Com mandatos longos, desgaste natural e pressão crescente por renovação, deputados tradicionais de Mato Grosso entram em 2026 diante de um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos.
A eleição de 2026 começa a desenhar um cenário cada vez mais delicado para deputados veteranos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Embora boa parte dos parlamentares tradicionais siga apostando na força das bases regionais e na estrutura política consolidada ao longo dos anos, cresce nos bastidores a percepção de que o eleitorado demonstra sinais claros de fadiga com figuras históricas da política estadual. A cobrança por renovação, somada ao avanço de candidatos mais jovens, digitais e regionalizados, ameaça diretamente nomes considerados “donos” de cadeiras na ALMT.
Levantamento publicado pelo jornal Gazeta Digital, em reportagem intitulada “Veterano está na AL há duas décadas e 23 deputados querem reeleição”, mostrou que 23 dos 24 deputados estaduais devem disputar a reeleição em 2026, um dos maiores índices de tentativa de permanência da história recente do Parlamento estadual. Entre os mais antigos estão Sebastião Rezende, que pode chegar ao sétimo mandato consecutivo, além de Wilson Santos, Dilmar Dal Bosco e Ondanir Bortolini, todos com forte trajetória política no Estado. Apesar da experiência, o longo tempo no poder passou a ser usado por adversários como símbolo de “política antiga”.
Nos bastidores partidários, o clima é de apreensão. A mudança de legenda de oito deputados durante a janela partidária revelou uma corrida intensa por sobrevivência política e por chapas mais competitivas. A movimentação deixou evidente o receio de muitos parlamentares em disputar espaço dentro de partidos inchados, especialmente diante do crescimento de novas lideranças regionais ligadas ao agronegócio, ao segmento evangélico e às redes sociais. Em conversas reservadas, dirigentes partidários admitem que alguns veteranos podem acabar “engolidos” pela nova configuração eleitoral.
O desgaste também vem sendo alimentado pela maior cobrança popular sobre resultados concretos. Temas como infraestrutura precária, saúde regionalizada, crise em hospitais públicos e pressão dos servidores públicos passaram a atingir diretamente deputados que estão há décadas no poder. No início deste ano, por exemplo, a aprovação da Revisão Geral Anual dos servidores gerou forte pressão sindical sobre a Assembleia Legislativa, expondo cobranças mais agressivas sobre atuação parlamentar. Analistas avaliam que o eleitor já não se satisfaz apenas com articulação política ou presença em eventos regionais.
Outro fator que preocupa os veteranos é o avanço das redes sociais como ferramenta eleitoral. Especialistas vêm apontando que candidatos com forte presença digital poderão provocar uma das maiores taxas de renovação da história recente da ALMT. Diferentemente de eleições anteriores, novos nomes passaram a construir audiência própria fora das estruturas partidárias tradicionais, alcançando principalmente o eleitor mais jovem e urbano. Esse fenômeno reduziu parte da dependência de cabos eleitorais históricos e ampliou o espaço para candidaturas consideradas “antiestablishment”.
Além disso, o aumento da competitividade partidária tornou o cenário ainda mais imprevisível. Siglas como MDB, Podemos, União Brasil, Republicanos e PL trabalham com metas agressivas de ampliação de bancadas e montagem de chapas robustas. Isso significa que até deputados experientes precisarão atingir votações muito superiores às registradas em eleições anteriores para garantir permanência na Assembleia. Em algumas legendas, a conta interna aponta necessidade de ultrapassar a casa dos 35 mil ou até 40 mil votos individuais para assegurar vaga.
Mesmo assim, muitos veteranos ainda apostam no peso da máquina política e na capilaridade construída ao longo dos mandatos. Presidentes partidários e lideranças da ALMT minimizam publicamente a possibilidade de uma renovação profunda, mas nos bastidores já existe quem admita que 2026 pode marcar o início de uma nova geração política em Mato Grosso. A própria discussão sobre o aumento do número de cadeiras na Assembleia, que pode passar de 24 para 30 deputados a partir de 2027, aumentou o apetite de novos grupos políticos e acirrou ainda mais a disputa por espaço. O resultado é um ambiente de tensão crescente, onde tradição e renovação travam uma batalha silenciosa pelo controle do Parlamento estadual.





























