Poliduto Centro-Oeste-Sudeste: Frenlogi articula obra de R$ 30 bi para escoar biocombustíveis e abastecer o agronegócio
Assessor técnico da maior frente parlamentar de infraestrutura do Congresso detalha projeto estratégico que unirá Mato Grosso ao litoral, impulsionando a transição energética e a logística nacional.
Por Humberto Azevedo
Mauro Barbosa, assessor técnico e diretor da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi), atua como peça-chave na articulação entre o Congresso Nacional, o Executivo e o setor privado para viabilizar projetos estruturantes, com destaque para o poliduto de 2.030 quilômetros (km) que ligará São Paulo ao Mato Grosso – iniciativa já em fase de estudos pela Petrobras desde 2025.
Com atuação direta junto ao presidente da Frenlogi, senador Wellington Fagundes (PL-MT), Barbosa representa a frente em debates técnicos e negociações sobre marcos regulatórios, concessões e obras como a BR-364 e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), sempre com o objetivo de dar segurança jurídica e agilidade a investimentos em rodovias, ferrovias, portos e energia.
“Foi com muita satisfação que todos nós da Frenlogi, principalmente o senador Wellington Fagundes, recebemos a notícia na apresentação da presidenta da Petrobras da importância estratégica no Brasil de construir esse poliduto. A Petrobras iniciou agora em 2025 a elaboração de um projeto de engenharia de 2.030 km para ligar São Paulo ao Mato Grosso”, disse Mauro Barbosa à reportagem do Grupo RDM.
PONTE ENTRE PARLAMENTO E INVESTIDORES
Reorganizada para ampliar sua influência, a Frenlogi se consolidou como uma das maiores frentes parlamentares em atividade no Congresso, com a missão de mediar a relação entre legislativo, executivo e operadores privados, atraindo demandas do setor para a agenda nacional.
O foco da frente é modernizar a infraestrutura de transporte e logística do país, assegurando marcos regulatórios estáveis para concessões e projetos de armazenagem, telecomunicações e dutos, com objetivo final de formar uma aliança setorial capaz de expandir a participação do Produto Interno Bruto (PIB) do setor de transportes e infraestrutura.
“Nós parlamentares temos o compromisso com todos os operadores da logística e do setor de infraestrutura, para instituir ações e projetos em busca da modernização e da eficiência do setor”, destaca o senador Wellington Fagundes – pré-candidato ao governo de Mato Grosso nas eleições de outubro de 2026.
POLIDUTO COMO EIXO DE DESENVOLVIMENTO
Em discurso na reunião da Frenlogi do último dia 5 de novembro, o secretário-geral da frente alertou para a necessidade de retomar a expansão da malha dutoviária, paralisada desde a construção do Oleoduto São Paulo-Brasília (OSBRA) no governo FHC, e defendeu a extensão da rede para o Centro-Oeste como impulso ao agronegócio e à industrialização regional.
A última grande obra dutoviária na região foi concluída há décadas, criando um gargalo logístico para o escoamento de combustíveis e biocombustíveis. A demanda atual exige planejamento energético de longo prazo, com dutovias que integrem as regiões produtoras do Centro-Oeste aos polos consumidores e portos do Sudeste.
“Seria muito importante sempre, nesse pensamento de planejamento energético, de planejamento de logística para o país, fazer esse empreendimento”, complementou Mauro Barbosa.
DUAS DIREÇÕES: SOLUÇÃO TÉCNICA
Questionado sobre a viabilidade do poliduto, Mauro Barbosa explicou que o projeto em discussão prevê uma tubulação dupla, com uma via levando gasolina e diesel mineral ao Centro-Oeste, enquanto a outra carregará etanol de milho e diesel verde para o Sudeste, otimizando o fluxo de combustíveis fósseis e renováveis.
A conexão com a malha dutoviária existente no Sudeste permitirá o escoamento eficiente de biocombustíveis para exportação pelos portos de Santos e Paranaguá. O estado de Mato Grosso, maior produtor de grãos do país e segundo em etanol, deve se tornar o maior produtor nacional do biocombustível nos próximos anos, pressionando por infraestrutura adequada.
“Com a aceleração da transição energética, que é um compromisso do país, as biorrefinarias estão em plena expansão aqui na região Centro-Oeste (…). Para melhorar a logística de abastecimento (…), poderia levar combustíveis minerais para lá, através de um poliduto, e trazer de lá para as regiões consumidoras o etanol de milho”, completou o dirigente da Frenlogi.
“Foi com muita satisfação que todos nós da Frenlogi (…) recebemos a notícia na apresentação da presidenta da Petrobras da importância estratégica no Brasil de construir esse poliduto. A Petrobras iniciou agora em 2025 a elaboração de um projeto de engenharia de 2.030 km para ligar São Paulo ao Mato Grosso”, comemorou Mauro Barbosa.
ENTREVISTA
Abaixo, segue a íntegra da entrevista exclusiva concedida por Mauro Barbosa, da Frenlogi, à reportagem do Grupo RDM.
RDM: Essa questão do poliduto. Como que funcionaria? Os dados técnicos que o senhor estava passando aqui na reunião da Frenlogi.

Mauro Barbosa: Olha, o presidente da Frenlogi, o senador Wellington Fagundes (PL-MT), há dois anos vem trabalhando junto à Empresa de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia e também junto à diretoria de abastecimento da Petróleo Brasileiro, Petrobras, mostrando e defendendo uma posição importante para o Centro-Oeste brasileiro, que é a importância do plano decenal de energia, feito pelo Ministério de Minas e Energia, através da Empresa de Planejamento Energético, de fazer constar no PIL, que é o Plano Indicativo de poLidutos do Brasil, a implantação de um novo projeto. Um projeto que possa ligar o Centro-Oeste brasileiro, principalmente o estado do Mato Grosso, o estado do Mato Grosso do Sul, à malha existente na costa brasileira. Então, existente, que atende os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná. Então, essa malha que circula movimentando combustíveis entre portos e entre refinarias na região Sudeste, para que pudesse ser ligada à região produtora. Porque com a aceleração da transição energética, que é um compromisso do país, as biorrefinarias estão em plena expansão aqui na região Centro-Oeste brasileira, principalmente em Mato Grosso. Mato Grosso é o maior produtor de milho do país, é o maior produtor de soja do país.
RDM: Isso seria um avanço e tanto na transição energética do país, não?

Mauro Barbosa: Sim. E com a transição energética abriu-se fortemente uma grande oportunidade de expansão da base agrícola para a produção de biocombustíveis, que é a lei dos combustíveis do futuro, aprovada aqui pelo Congresso, onde foi ampliada a mistura de biocombustíveis nos combustíveis minerais. E a possibilidade também da aviação e da navegação mundial utilizar biocombustíveis na navegação marítima, na aviação civil utilizar o SAF da aviação. Então, isso abre uma grande oportunidade para a industrialização do milho, da soja, aqui na região Centro-Oeste. Então, para melhorar a logística de abastecimento da região Centro-Oeste de combustíveis minerais produzidos em refinarias da Petrobras ou importados pela Petrobras, poderia levar esses combustíveis minerais para a região Centro-Oeste, principalmente para os municípios de maior produção como Rondonópolis, Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, levar combustíveis minerais para lá, através de um poliduto, e trazer de lá para as regiões consumidoras o etanol de milho. Ou então, trazer de lá de Sinop, trazer de Sorriso, trazer de Lucas do Rio Verde, combustível, biocombustível etanol de milho, ou biocombustível de soja, que seria o diesel verde, levando para a região sudeste brasileira.
RDM: E como está isso?

Mauro Barbosa: Então, poderia ser construído um poliduto, e no dia que foi feita uma reunião pelo senador Wellington Fagundes, com os técnicos da Empresa de Planejamento Energético, foi discutido que essa tubulação poderia ser dois tubos. Uma tubulação para levar o combustível gasolina e diesel mineral e trazer da região produtora o etanol de milho. Outro tubo bombeando o etanol de milho para trazer para o Porto de Santos, para trazer para o Porto de Paranaguá, para exportação ou para uso dentro da região Sudeste brasileira, que é o maior consumidor de etanol do país. E o Mato Grosso hoje é o segundo produtor de etanol do Brasil. E nos próximos cinco, seis anos, há uma expectativa que Mato Grosso vai se tornar o maior produtor de etanol do Brasil. Então, é muito importante que o senador Wellington Fagundes esteja defendendo essa pauta da importância de construir um poliduto ligando a região Centro-Oeste, principalmente os municípios de grande produção agrícola a malha existente na região Sudeste, principalmente o estado de São Paulo. E foi com muita alegria que há poucos dias, numa reunião lá na Confederação Nacional de Transportes, com a presidenta da Petrobras e com o diretor de abastecimento da Petrobras, onde numa apresentação realizada pelos dois, foi mostrado que a Petrobras iniciou agora no ano de 2025, a elaboração de um projeto de engenharia com dois mil e trinta quilômetros para ligar São Paulo ao estado do Mato Grosso. Então, foi com muita satisfação que todos nós da Frente Parlamentar, a Frenlogi, principalmente o senador Wellington Fagundes, recebeu essa notícia na apresentação da presidenta da Petrobras da importância estratégica no Brasil de construir esse poliduto.





















