MATO GROSSO

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Bastidores do poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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BASA na COP-30

Novo produto do BASA, o “Amazon Bond” é um título de dívida verde emitido para captar recursos internacionais, com os valores aplicados em projetos sustentáveis na região, para financiar ações em bioeconomia, infraestrutura ecológica e transição energética. (Foto: Reprodução / IDB)

O Banco da Amazônia (BASA) apresentou na última quinta-feira, 6 de novembro, durante o encontro de cúpula da 30ª Conferência sobre mudança no clima das Nações Unidas (COP-30) o papel que a entidade financeira e de desenvolvimento regional pretende adotar na sua agenda para oferecer aos empresários e produtores da região instrumentos financeiros inovadores como o “Amazon Bond” e a “Cédula do Produtor Rural (CPR) Verde”, com objetivo de promover a bioeconomia, ações sustentáveis e infraestrutura ecológica. Paralelamente, o BASA inaugurou também a exposição internacional “Clima: o Novo Anormal” em seu centro cultural na capital paraense, que com roteiro de Claudio Angelo e direção artística de Fernando Meirelles, pretende oferecer uma imersão visual sobre a crise do planeta e que estará em cartaz até 8 de fevereiro de 2026, com entrada gratuita.

 

 

 

BASA na COP-30 2

Novos financiamentos do BASA anunciados na última quinta, 6, no encontro de cúpula da COP-30 garantirão financiamentos para sustentabilidade e transição energética na região amazônica. (Foto: Divulgação / Secom-Mtur)

O BASA anunciou ainda uma série de iniciativas que reforça o seu papel como principal agente financeiro do desenvolvimento sustentável da região. Dentre as novas linhas anunciadas, a instituição fará uma operação de quase R$ 540 milhões junto ao Banco Mundial para financiar a transição energética, destinada a projetos de energia solar, biomassa e sistemas híbridos, com objetivo de reduzir o uso de diesel na região. Por meio do Fundo de Preservação das Florestas Tropicais (FFFT, sigla em inglês),o banco contará com aportes de vários países com regras de pagamento por hectare de floresta preservada, para alocação em iniciativas voltadas à conservação. Além, de um investimento total de R$ 8,9 milhões em projetos destinados à cultura, esporte, meio ambiente e empreendedorismo, previstas para o ano de 2026. 

 

 

 

Infraestrutura na COP

Paralelo à COP-30, fórum de debates realizado em São Paulo (SP) com conferências sobre mobilidade, saneamento e gestão de resíduos sólidos, transição energética, infraestrutura social e financiamento atraiu investidores. (Foto: Divulgação / Instituto GRI)

Já o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR) anunciou durante o “Brazil GRI Infra and Energy 2025”, em São Paulo, parcerias com bancos internacionais para fortalecer os Fundos de Desenvolvimento Regional (FDR). O secretário responsável pelo fundo, Eduardo Tavares, detalhou que os recursos captados com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) serão direcionados aos fundos da Amazônia, Nordeste e Centro-Oeste. Segundo ele, os financiamentos internacionais irão apoiar projetos de saneamento básico, resíduos sólidos, irrigação, transporte e logística sustentável. Tavares destacou ainda o leilão do Fundo de Investimento do Nordeste, que arrecadou R$ 816,6 milhões para a Ferrovia Transnordestina, como exemplo de mecanismo inovador para acelerar o desenvolvimento da infraestrutura nacional.

 

 

 

Agro na COP-30

Wellington Fagundes: “Produzir e preservar não são caminhos opostos. É assim que Mato Grosso já vive na prática”, afirmou.

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) chegou a Belém para participar da COP-30 com um recado claro: “Respeitem quem alimenta o mundo”. A mensagem, estampada em seu boné, sintetiza a defesa que fará do agronegócio brasileiro durante a conferência. Como representante do Senado, o senador mato-grossense destacará projetos que aliam produção sustentável, ciência e transição energética, com foco na produção de seu estado, Mato Grosso. Fagundes, que é pré-candidato ao governo estadual , defende que legislações como a regulamentação do Estatuto do Pantanal e projetos como a Hidrovia Paraguai-Paraná, além do etanol verde para aviação são exemplos do quanto o país vem contribuindo para a redução dos gases que pressionam o efeito estufa. Segundo ele, países que já desmataram suas florestas e apoiam a moratória da soja, iniciativa que proíbe a comercialização de produtos de áreas desmatadas após 2006, não podem impor regras restritivas aos pequenos e médios produtores do Brasil.

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Ministério da Agricultura na COP-30: lança iniciativa de recuperação de solos e mostra práticas sustentáveis, reafirmando o Brasil como potência agroambiental. (Foto: Divulgação / Secom-MAPA)

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) usará a COP-30 para demonstrar as políticas públicas voltadas para o agronegócio que possuem compromissos com a sustentabilidade. Um dos principais anúncios do MAPA será o lançamento da Resiliência da Agricultura para uma Iniciativa e Investimento em neutralidade na degradação de terras (RAIZ, sigla do inglês Resilient Agriculture Investment for Net Zero Land Degradation), que visa recuperar áreas agrícolas degradadas e conectar mecanismos de financiamento para agricultura resiliente. Servidores do MAPA participarão de painéis da COP-30 sobre ação climática destacando a integração entre produção de alimentos e preservação ambiental. No espaço organizado pela Empresa brasileira de agropecuária (Embrapa), AgriZone, serão realizadas demonstrações de sistemas sustentáveis, como o plantio direto, técnica que sequestra carbono e aumenta a resiliência climática das lavouras.

 

 

Agro na COP-30 3

O programa Caminho Verde Brasil visa recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas em 10 anos, impulsionando a produção sustentável de alimentos e biocombustíveis sem avanço sobre vegetação nativa. (Foto: Divulgação / Secom-MAPA)

Assessores do MAPA apresentaram, em Cuiabá, à Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA) o programa “Caminho Verde Brasil”. A iniciativa federal oferece crédito com juros abaixo do mercado para recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas em dez anos, vinculando o financiamento ao compromisso de não desmatar e à realização de balanço anual de carbono. O assessor especial Carlos Augustin destacou que a sustentabilidade é indispensável para o agro, pois abre portas a mercados mais exigentes e traz resiliência aos produtores. Mato Grosso, maior produtor de algodão do país, vê no programa uma oportunidade para modernizar sua produção, que na safra 2024/2025 alcançou 6,92 milhões de toneladas de algodão em caroço e pluma.

 

 

“Tragédia presente”

“Fazer a COP aqui é um desafio tão grande quanto a gente acabar com a poluição no planeta Terra”. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

No discurso de abertura da COP-30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alertou que a crise climática já é “uma tragédia do presente”, citando eventos extremos como o tornado que destruiu no último sábado, 8 de novembro, o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná (PR), além do furacão no Caribe e o supertufão nas Filipinas, Ásia. O presidente brasileiro defendeu que a conferência seja marcada pela verdade e pela ciência, em oposição ao negacionismo, e cobrou ações concretas dos países desenvolvidos para cumprir os compromissos do Acordo de Paris. Lula propôs a criação de um Conselho do Clima na Organização das Nações Unidas (ONU) e enfatizou a necessidade de colocar as pessoas no centro da agenda climática, destacando o papel dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Segundo ele, a escolha da Amazônia como sede reforça o protagonismo da região nas discussões globais.

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China & COP-30

Apesar da China ser o segundo maior poluente do planeta, Xi Jinping tem enfatizado a importância de se acelerar rumo a uma “civilização ecológica” para garantir no futuro “montanhas verdes e águas claras”. Em vez de estar em conflito com a agenda climática, a China trabalha para promover cooperações no sentido de uma construção de governança ambiental global mais equilibrada e centrada no Sul Global. (Foto: Divulgação / Xinhua)

Apesar de ausente da COP-30, o presidente chinês – Xi Jinping – enviou ao Brasil uma das maiores delegações para participar do evento, apresentando uma proposta de cooperação estratégica para promover uma transição ecológica global. A China afirma que é parceira fundamental para o financiamento e desenvolvimento de tecnologias verdes no Brasil. A iniciativa “Civilização Ecológica”, conceito central da política ambiental chinesa, guia essa colaboração, que abrange investimentos em energia renovável, bioeconomia e mecanismos de financiamento sustentável. A parceria inclui ainda a recuperação de áreas degradadas na Amazônia, a estruturação de mercados de carbono e a transição energética, com o gigante país asiático sendo o maior investidor estrangeiro em setores verdes no Brasil.

 

 

 

 

Pataxós na COP-30

O Ministério Público Federal (MPF) já solicitou a suspensão das atividades da Veracel na região devido aos graves impactos documentados. (Foto: Chris Kebbon / Skogsupproret)

Em paralelo à COP-30 em Belém, ativistas dos movimentos ambientalistas “Extinction Rebellion” e do “Skogsupproret” ocuparam nesta segunda-feira, 10 de novembro, a sede da multinacional “Stora Enso” em Estocolmo para protestar e denunciar as violações socioambientais de sua subsidiária Veracel Celulose no sul da Bahia, onde controla cerca de 100 mil hectares de eucalipto. Os manifestantes acusam a empresa de grilagem de terras, destruição de nascentes e supressão de Mata Atlântica em territórios do povo Pataxó, exigindo reparação integral e a devolução das áreas tradicionalmente ocupadas. O protesto acontece enquanto a “Stora Enso” participa da conferência climática, sendo acusada de “greenwashing” – prática enganosa de defesa do meio ambiente.

 

 

CPMI da COP

Zucco acusa a entidade contratada para organizar a COP-30 de atuar como “atravessadora” em contratos com empresas que já mantinham vínculos com ministérios. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

A oposição no Congresso retomou a coleta de assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar supostas irregularidades nos repasses do governo federal à Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). A entidade qaue é uma Organização Não Governamental (ONG), da Espanha, foi contratada sem licitação para organizar a conferência climática e já recebeu quase R$ 1 bilhão em recursos públicos, segundo o líder da oposição na Câmara, deputado Luciano Zucco – pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul (RS). Segundo ele, uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU), relatada pelo conselheiro-ministro Bruno Dantas, apura indícios de superfaturamento e burla à Lei de Licitações por meio de acordos de cooperação internacional.

 

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