Em meio a um cenário político marcado por pressões e cobranças, o novo presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, vereador licenciado Rogério Dakar (PSDB), assumiu o cargo já impondo um recado claro: sua prioridade será a gestão, não as urnas. Em entrevista ao RDM Online, ele descartou qualquer pretensão de candidatura neste ano e afirmou que o foco está totalmente voltado para enfrentar a crise histórica no abastecimento de água do município.
A nomeação de Dakar não ocorreu por acaso. Nos bastidores, a escolha é vista como um movimento estratégico da prefeita Flávia Moretti para reorganizar a base política e, principalmente, melhorar a interlocução com a Câmara Municipal. O novo presidente do DAE chega após a saída de Zilmar Dias da Silva, que enfrentava forte desgaste em meio a críticas constantes à condução da autarquia.
Com trânsito consolidado no Legislativo, onde cumpre seu terceiro mandato, Dakar surge como uma peça-chave nesse xadrez político. A expectativa é que sua presença no comando do DAE ajude a reduzir tensões, destravar pautas e criar um ambiente mais favorável para a aprovação de medidas consideradas essenciais para a gestão municipal.
Ao ser questionado sobre uma possível candidatura nas eleições de 2026, ele foi enfático ao afastar qualquer especulação.
“Não, a nossa pretensão é trabalhar muito para melhorar a situação do DAE e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”, afirmou, deixando claro que, ao menos neste momento, não pretende disputar espaço nas eleições.
Apesar disso, o próprio Dakar reconhece que sua atuação não será apenas técnica. A articulação política faz parte do pacote.
“Estamos no terceiro mandato enquanto vereador, então temos um bom trato com todos os companheiros dentro da Câmara Municipal e sabemos da importância dessa interlocução”, disse, sinalizando que pretende usar sua experiência política como ferramenta de gestão.
Na prática, a missão é dupla de enfrentar um dos setores mais problemáticos da administração pública e, ao mesmo tempo, servir como ponte entre Executivo e Legislativo. Em um cenário onde a crise da água se tornou um dos principais termômetros da gestão municipal, qualquer avanço dependerá tanto de decisões técnicas quanto de alinhamento político.
Ao optar por abrir mão da disputa eleitoral neste momento, Rogério Dakar tenta consolidar sua imagem como gestor em meio a uma área sensível e de alta cobrança popular. A estratégia pode fortalecer seu capital político no médio prazo, ao mesmo tempo em que dá fôlego à gestão de Flávia Moretti em um dos setores mais críticos de sua administração.





























