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Batidores do Poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Procuradoria-Geral da República, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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“Posto Ipiranga” de saias

Pesquisas encomendadas pelo PL indicaram que Flávio precisa se cercar de mulheres para atenuar a imagem de misoginia frequentemente associada ao clã Bolsonaro. Daniela Marques surge como peça-chave nesta estratégia. (Foto: Reprodução / Agência Folha)

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto já tem um reforço de peso na área econômica: Daniela Marques, administradora de empresas formada pela Pontifícia Universitária Católica (PUC) do Rio de Janeiro (RJ), com MBA em Finanças pelo Ibmec, atual ceo da Legenda Capital, corretora de serviços financeiros e gestora independente de recursos.

 

Aposta da Faria Lima

Ela foi escolhida para atuar como uma espécie de “Posto Ipiranga” da candidatura bolsonarista, buscando reconectar o bolsonarismo com o mercado financeiro. Daniela Marques foi assessora especial de Paulo Guedes no Ministério da Economia durante o governo Jair Messias Bolsonaro e, entre julho e dezembro de 2022, presidiu a Caixa Econômica Federal (CEF).

 

Estratégia eleitoral

Em sua passagem pelo banco público, teve a missão de conter a crise de credibilidade interna decorrente das acusações de assédio sexual e moral contra o ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, varrendo o escândalo “para debaixo do tapete” enquanto o banco era usado como fiador de programas sociais que turbinaram a reta final do governo na tentativa de reeleição em 2022.

 

Socorro insuficiente

A priori, o governo federal rechaça a federalização do banco, pois isso significaria usar dinheiro público para “limpar a sujeira deixada por adversários políticos”. (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)

Diversas fontes apontam que o pacote de socorro ao Banco de Brasília (BRB), aprovado pela Câmara Legislativa do DF no último 3 de março, é insuficiente para sanar os estragos causados pelo caso Master. O projeto autoriza o uso de nove imóveis públicos e um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para capitalizar o banco.

 

Federalização ou liquidação

O Banco Central do Brasil (BCB) já comunicou ao governo federal que, mesmo com a capitalização, não vê condições de o BRB se equilibrar sob o comando do GDF, restando apenas dois caminhos: liquidação ou federalização da instituição. O rombo estimado nas contas do banco é de R$ 8 bilhões, decorrente de operações fraudulentas com o Master que somam pelo menos R$ 12,2 bilhões.

 

Serrinha do Paranoá

A tentativa de salvar o BRB incluiu a controversa inclusão da área ambiental da Serrinha do Paranoá no pacote de imóveis públicos a serem utilizados. A região, com 716 hectares, abriga mais de 100 nascentes catalogadas que abastecem os rios do Planalto Central e é considerada estratégica para o equilíbrio hídrico do DF, sendo chamada de “berço das águas”.

 

Abandono político

Fragilizado pelos erros de gestão no BRB, o governador Ibaneis Rocha (MDB) foi abandonado por ex-aliados da direita e deve anunciar em 3 de abril o fim de sua carreira pública, desistindo da candidatura ao Senado. Enquanto isso, a vice-governadora Celina Leão (PP) vê seu projeto eleitoral prejudicado, e o PL avança com o lançamento de uma chapa pura ao Senado com Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis, com os bolsonaristas se dividindo entre o apoio a Celina ao ex-governador José Roberto Arruda.

 

Aldo, satélite do bolsonarismo

A ideia tem conquistado adeptos na Faria Lima, que veem no candidato da DC um instrumento para fragmentar o debate e desgastar o presidente Lula. (Foto: Jose Cruz / Agência Brasil)

O ex-ministro da Articulação Política dos governos Lula I e II, ex-presidente da Câmara e ex-deputado do PCdoB, Aldo Rebelo, será o candidato a presidente do Democracia Cristã (DC) com a função de atuar como linha auxiliar da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em 2026.

 

Estratégia eleitoral

O partido, agora controlado pelo ex-deputado João Caldas (AL) – pai do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas – que estuda trocar o PL pelo PSB para concorrer ao governo ou ao Senado, busca apoio no mercado financeiro para viabilizar a candidatura presidencial, que pretende confrontar o presidente Lula nos debates e nas redes digitais, abrindo espaço para Flávio se posicionar como moderado e propositivo.

 

Novo padre Kelmon

A estratégia da DC é reeditar o papel desempenhado pela candidatura do “padre Kelmon” pelo extinto PTB, atual PRD em 2022, quando atuou como antagonista de Lula nos debates, beneficiando a campanha de Jair Messias Bolsonaro. Aldo Rebelo, ex-comunista e ex-ministro de Lula e Dilma, assumirá a tarefa de radicalizar em determinados temas, puxando o presidente para o confronto direto e permitindo que Flávio Bolsonaro pareça mais equilibrado.

 

Trajetória e contradições

Aldo Rebelo, que presidiu a Câmara em mandato-tampão após a renúncia de Severino Cavalcanti (PP), envolvido em escândalos de corrupção, hoje se alinha ao campo bolsonarista. Sua candidatura representa mais um movimento de satelitização de figuras com passado à esquerda em torno do projeto da extrema-direita, repetindo o fenômeno observado em eleições anteriores, quando personagens de fachada cumprem o papel de desestabilizar a campanha adversária.

 

A aposta do “centrão” da candidatura Flávio

Pesquisas mostram queda na vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, deverá enfrentar o escrutínio público de episódios mal explicados e até hoje com investigações paradas. (Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado)

Importantes fontes do “centrão” — MDB, PP, PSD, Republicanos e União Brasil — apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tende a se desgastar diante do eleitorado bolsonarista fiel quando a campanha eleitoral começar a explorar fatos de corrupção pessoal. Diferentemente do pai em 2018, que se beneficiou da cobertura acrítica após a facada e pôde se esconder sob boletins médicos, Flávio terá de enfrentar o contraditório e explicar esquemas como as “rachadinhas” quando deputado estadual, o caso Fabrício Queiroz e a mansão em Brasília financiada pelo BRB em condições suspeitas.

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Fatos a esclarecer

O candidato do PL precisará responder sobre suas relações com Frederik Wassef, que escondeu Queiroz em Atibaia (SP), e sobre o papel dos colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) na distribuição de armas. Terá de explicar o que fez em oito anos de Senado e por que seu sócio desapareceu do debate público. As investigações interrompidas sobre lavagem de dinheiro via franquia de chocolates também voltarão à tona. Para as fontes do “centrão”, Flávio não tem respostas para essas questões sem ferir a própria natureza do clã.

 

Comparação com 2018

Em 2018, Jair Messias Bolsonaro foi eleito sem passar pelo crivo do escrutínio público, amparado pela ausência de debates. Flávio, porém, não poderá repetir a estratégia. A imprensa, a sociedade civil e os adversários políticos terão a oportunidade de exigir transparência. Se cumprirem seus papéis, a candidatura do filho “zero um” tende a se “desmanchar no ar”, como profetizam caciques centristas, não por torcida, mas pela força dos fatos que precisarão ser enfrentados.

 

PT e PSDB aliados?

O ex-reitor da UFG, Edward Madureira, pode ser o candidato a vice-governador da chapa encabeçada pelo tucano Marconi Perillo. (Foto: Reprodução / Redes digitais)

O PT de Goiás está dividido entre lançar candidatura própria ou aliar-se ao PSDB do ex-governador Marconi Perillo, antigo adversário político. A presidente estadual, deputada federal Adriana Accorsi, reafirmou em nota oficial que não há negociação com Marconi e que o partido terá candidatura própria, seguindo orientação do presidente Lula e da direção nacional. No entanto, nos bastidores, setores da legenda, como o ex-tesoureiro Delúbio Soares, pré-candidato para a Câmara dos Deputados, defendem a aliança para fortalecer o palanque de Lula no estado.

 

Articulações nos bastidores

Apesar da resistência pública de Marconi em apoiar Lula, interlocutores revelam que conversas com a cúpula nacional do PT, incluindo Edinho Silva e Olavo Noleto, continuam. Uma ala do PT goiano propõe que o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, do PT, seja vice de Marconi, unindo forças. A vereadora Aava Santiago, que deixou o PSDB pelo PSB, também participa das articulações, sinalizando a complexidade do cenário.

 

Inimigos históricos

A eleição de 2026 pode testemunhar a união de antigos rivais, como PT e PSDB, em Goiás. Enquanto Adriana Accorsi insiste em candidatura própria, a pressão por uma aliança pragmática cresce, visando derrotar a aliança eleitoral coordenada pelo atual governador Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato ao Planalto. A decisão final dependerá do equilíbrio entre a orientação nacional e as conveniências locais, num contexto em que a política goiana se realinha e antigos adversários cogitam compor chapas.

 

Combate à pirataria

O objetivo do colegiado é propor medidas contra ilegalidades que afetam concorrência, arrecadação e empregos. (Foto: Marcello Casado / Agência Brasil)

A Câmara dos Deputados instala na próxima terça-feira, 10, a Comissão Temporária Externa destinada a enfrentar a pirataria e as ilegalidades que impactam a economia nacional. Coordenada pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ), a comissão focará na agenda “Brasil Legal”, que visa proteger a livre concorrência, a arrecadação tributária e a geração de empregos formais.

 

Prejuízos bilionários

A criação do colegiado fundamenta-se na gravidade dos danos causados pelo mercado ilegal. Segundo levantamento de abril de 2024 da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e das Federações da Indústria dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, Fiesp e Firjan, a pirataria, o contrabando e a sonegação fiscal geraram prejuízo estimado de R$ 453,5 bilhões à economia brasileira apenas em 2022.

 

Plano de ação

Na oportunidade, Julio Lopes que presidente a Frente Parlamentar do Brasil Competitivo (FBPC) apresentará o plano de trabalho da comissão. Estão previstas audiências com especialistas, autoridades públicas e representantes do setor produtivo para mapear ações governamentais e propor medidas legislativas que fortaleçam o ambiente de negócios.

 

Acordo Mercosul-UE aprovado

A senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ressaltou que o trabalho do Congresso continuará no monitoramento da implementação, garantindo que o Brasil aproveite as oportunidades abertas pelo acordo. (Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado)

O plenário do Senado Federal aprovou nesta última quarta-feira, 4, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 41 de 2026, que ratifica o acordo provisório de comércio entre o Mercado Comum dos países do Cone Sul (Mercosul) com a União Europeia (UE). Relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o texto recebeu aval do plenário e segue para sanção presidencial.

 

Benefícios e salvaguardas

O acordo, assinado em janeiro de 2026 após 27 anos de negociações, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) total superior a R$ 117 trilhões.  acordo prevê redução gradual de tarifas em até 30 anos, com eliminação de tarifas para cerca de 95% dos produtos europeus, beneficiando exportações brasileiras de carnes, açúcar e etanol.

 

Soberania regulatória

A senadora Tereza Cristina destacou que o texto preserva a soberania regulatória do Brasil. No mesmo dia, o governo federal publicou o decreto 12866 de 2026, que regulamenta medidas de salvaguardas bilaterais, permitindo ao Brasil adotar proteções contra impactos negativos em setores sensíveis, como suspensão de reduções tarifárias ou cotas.

 

Salvaguardas do acordo

Vice-presidente da FPA, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) afirmou que a regulamentação das salvaguardas era um passo essencial para dar segurança ao agronegócio brasileiro no processo de abertura comercial. (Foto: Reprodução / Agência Brasil)

Para a ex-ministra, o acordo é “histórico” e encerra um ciclo importante das relações comerciais internacionais baseado em previsibilidade, negociação técnica e integração econômica e o decreto publicado pelo governo estabelece mecanismos para proteger setores produtivos nacionais contra aumentos expressivos de importações que causem prejuízos relevantes.

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Como funciona

O decreto permite a suspensão temporária de reduções tarifárias, reintrodução de tarifas ou criação de cotas para produtos beneficiados por preferências comerciais. A investigação poderá ser iniciada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mediante petição da indústria nacional, com análise técnica do Departamento de Defesa Comercial (Decom), com a decisão final cabendo à Câmara de Comércio Exterior (Camex).

 

Articulação política

A medida atende demanda da FPA, articulada pelos senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Tereza Cristina junto ao vice-presidente Geraldo Alckmin. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) afirmou que o decreto fortalece a capacidade de reação do país diante de desequilíbrios comerciais, garantindo segurança ao setor produtivo na implementação do acordo aprovado pelo Congresso.

 

Dino suspende quebra de sigilo

Decisão liminar de Flávio Dino abre brecha para que os demais que tiveram a quebra de sigilo aprovada, como o filho do presidente Lula, Fábio Luís da Silva – conhecido como Lulinha, possam também recorrer contra a decisão do colegiado. (Foto: Antonio Augusto / STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, concedeu medida liminar no Mandado de Segurança 40781, que suspende os efeitos da quebra de sigilo bancário e fiscal de uma investigada na “Operação Sem Desconto” e alvo de requerimentos aprovados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A decisão, proferida em 4 de março, atende pedido da defesa, que apontou ausência de fundamentação individualizada na votação dos 87 requerimentos aprovados simbolicamente em bloco no dia 26 de fevereiro.

 

Votação controversa

Na sessão da CPMI, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), submeteu à votação simbólica um pacote com 87 requerimentos, incluindo convocações e quebras de sigilo. Governistas alegaram que a contagem de votos foi feita de má-fé, ignorando votos contrários, o que gerou confusão no colegiado. Parlamentares da oposição, como Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Rogério Marinho (PL-RN), protestaram contra a votação em globo, defendendo uma análise individualizada. 

 

Fundamentação do STF

Dino acolheu os argumentos da impetrante, citando jurisprudência do STF que exige fundamentação concreta para quebras de sigilo, tanto no Judiciário quanto em CPIs. O ministro destacou que a votação em bloco de 87 requerimentos “parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais”, violando garantias fundamentais. A decisão suspende os efeitos dos atos e determina que, se a CPMI quiser reavaliar as medidas, deverá fazê-las com análise, debate e votação individualizada e fundamentada.

 

CPI contesta decisão de Gilmar Mendes

A empresa Maridt ligada ao ministro Dias Toffoli foi proprietária do hotel Tayaya, no Paraná, que apresenta conexões com o Banco Master. (Foto: Reprodução / CPI do Crime Organizado)

A CPI do Crime Organizado protocolou dois pedidos processuais junto ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, contestando a decisão liminar do ministro Gilmar Mendes que suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt Participações S.A. A medida havia sido aprovada pelo colegiado da comissão na semana passada, mas foi anulada por Gilmar Mendes em caráter liminar.

 

Irregularidades apontadas

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), argumenta que não é razoável que um mandado de segurança arquivado há quase três anos, referente à CPI da Covid, em 2021, seja utilizado para conceder, de ofício, habeas corpus a uma pessoa jurídica, instrumento jurídico destinado à proteção da liberdade de pessoas físicas. O senador defende a revisão da decisão para garantir segurança jurídica às investigações.

 

Prerrogativas do Legislativo

Contarato alerta que, se a CPI não puder quebrar sigilos ou convocar pessoas, esvazia-se o próprio sentido constitucional de sua existência. As comissões parlamentares de inquérito possuem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, conforme dispositivos da Constituição, podendo determinar diligências e quebras de sigilo mediante decisão fundamentada do colegiado.

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