destacou Viana. “Acabei de fazer uma missão também, a pedido dele, para a Europa, onde devemos estar, graças ao empenho pessoal dele, fechando o maior acordo, o maior bloco comercial de livre comércio do mundo, União Europeia-Mercosul. E, claro, aqui com a China, depois dessa viagem, nós vamos ter um crescimento exponencial na relação e no fluxo de comércio”, complementou o presidente brasileiro.

 

BEBIDAS

 

A Mixue, maior rede chinesa de bebidas no mundo, com mais de 45 mil lojas, vai comprar produtos brasileiros e iniciar operação no Brasil investindo R$ 3,2 bilhões, com estimativa de gerar 25 mil empregos até 2030.

 

MINA DE COBRE

 

A Baiyin Nonferrous Group, grupo minerador chinês, anunciou a aquisição da mina de cobre Serrote, no estado de Alagoas, com um investimento total de R$ 2,4 bilhões.

 

TRANSPORTE E DELIVERY

 

A DiDi, dona do aplicativo 99 táxi, anunciou investimento no setor de delivery e a construção de 10 mil pontos públicos de recarga para promover a eletrificação de veículos no Brasil.

 

SEMICONDUTORES

 

A Longsys, empresa chinesa de semicondutores, anunciou um investimento de R$ 650 milhões, sobretudo destinados ao aumento da capacidade produtiva de fábricas de semicondutores de São Paulo e Amazonas.

 

INSUMOS FARMACÊUTICOS

 

A empresa brasileira Nortec Química, maior produtora de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) da América Latina, firma parceria com as empresas chinesas, Acebright, Aurisco e Goto Biopharm, da ordem de R$ 350 milhões, para a construção de uma plataforma industrial de IFAs no Brasil.

 

CAFÉ E CINEMA BRASILEIROS 

 

A ApexBrasil firmou ainda acordos com Luckin Coffee para promoção do café brasileiro; com Huaxia Film para promover o cinema nacional; e com a rede de supermercado Hotmaxx, para venda de produtos brasileiros no varejo.

 

DEMAIS ACORDOS

 

Foram firmados também acordos entre as seguintes empresas:

 

  • Eurofarma e Sinovac criarão o Instituto Brasil-China para a Inovação em Biotecnologia e Doenças Infecciosas e Degenerativas;
  • Raízen Energia e SAFPAC estabelecem as bases para discussão e potencial acordo de longo prazo para fornecimento de bioetanol pela Raízen à SAFPAC, visando a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) na China;
  • A REAG Capital Holding e a CITIC Construction cooperam no âmbito do programa nacional de conversão de pastagens degradadas em sistemas de produção agrícola e florestal sustentável no Brasil;
  • A ABES, Associação Brasileira das Empresas de Software, e o ZGC, mais importante parque tecnológico chines, fomentam parcerias em inteligência artificial, infraestrutura de dados, expansão de mercados e capacitação de talentos;
  • Fiocruz e a chinesa Biomm do setor farmacêutico investem na produção local de insulina, fortalecendo o fornecimento estável de insulina no Brasil e beneficiando 16 milhões de pessoas com diabetes.

 

Com informações de assessoria.

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