A base governista da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) avalia estratégias para tentar barrar o início dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende investigar a suposta formação de cartel para fraudar contratos da Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante a pandemia da covid-19. O requerimento foi apresentado em 2023 pelo deputado Wilson Santos (PSD), no contexto da Operação Espelho, que apurou irregularidades nos dois primeiros anos da crise sanitária.
Além de questionamentos à Mesa Diretora, aliados do governador Mauro Mendes (União) não descartam recorrer à Justiça para anular a leitura do requerimento. O líder do governo, deputado Dilmar Dal Bosco (União), sustenta que alguns parlamentares que assinaram o pedido não teriam mais interesse na instalação da CPI, citando o primeiro-secretário da Casa, Dr João (MDB), além de Juca do Guaraná (MDB) e Chico Guarnieri (PRD).
Dr João, no entanto, foi quem recebeu o requerimento após a leitura em plenário e o encaminhou à Procuradoria Legislativa. Outra estratégia em análise é a não indicação de membros pelos blocos governistas. Pelo regimento interno, caso os nomes não sejam apresentados em até cinco dias, caberá ao presidente da ALMT, Max Russi (PSB), fazer as indicações.
A criação da CPI atende ao requisito mínimo de 1/3 das assinaturas dos deputados — oito parlamentares — e, conforme o regimento, não depende de votação em plenário para ser instalada, por se tratar de um direito das minorias. A Operação Espelho, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), apontou a existência de uma suposta organização criminosa que teria fraudado e controlado contratos da Saúde com apoio de servidores. Ao todo, 21 pessoas foram denunciadas.
























