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Bastidores do poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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Racha na direita

Apoiadores do ex-presidente comparecem ao ato marcado pelo deputado mineiro Nikolas Ferreira, que caminhou 240 quilômetros de Paracatu (MG) a Brasília. (Foto: Reprodução / Redes digitais)

De acordo com informações de parlamentares bolsonaristas e também do “centrão”, consultados pela reportagem desta coluna, o ato pelo fim das condenações dos envolvidos no 8 de janeiro de 2023, que marcou o fim da caminhada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), evidencia um racha na direita pelo espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ato, finalizado na noite deste último domingo, 25 de janeiro, foi marcado por quedas de raios no local do evento, em que vários participantes ficaram feridos – alguns em estado grave. Apesar das fortes chuvas, o evento que reuniu cerca de 18 mil pessoas conforme apontado por drones utilizados pela Universidade de São Paulo (USP), contou apenas com o núcleo mais radical do bolsonarismo e também com alguns pré-candidatos a governos estaduais e ao Senado nas eleições de outubro. A ausência da família Bolsonaro, incluindo a ex-primeira-dama, Michelle, chamou a atenção.

 

 

Presença de Wellington Fagundes

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) discursa sob chuva intensa durante o ato na “Praça do Cruzeiro”, na cidade-satélite de Brasília a poucos quilômetros da Esplanada dos Ministérios. (Foto: Divulgação / Assessoria)

No encerramento da “Caminhada pela Liberdade” do bolsonarista mineiro, o senador Wellington Fagundes (PL-MT), pré-candidato ao governo de Mato Grosso, liderou os discursos que transformaram o ato em uma plataforma política de oposição ao governo Lula. Criticando o que chamou de “injustiças”, Fagundes citou condenações do 8 de janeiro de 2023 e a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o maior partido do país não pode se comunicar com sua maior liderança. Fagundes e Nikolas Ferreira direcionaram cobranças ao Senado, exigindo a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, além de estender o prazo da CPMI do INSS, alegando que “muita gente injusta está presa e muita gente que desviou bilhões ainda está solta”.

 

 

 

 

 

 

 

 

Tarcísio troca articulação

Com as mudanças, Tarcísio busca agradar o bolsonarismo, se mostrando leal ao ex-presidente, além de prometer normalizar os fluxos financeiros, antes do período eleitoral. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

De acordo com informações de parlamentares bolsonaristas e do “centrão”, consultados pela reportagem da coluna, a troca no comando da Casa Civil de São Paulo foi uma manobra do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para conter desgastes em duas frentes. A substituição de Arthur Lima por Roberto Carneiro atendeu a uma demanda urgente de prefeitos e deputados da centro-direita paulista, irritados com os crônicos atrasos no pagamento de emendas e convênios. Paralelamente, a medida também agradou a bolsonaristas da base, que viam com desconfiança a gestão anterior. A mudança é vista como um movimento para fortalecer a articulação política local e garantir palanques para a reeleição, após uma semana de crise com o núcleo bolsonarista devido ao cancelamento de uma visita sua ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília.

 

 

Direita em crise

O apoio de boa parte dos evangélicos à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), é veementemente rejeitada pelo senador Magno Malta (PL-ES), outra liderança bolsonarista religiosa. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

De acordo com informações de parlamentares bolsonaristas e do “centrão”, consultados pela reportagem da coluna, a troca pública de acusações entre o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e o pastor André Valadão da Igreja Batista da Lagoinha, com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), da Igreja do Evangelho Quadrangular, escancara profundas rachaduras entre as lideranças evangélicas que apoiam e sustentam o bolsonarismo. O estopim da crise foi a menção da senadora a revelações de “grandes igrejas” na CPMI do INSS, criticada por Malafaia, que a chamou a fala de “leviana”, além de chamar Damares de “linguaruda”, o que levou Valadão a rebater as insinuações. A disputa reflete divergências estratégicas mais amplas, como o apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rejeitada por Malafaia.

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Campos Neto atrasou ação contra o Master

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso após a liquidação de sua instituição financeira e antes de embarcar para Dubai, onde afirma que venderia o banco para um fundo do Oriente Médio. (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

De acordo com informações de parlamentares governistas e também do “centrão”, consultados pela reportagem da coluna, documentos internos do Banco Central do Brasil (BCB) revelam que a autarquia, à época da gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto, já monitorava os graves problemas de liquidez do Banco Master desde dezembro de 2023. Apesar dos alertas técnicos e da frustração de uma captação bilionária no segundo semestre de 2024, Campos Neto optou por não intervir, acreditando numa reversão pela própria instituição. A ação mais dura só veio agora no segundo semestre de 2025, com a liquidação, após o Master acumular uma deficiência de bilhões em depósitos compulsórios. Os ofícios enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal (MPF) detalham uma teia fraudulenta com a distribuidora REAG e conluio do Banco Regional de Brasília (BRB), que capitalizaria o Master usando títulos sem lastro.

 

 

Gestão Campos Neto sob fogo

A quebra do Banco Master é apontada como parte de um modelo da gestão de Campos Neto que favoreceu a proliferação de fintechs e estruturas pouco ortodoxas, algumas ligadas ao crime organizado, socializando os prejuízos quando o colapso era inevitável. (Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil)

Assim, ainda de acordo com informações de parlamentares governistas e também do “centrão”, consultados pela reportagem da coluna, a gestão de Roberto Campos Neto à frente do BCB é apontada como a responsável pelo ambiente regulatório permissivo que permitiu a expansão descontrolada do Banco Master. Críticos afirmam que, sob seu comando, a autarquia adotou uma postura de flexibilização e confiança excessiva no mercado, tratando a supervisão como obstáculo. O crescimento agressivo do Master, de R$ 2,5 bilhões em CDBs em 2019 para R$ 40 bilhões em 2024, ocorreu sob a vigilância do BC, que recebeu alertas mas postergou uma intervenção mais dura. A narrativa de que o caso se resume a uma fraude individual de Daniel Vorcaro é considerada uma “cortina de fumaça” para ocultar uma escolha política que priorizou a desregulamentação. 

 

 

Motta usa 6×1 como bandeira

O tempo para Hugo Motta concretizar o seu compromisso anunciado agora em janeiro é curto, mas a expectativa é que o apelo eleitoral aprove o fim da escala 6×1 até maio. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

De acordo com informações de parlamentares governistas e também do “centrão”, consultados pela reportagem da coluna, a prioridade anunciada pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), em acabar com a escala 6×1 é vista como uma manobra eleitoral para recuperar oxigênio político em um ano de desgaste e de eleições gerais. Apesar do apelo popular do tema, a tramitação das cinco Propostas de Emendas à Constituição (PECs), que tratam da redução da jornada de trabalho segue praticamente paralisada no Congresso, a maioria aguardando despacho ou relatoria há anos. A equipe de Motta reconhece o valor simbólico da pauta, que gera engajamento, mas críticos apontam que falta vontade institucional para transformar o discurso em ação concreta. O teste para o presidente será pautar, negociar e votar a mudança, sob risco de ser acusado de usar o tema apenas como “marketing pessoal”.

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Toffoli busca blindagem

Nos bastidores, dizem que a postura de como o Planalto irá se comportar será “crucial para definir o destino do ministro no Supremo, visto internamente como um “player” que não combina suas jogadas com demais integrantes da Corte. (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil)

De acordo com informações de parlamentares governistas e também do “centrão”, consultados pela reportagem da coluna, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, busca um novo encontro com o presidente Lula para tentar assegurar “blindagem política” contra pedidos de impeachment que podem tramitar no Senado. A oposição e parte do “centrão” articulam a ação devido às decisões de Toffoli no caso Banco Master, que incluíram a determinação de uma acareação incomum envolvendo o diretor do BCB, Ailton de Aquino, e a tentativa de reter provas na Suprema Corte. Lula, no entanto, hesita em mobilizar sua base em favor do ministro, antes de entrar na Corte foi advogado do PT. O desgaste vem de decisões recentes que pareceram prejudicar a investigação, somadas a um histórico de afastamento do PT e ao episódio em que Toffoli, durante a operação Lava Jato, negou a Lula o direito de comparecer ao velório de seu irmão. 

 

 

O STF e o seu código de conduta

O ministro aposentado Celso de Mello durante uma reunião do STF. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

O ministro aposentado do STF, Celso de Mello, defende publicamente a iniciativa do presidente da Corte, Edson Fachin, de criar um Código de Conduta para os ministros. Mello argumenta que a medida visa preservar a integridade moral e a respeitabilidade do Supremo, fundamentais em um momento de contestações públicas e polarização. Ele enfatiza que a autoridade da Corte Constitucional depende da colegialidade, do diálogo interno e do consenso, não de protagonismos individuais. A proposta de Fachin, ainda que enfrente resistências internas, é apresentada como uma resposta institucional necessária para proteger a imagem do STF e manter a confiança pública no Estado Democrático de Direito. O ministro aposentado critica as tentativas de desqualificar a iniciativa, classificando-as como motivadas por conveniência política, e reforça que a prudência institucional é um dever, não uma fraqueza.

 

 

Lula propõe a Trump foco em Gaza

Lula e Trump alinharam ainda posições sobre a necessidade de estabilidade na Venezuela, em um momento de relação bilateral considerada positiva. (Foto: Ricardo Stuckert/ Secom-PR)

De acordo com informações de parlamentares governistas e também de fontes do Planalto, consultados pela reportagem da coluna, o presidente Lula buscou uma saída diplomática para não aderir ao Conselho da Paz proposto por Donald Trump, sugerindo que o órgão atue apenas na crise de Gaza e inclua as autoridades palestinas. A manobra visa evitar um atrito direto com os Estados Unidos (EUA), mantendo a porta aberta para o diálogo, sem aceitar o “mandato global” que Trump reivindicou para o Conselho. Em conversa telefônica com Trump nesta segunda-feira, 26 de janeiro, que durou cerca de 50 minutos, Lula reiterou a defesa de uma ampla reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) e acertou uma visita à Casa Branca para o mês de março. Os líderes também discutiram a retirada de tarifas comerciais remanescentes, cooperaram no combate ao crime organizado.

 

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