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SOBRETUDO

A política entrou na reta decisiva. E os partidos talvez ainda não tenham percebido onde a eleição será realmente vencida.

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A pré-campanha de 2026 em Santa Catarina começa a entrar em uma nova fase. Durante meses, o debate esteve concentrado em pesquisas, alianças, troca de partidos, composição de chapas e movimentações de bastidores. Agora, lentamente, outro fator passa a ganhar importância: a capacidade dos candidatos de ampliar seu eleitorado sem aumentar sua rejeição. Parece um detalhe, mas pode ser uma das chaves da próxima eleição.

As pesquisas mais recentes mostram um cenário curioso. Jorginho Mello mantém liderança confortável para o Governo do Estado. João Rodrigues ainda trabalha para reduzir essa diferença. No Senado, a entrada de Antídio Lunelli embaralhou completamente a disputa e obrigou todos os candidatos a reverem suas estratégias. Mas existe um elemento comum a todos esses movimentos: nenhum deles será suficiente se os candidatos permanecerem falando apenas para suas bases políticas.

A polarização consolidou eleitores fiéis, mas também criou um fenômeno que merece atenção. Hoje, crescer significa convencer justamente quem ainda não decidiu completamente seu voto. E esse eleitor costuma ser muito menos ideológico e muito mais pragmático. Ele observa resultados, comportamento, equilíbrio, capacidade de diálogo e propostas concretas. É justamente por isso que a rejeição começa a ocupar um espaço tão importante quanto a aprovação. A eleição poderá não ser vencida apenas por quem conquistar mais votos, mas por quem conseguir cometer menos erros ao longo da caminhada.

O escândalo de Florianópolis já não é apenas policial. Tornou-se um teste institucional.

A investigação sobre contratos da Secretaria Municipal de Assistência Social ultrapassou há muito tempo os limites da esfera policial. O debate agora está concentrado na reação das instituições. A discussão sobre a criação ou não de uma Comissão Parlamentar de Inquérito deixou de ser apenas um confronto entre governo e oposição. Passou a representar um teste para a independência da Câmara de Vereadores.

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Nenhuma investigação deve produzir condenações antecipadas. Esse é um princípio básico do Estado de Direito. Mas também é verdade que a sociedade espera transparência quando contratos milionários entram na mira dos órgãos de investigação. A resistência política à instalação de mecanismos de fiscalização costuma produzir um efeito contrário ao desejado. Em vez de encerrar o assunto, prolonga o desgaste e amplia as dúvidas da opinião pública.

O verdadeiro patrimônio de um Parlamento não é sua maioria. É sua independência. Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional existem para legislar, mas também para fiscalizar. Quando essa função passa a ser condicionada pela conveniência política do momento, quem perde não é apenas um governo ou uma oposição. Perde a credibilidade da própria instituição.

Enquanto isso, Jorginho amplia sua base sem fazer muito barulho.

Em meio às disputas narrativas, existe um movimento político que merece atenção. O governador continua consolidando apoios partidários importantes, ampliando sua coalizão sem grandes confrontos públicos. A adesão de legendas como PSDB e Cidadania talvez não produza impacto imediato nas pesquisas, mas reforça uma estratégia clássica da política: construir estabilidade antes do início oficial da campanha.

O peso eleitoral desses partidos pode não ser o mesmo de outras épocas. Ainda assim, alianças continuam exercendo influência sobre prefeitos, vereadores, lideranças regionais e estruturas municipais. Mais do que tempo de televisão ou fundo eleitoral, essas articulações ajudam a reduzir espaços de incerteza e dificultam a formação de alternativas competitivas.

Isso não significa que a eleição esteja definida. Significa apenas que, enquanto adversários ainda trabalham para consolidar seus projetos, o governador procura diminuir riscos políticos antes da campanha começar oficialmente.

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O MDB talvez esteja diante da decisão mais importante dos últimos anos.

Poucos partidos chegam a 2026 carregando tantos desafios quanto o MDB catarinense. A legenda tenta manter protagonismo estadual, fortalece a candidatura de Antídio Lunelli ao Senado, organiza chapas proporcionais competitivas e, ao mesmo tempo, administra diferentes correntes internas sobre o posicionamento político da sigla.

Essa talvez seja sua eleição mais estratégica desde o período em que ocupava naturalmente o centro da política catarinense.

O partido precisa responder uma pergunta que influenciará não apenas 2026, mas também os anos seguintes: pretende voltar a liderar um projeto estadual próprio ou continuará apostando em alianças que preservem espaços de poder, mesmo sem protagonismo?

A resposta ainda não está clara.

Mas o tempo para adiá-la começa a diminuir.

 

PONTO DE VISTA

Existe uma característica comum aos principais fatos políticos das últimas semanas.

Todos revelam que a campanha começa lentamente a abandonar a fase das articulações para entrar na fase das escolhas estratégicas.

Os candidatos precisarão decidir como ampliar seu eleitorado sem elevar a rejeição. Os Parlamentos precisarão demonstrar que continuam independentes diante de investigações sensíveis. O governo buscará transformar alianças em estabilidade política. E partidos tradicionais, como o MDB, terão de definir qual papel pretendem desempenhar no futuro da política catarinense.

A eleição de 2026 não será decidida apenas por quem fizer a melhor campanha.

Será decidida, principalmente, por quem fizer as melhores escolhas antes mesmo que a campanha comece.

E, muitas vezes, é justamente nesse período silencioso que as grandes eleições começam a ser vencidas — ou perdidas.

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