O Senado aprovou nesta quarta-feira (12/11), por 45 votos a 26, a recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República (PGR). Após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi confirmado para mais dois anos à frente do Ministério Público Federal, cargo que ocupa desde 2023.
Durante a sabatina, Gonet defendeu uma atuação técnica e independente da PGR, afirmando que o órgão “não busca aplauso” e deve agir com base na Constituição. A sessão, porém, foi marcada por críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que o acusaram de parcialidade em investigações relacionadas aos atos golpistas de 2022 e a processos envolvendo o ex-presidente.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protagonizou o momento mais tenso da reunião, ao afirmar que o Ministério Público teria “vergonha” da gestão de Gonet — declaração rebatida pelo procurador e classificada como “constrangimento” pelo presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA). Gonet respondeu lendo uma mensagem de apoio da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e reafirmou que o órgão não criminaliza a política.
O procurador-geral também avaliou que um eventual perdão a condenados por tentativa de golpe de Estado poderia ser questionado no Judiciário. Ele citou parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro, no qual afirmou que a anistia a crimes contra o Estado não tem “respaldo constitucional”. Reconduzido, Gonet segue no comando de um dos principais órgãos de controle do país, sob um clima político mais polarizado que o de sua primeira nomeação.



































