Belém no mapa: prefeito faz balanço de 2025 e projeta legado pós-COP30
Em entrevista, Igor Normando detalha conquistas, responde a críticas e anuncia metas para infraestrutura, mobilidade e inclusão social na capital paraense.
Por Humberto Azevedo
O primeiro ano de gestão de Igor Normando (MDB) à frente da Prefeitura de Belém foi marcado pela realização da 30ª edição da Conferência sobre mudança no clima das Nações Unidas (COP-30) e por um esforço de reorganização administrativa, mas os desafios históricos da cidade seguem na pauta para 2026.
Em entrevista ao canal do jornal paraense “O Liberal” na plataforma Youtube, o prefeito belenense avalia que o maior legado do evento global foi devolver o orgulho e o senso de pertencimento à população, mas reconhece a necessidade de acelerar obras estruturantes e reduzir desigualdades.
“Belém agora está no mapa do planeta. Nós conquistamos o nosso lugar, que era de direito, sendo a capital da Amazônia para o Brasil e para o mundo. (…) A maior obra que nossa cidade ganhou e o maior legado que vamos deixar dessa COP é o sentimento de orgulho do nosso cidadão. Nós recuperamos isso”, comentou.
BALANÇO DE 2025
Normando classifica 2025 como um “ano duro” e de “organização da casa”, com três meses dedicados apenas ao diagnóstico da situação real da administração municipal. Além dos preparativos para a COP-30, o gestor destaca os avanços em macrodrenagem, pavimentação de ruas e o início de programas de regularização fundiária.
Mesmo com a pressão de entregar às obras para a COP-30, o prefeito lembrou que sua gestão deu início, ainda em 2025, das obras estruturantes em regiões periféricas e planeja, a partir de agora, priorizar o diálogo direto com a população para executar as demandas mais urgentes.
“Nós tivemos a capacidade de compreender que esse primeiro ano seria desafiador. Era um governo de ruptura, não de continuidade. (…) Nada, nada, nada vence o trabalho. Agora, em 2026, vamos dialogar mais com a população e apresentar a solução” , complementou.
DESAFIOS ESTRUTURAIS
Mobilidade urbana, saúde e desigualdade social aparecem como os grandes gargalos a serem enfrentados, com promessas de tirar, em 2026, o ônibus de trânsito rápido (BRT, na sigla em inglês) do papel e reformar o Pronto-Socorro da 14 – principal atendimento de urgência à saúde da população da capital e de cidades da região metropolitana.
Na oportunidade, o prefeito anunciou a criação do programa de “um milhão de árvores”, licitações para areninhas esportivas e modelo de concessão de praças pela iniciativa privada.
“Meu papel é colocar Belém no trilho do desenvolvimento para garantir que todos que passem pela prefeitura depois deem continuidade a um projeto de cidade. (…) Eu não tenho compromisso com o erro. Quando a gente erra, tem que assumir e apresentar a solução. O pronto-socorro da 14 precisa de intervenção urgente”, completou.
ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
Em tom de pragmatismo, Normando defende parcerias com o governo estadual e com o governo federal e diz não temer desgaste político por fazer “o que precisa ser feito”. Na entrevista, abaixo, publicada na íntegra, o emedebista revela um plano de governo que tenta equilibrar a imagem internacional conquistada com a COP-30 e as demandas cotidianas por infraestrutura e serviços básicos.
“Eu fui eleito para mudar a história da cidade. Vou fazer o que tiver que ser feito, mesmo que seja impopular. Daqui a 20, 30 anos, vou poder olhar para trás com clareza. (…) Qualquer pensamento que fuja disso é briga de ego e discurso politiqueiro. Me cabe ser gestor da cidade”, emendou.
Pergunta: Prefeito, qual balanço que o senhor faz de 2025, da COP-30 e o quais as perspectivas para 2026. Como o senhor avalia o seu primeiro ano de mandato? Quais foram os principais desafios e quais foram as principais conquistas que o senhor quer destacar?

Igor Normando: Olha, primeiro dizer que o ano de 2025 foi um ano duro, um ano de muitos desafios na cidade. É o primeiro ano de governo, todos sabem que o primeiro ano de qualquer governo é um ano desafiador, onde você tem que, muitas das vezes quando se faz um governo de ruptura, no meu caso foi um governo de ruptura, não foi um governo de continuidade, então nós tivemos a capacidade de compreender que esse primeiro ano seria um ano desafiador, um ano onde nós teríamos que arrumar a casa, fazer a transição que nós não fizemos dentro da própria prefeitura, ou seja, nós assumimos tendo que entender os números, conhecer cada setor da Prefeitura e entender o que estava acontecendo. Só nisso nós levamos cerca de três meses para poder organizar essa leitura. Depois disso, fazer a transição, fazer a organização administrativa da Prefeitura e tudo isso levando em consideração que a cidade não poderia parar, que deveria entregar obras paradas ou em ritmo lento e ainda a realização de uma COP-30, que foi um evento nunca antes visto na história da cidade. Então, eu acredito que este ano, ano passado, a gente resume como um ano desafiador, um ano de organização da casa e principalmente as atitudes que nós tomamos no ano passado vão ser balizadores do que nós queremos a partir de agora com a casa já em um ritmo muito mais acelerado de desenvolvimento.
Pergunta: Sobre a COP-30, passado o evento, como o senhor avalia o que o evento significou para Belém?

Igor Normando: Olha, Belém agora está no mapa do planeta. Belém passou a ser uma capital conhecida mundialmente, que tem capacidade de receber aqueles que nos visitam, que tem capacidade de se desenvolver com sustentabilidade e ser um exemplo para a Amazônia. Eu tenho certeza de que, pós-COP, nós conquistamos o nosso lugar, que era de direito, sendo a capital da Amazônia para o Brasil e para o mundo. Agora, o nosso trabalho é manter esse título como uma cidade que possa receber turistas, movimentar a economia, ser um exemplo de sustentabilidade, de desenvolvimento sustentável. Tudo isso são desafios pós-COP. Acredito que realmente foi um momento importante, onde nós recuperamos também o senso de pertencimento da nossa população. Hoje o cidadão se sente muito mais dentro da cidade, se sente orgulho de morar em Belém. Nós recuperamos isso. Quem mora em Belém sabe que nós, por muito tempo, achávamos que a cidade não tinha jeito. Muitos achavam que a cidade não tinha jeito. Hoje, eu tenho a total certeza de que nós recuperamos a esperança e, principalmente, o senso de pertencimento e o orgulho no coração e nos olhos de cada cidadão que mora na nossa cidade. E agora é o maior desafio, manter esse orgulho vivo.
Pergunta: Na sua percepção, qual foi a imagem que a gente passou de Belém para o mundo? E o senhor acredita que isso vai interferir, vai impulsionar o turismo em 2026? Existem medidas, iniciativas sendo tomadas nessa área?
Igor Normando: Olha, primeiro que nós não passamos para o mundo nada além daquilo que já somos. Nós somos um povo acolhedor, nós somos um povo alegre, festivo, um povo que tem na cultura gastronômica um grande potencial. E nós mostramos para o mundo que as nossas potencialidades são únicas. E eu acredito muito que toda essa condição, aliado à organização do evento, aliado ao que nós nos propomos entregar e entregamos além do que nos propomos, sem dúvida alguma, isso tudo mostra que nós temos a capacidade de continuar trilhando esse caminho. Então, Belém mostrou aquilo que realmente é e mostrou a força do seu povo que, sem dúvida alguma, é o maior patrimônio da cidade.
Pergunta: Prefeito, com as obras da COP, muitas criticaram dizendo que as reformas, as obras foram feitas só em áreas estratégicas da cidade e que partes como a periferia ficaram, entre aspas, esquecidas. Como o senhor responderia a essas críticas e se há iniciativas em planejamento já sendo feitas para também dar um olhar diferenciado para essas áreas?

Igor Normando: Primeiro, a gente infelizmente vive um momento em que a sociedade, muitas das vezes, prefere fazer um comentário de lacração na internet do que simplesmente, muitas das vezes, enxergar aquilo que de fato é os benefícios que trazem. Nós sabemos que qualquer cidadão da nossa cidade que goste ou não goste de mim, que concorde ou não concorde com a minha gestão, que compreenda e tenha alinhamento ideológico ou não, todos, sem dúvida alguma, podem olhar para o que era antes da nossa gestão e o que é hoje. E eu posso dizer com toda a franquia, a COP não só trouxe benefício para o turismo, as áreas que foram reformadas são áreas que vão fomentar o turismo. Fomentando o turismo, a gente vai gerar emprego, vai gerar renda, vai movimentar a economia da cidade, que infelizmente ainda patina apenas na relação econômica de serviços e a gente vai poder fomentar tudo isso. Trazer turista para cá, para gastar dinheiro aqui, para poder passar esses recursos para a nossa população, através de emprego e através de renda que vai circular a economia da cidade. Então, além disso, eu posso dizer que nós tivemos grandes obras na periferia da cidade. Junto com o governo do estado, nós fizemos o maior programa de macrodrenagem da história da cidade, que elevou o percentual de casas com água e esgoto. Nós conseguimos garantir com que mais de 180 ruas recebessem pavimentação. Pessoas que moravam muitas das vezes em casas, que quando chovia a lama entrava dentro da casa e hoje podem caminhar feliz no chão firme, sendo suas ruas pavimentadas. Nós tivemos não só a organização de um evento desse porte como um grande desafio, mas a gente também tem o desafio de que a COP pudesse chegar para todos, e chegou para todos. Mas, sem dúvida alguma, a maior obra que eu diria que a nossa cidade ganhou e, sem dúvida alguma, o maior legado que a gente vai poder deixar dessa COP é o sentimento de orgulho do nosso cidadão. Nós recuperamos o orgulho do cidadão em morar em Belém.
Pergunta: Prefeito, em relação ao legado da COP para a gestão municipal, o que o senhor acha que a COP ensinou sobre como gerir a cidade, os limites, as prioridades, os principais desafios disso?

Igor Normando: Olha, eu separo não só a COP, mas a gestão como um todo. 2025 foi um ano de aprendizado, um ano onde a gente olhou muito mais para dentro, para organizar a casa, para poder avançar em 2026. E o que eu posso dizer é que nada, nada, nada vence o trabalho. Hoje, a gente precisa estar, cada vez mais, entregando o resultado e, ao mesmo tempo, ouvindo a população. Nós, agora em 2026, nós vamos dialogar mais com a população e vamos apresentar a solução. O que a população espera de nós é que a gente resolva os problemas, ou então, pelo menos, diga quando, como e onde vai ser resolvido. Porque o que a população espera de nós é resposta, mas é fundamental também que a própria população se sinta parte do processo, parte da cidade. O prefeito sozinho não resolve o problema. Quantas e quantas obras nós entregamos e dias depois estavam depredadas? Quantas obras a gente entregou e que, infelizmente, a própria população não cuidou? Infelizmente, uma parcela da população, e, não é a maioria, infelizmente, não enxerga a cidade como extensão da sua casa. Infelizmente, enxerga a cidade como algo que não faz parte do seu cotidiano e faz. Quando você ocupa uma calçada irregularmente, você está prejudicando a cidade. Quando você depreda um patrimônio público, você está alisando você mesmo, porque você paga os seus impostos e você faz parte da cidade. Quando você não obedece um regramento, você está indo de encontro com a própria sociedade, porque todos nós vivemos numa convivência que tem que ser harmônica. Então, é fundamental, nesse momento, que a gente possa, ao mesmo tempo, construir essa relação com a sociedade, que cada um tem direito, mas também tem deveres com a cidade e que a Prefeitura possa fazer essas escutas e poder entregar o melhor resultado. Eu acredito muito que o ano passado foi um ano de aprendizado, ajuste da casa e, sem dúvida alguma, apontamento do que nós queremos para os próximos três anos.
Pergunta: Prefeito, o senhor acredita que Belém está preparada para receber outros eventos de grande escala, escala similar ao da COP?
Igor Normando: Sem dúvida alguma. Se nós conseguirmos não só realizar a COP, como também fazer com que todo o evento fosse satisfatório, nós vamos estar preparados para qualquer outro evento mundial aqui na nossa cidade. Inclusive, esse, sem dúvida alguma, é uma pauta que a gente precisa fazer que seja perene. Não dá para a gente pensar que um evento como a COP vai acontecer só uma vez a cada 30 anos, pelo contrário. Nós precisamos fazer com que esse momento que passou a COP seja o momento que a cidade viva com mais intensidade. O Rio de Janeiro passou por isso depois que teve o seu encontro mundial de meio ambiente e, desde daí, o Rio de Janeiro começa a se posicionar como uma cidade no cenário nacional com capacidade de realização de grandes eventos e fazendo grandes eventos. Nós precisamos ser da Amazônia, do Norte do Brasil, a referência. E nós vamos ser.
Pergunta: Prefeito, finalizando essa sessão de COP e falando sobre mudanças climáticas, um estudo recente mostrou que Belém, em um futuro próximo, pode ser a segunda cidade mais quente do planeta. Eu gostaria de saber o que a gestão municipal está fazendo para transformar essa cidade em uma cidade mais resiliente e adaptada ao calor extremo, às mudanças climáticas?
Igor Normando: Nós temos três medidas muito importantes. A primeira medida é a educacional. A população precisa compreender que preservar é importante para o futuro das gerações. Isso passa desde cuidar da árvore que está na calçada da sua casa ou até mesmo fazer o plantio de novas mudas. A Prefeitura de Belém já começou a fazer o seu trabalho. Só no ano passado nós plantamos mais de 150 mil mudas na cidade. E este ano o nosso planejamento é lançar o programa Belém um Milhão de Árvores. Nós pretendemos, em três anos de gestão, plantar um milhão de árvores na cidade. E isso, grande parte, também vai ser em parceria, tanto com o Governo do Estado quanto com o BNDES. Através de um investimento de aproximadamente 40 milhões, a ideia é que a gente possa fazer com que as nossas calçadas possam ser espaços de caminhar, mas também sejam calçadas verdes, com plantio de árvores, incentivando, inclusive, os próprios moradores a fazerem isso. Belém precisa e deve ser mais arborizada.
Pergunta: Prefeito, a gente sabe que a mobilidade urbana recebeu muitos avanços em 2025, mas a gente gostaria de saber o que a gente pode esperar para 2026, porque ela ainda continua sendo apontada por muitos como um gargalo, como um desafio na cidade, principalmente alguns pontos mais críticos. E o que a gente pode esperar para 2026 em relação a isso?

Igor Normando: Olha, mobilidade é, sem dúvida alguma, uma discussão central na cidade há décadas. Assim que assumimos, nós não só aumentamos a frota, como também garantimos com que 30% dela fosse com ar-condicionado, com wi-fi, com acessibilidade e com pagamento em pix. E agora, recentemente, nós lançamos o aplicativo que garante com que a população possa ver onde está o ônibus antes que ele chegue na parada. Isso está usando até previsibilidade para que eles possam sair com o tempo do trabalho, para não ficar na parada esperando. Tudo isso é avanço, sem dúvida alguma. Mas a gente precisa avançar muito. Primeiro, nós precisamos compreender que a Setransbel é um sindicato que administra o transporte público por décadas na cidade. A gente sabe os gargalos, os problemas que possam ocorrer, mas nós compreendemos que a Setransbel presta um serviço público. Ela não recebe da prefeitura, ela recebe do usuário. Mas a prefeitura tem que fiscalizar e vai fiscalizar ainda mais. Nós já começamos a fazer essa fiscalização e vamos continuar fazendo para que preste um serviço de qualidade. Paralelo a isso, nós garantimos com que, aos domingos, fosse dada à população passagem de graça. Ou seja, quem quiser pegar o ônibus aos domingos vai poder pegar sem pagar um real por isso. Tudo isso através dessa construção de mobilidade. Precisamos avançar? Precisamos. Mas nós temos a absoluta certeza de que já avançamos muito. E aí, sem dúvida alguma, esse é um grande desafio e eu espero poder entregar em 2026, que é justamente colocar o BRT, finalmente, de Belém para funcionar. Integrado com o BRT metropolitano, para garantir que esse projeto que se estende há mais de 20 anos na cidade possa ser entregue com qualidade. Então, é um grande desafio e nós pretendemos, eu pretendo, como prefeito de Belém, acabar com essa novela do BRT e botar o BRT para funcionar ainda esse ano.
Pergunta: Prefeito, durante a COP, a imprensa nacional veiculou muito a questão de Belém ser uma das capitais que tem ali um percentual de quase 60% de áreas periféricas. E a gente gostaria de saber quais são as medidas que estão sendo tomadas por parte da prefeitura para contornar essa desigualdade estrutural que a gente ainda vive.

Igor Normando: Belém é uma das cidades com a maior área de favela do Brasil. E a gente sabe que essa é uma problemática vinda de dois temas centrais. Primeiro, a falta de regularização fundiária, ou seja, as pessoas não têm título de propriedade. Então, aquelas áreas são áreas ainda de ocupação. E esse é um desafio que nós pretendemos encarar com toda a clareza e, principalmente, com o planejamento. Ano passado, nós fizemos esse planejamento e conseguimos captar recursos através do Ministério da Cidade e do Governo Federal para garantir que essa regularização fundiária fosse feita. E a nossa expectativa é que esse ano a gente consiga regularizar mais de 30 mil moradias. E a ideia é que isso possa crescer ao longo dos anos. Paralelo a isso, fazer tratamento de água e esgoto, que também é um índice importante que a gente precisa aumentar. Nós já conseguimos crescer quase 50% do que era antes. Mas a gente precisa ainda avançar nisso. Tenho certeza de que, com essa parceria do governo federal e do governo do estado, a gente vai conseguir avançar. É óbvio que, em um ano, a gente não conseguiu fazer tudo o que a cidade precisava. E, evidentemente, talvez nem se eu ficasse 10 anos como prefeito, nós mudaremos tudo o que precisa ser mudado na cidade. Mas acredito muito que o meu papel enquanto prefeito é colocar Belém no rumo e no trilho do desenvolvimento para garantir que todos aqueles que passem pela prefeitura possam dar continuidade de um projeto de cidade para desenvolver a cidade, para gerar emprego e renda, para dar melhor condição de vida para a nossa população e, sobretudo, fazer com que Belém volte a ter realmente uma cidade acolhedora, uma cidade que seja boa para aqueles que moram aqui. Tanto os que moram na periferia quanto os que moram no centro da cidade. A gente precisa ter qualidade de vida na cidade.
Pergunta: Prefeito, muitos estão se perguntando em relação ao restaurante popular. Existe uma perspectiva de ele ser reaberto? Existe um cronograma?
Igor Normando: Sem dúvida alguma. Nós temos dois projetos de base que lidam diretamente com a segurança alimentar. Um é a cozinha solidária. A cozinha solidária vai dar alimento às pessoas em vulnerabilidade social. Nós não vamos vender. Nós vamos dar àqueles que têm fome e não têm condição de pagar por isso. O restaurante popular vendia a alimentação a um preço subsidiado. Nós não. Nós vamos dar alimento à população. Nós pretendemos fazer isso ainda no primeiro semestre. Fora isso, nós devemos, sim, ter um restaurante popular e nós estamos construindo a modelagem que deve funcionar, inclusive, no shopping popular que nós vamos construir na cidade.
Pergunta: Prefeito, em relação às praças de Belém, a gente sabe também que em 2025 muitas foram restauradas, mas as pessoas ainda apontam algumas que continuam com problemas de iluminação pública, de segurança. Em 2026 a gente pode esperar medidas também em relação a essas praças?

Igor Normando: Sem dúvida alguma. Nós vamos fazer dois movimentos importantes. Primeiro, de conservação e zeladoria das praças. Nós já começamos a instalar câmeras também para garantir a segurança e também que as praças possam ter realmente a sua manutenção preservada sem nenhum tipo de vandalismo. A gente sabe que um caso ou outro vai ocorrer naturalmente, como acontece em qualquer centro urbano, mas a gente tem que ter respostas rápidas. Sem dúvida alguma isso é algo que a Prefeitura está se debruçando para construir na cidade. É fundamental também que a gente possa divulgar um projeto que foi lançado no ano passado, mas que foi pouco divulgado e pouco explicado, inclusive por parte da Prefeitura, e eu faço a autocrítica que nós precisamos divulgar melhor, que é o “Praça Viva”. O que é o “Praça Viva”? A população, as empresas, os empreendedores, eles podem requerer a concessão da praça pelo período de 5 a 10 anos, onde eles vão poder explorar economicamente até 30% do espaço da praça, mas ela continua sendo pública. Ou seja, se tem aqui 5 ou 6 empreendedores que vendem alimentos e eles querem fazer dentro da praça uma praça de alimentação padronizada, organizada com o projeto arquitetônico passado pela prefeitura, eles vão poder fazer aquilo sem nenhum tipo de custo do empreendedor para a prefeitura. Ele vai ter que, em contrapartida, apenas dar a manutenção na praça e cuidar da praça. Com isso a gente vai garantir que a Prefeitura não gaste recursos para fazer a manutenção e esse empreendedor não precise pagar aluguel para qualquer outro tipo de imóvel e vai ter um local central para vender os seus produtos. Ou seja, nós vamos ter aqui não só fortalecimento do comércio, como também vamos garantir a zeladoria da praça. Então esse programa é um programa que nós vamos expandir e vamos fazer com que a população possa entender e os empreendedores comprem a ideia. Nós já estamos bem avançados nisso e tenho certeza de que as praças vão ser muito mais bem zeladas e que a gente vai conseguir dar vida a elas. Porque não adianta só a gente ter praças, a gente tem muita praça, tem mais de 240 praças. Mas imagina só, se você não tiver 240 praças com vida, com movimento, vai ser apenas um terreno baldio em que vai estar sujeito a todo tipo de vandalismo, a todo tipo de degradação. Então a gente precisa dar vida às praças e é isso que a gente vai fazer.
Pergunta: Prefeito, em relação às Ilhas de Belém, o que a gente pode esperar de iniciativas, principalmente no setor do acesso à saúde e do acesso ao saneamento básico, que a gente sabe que é um desafio grande nessas áreas?

Igor Normando: Olha, as Ilhas de Belém têm um papel muito importante na cidade. Infelizmente, muitos gestores governaram de costas para as Ilhas. Nós temos mais de 40 mil pessoas vivendo nas Ilhas de Belém. A gente precisa dar um olhar muito mais atencioso. Principalmente aquelas que fazem, que têm um nível populacional grande. Para você ter uma ideia, na educação, e eu tenho muito orgulho disso, nós vamos inaugurar ainda esse mês, nós conseguimos colocar todas as escolas das Ilhas com energia fotovoltaica, ou seja, com energia renovável, agora todos vão ter acesso à internet e também luz, não mais com gerador, agora com energia solar. A gente garantiu que a UBS Fluvial pudesse chegar nas Ilhas, ou seja, a gente faz o atendimento nas Ilhas para que as pessoas não tenham que se deslocar delas para ir para o centro da cidade, então a gente está indo até as Ilhas. E é fundamental também trabalhar com algo que é muito sensível, que é a geração de renda para essas famílias. Nós vamos entrar agora com um grande programa de agricultura e fomento à piscicultura nas Ilhas. Belém tem um potencial incrível, nós somos um dos maiores produtores de açaí do mundo, Belém hoje faz parte dessa cadeia, a gente precisa fazer com que isso funcione, ou seja, se a gente der condição de conhecimento e der subsídio de financiamento para esses trabalhadores, eles vão poder fazer a agricultura não só para subsistência, mas também para comercialização. Então é fundamental que a gente possa olhar com esse olhar sensível para quem mora na Ilha.
Pergunta: O senhor comentou desse projeto de educação nas Ilhas, ainda nesse setor de educação e de saúde. Quais são os projetos que o senhor gostaria de destacar e o que ainda falta para ser enfrentado?
Igor Normando: Olha, só no ano de 2025, nós investimos aproximadamente R$ 50 milhões na reforma das escolas. Nós estamos construindo algumas escolas, inclusive do zero. Para você ter uma ideia, são escolas que vão ter tempo integral e vão ter toda a condição de receber os nossos estudantes. Nós, pela primeira vez na história da cidade, conseguimos dar material escolar e uniforme escolar para toda a rede. Ou seja, mais de 60 mil estudantes receberam régua, caderno, borracha, caneta, estojo, uniforme completo e mochila. Tudo isso para garantir que eles tenham um acesso melhor ao aprendizado. Pela primeira vez, talvez em 20 anos, a Prefeitura não recebe uma notificação do Ministério Público porque não tem professor em sala. Nós temos professores em sala que dão o seu melhor para que o aprendizado seja a contento. E, evidentemente, no ano que vem, desculpe, neste ano, nós temos um fator predominante. Nós crescemos em 20% no ano passado as vagas em creche, mas eu tenho como meta de gestão até o final do nosso mandato, aumentar em 100% os números de vaga, em creche. Ou seja, a primeira infância é uma das grandes prioridades da nossa gestão e é isso que a gente vai construir daqui para frente.
Pergunta: Prefeito, eu gostaria que o senhor esclarecesse em que pé está a situação do Pronto Socorro da Catorze. A gente sabe que passou por uma questão de possíveis reformas, privatizações, decisões judiciais. Então, eu gostaria que o senhor esclarecesse para a população qual é a situação atual.

Igor Normando: Eu até te agradeço por essa pergunta. Primeiro, desmistificar essa questão de privatização. Ninguém está privatizando o serviço público. Pelo contrário, essa é uma medida que já vem sendo tomada em grandes capitais do Brasil e do mundo, que é a garantia de que se tenham organizações sociais ou até mesmo outras formas de construção para resolução dos problemas que hoje enfrentam a saúde. O Pronto Socorro Municipal de Belém, se você for pegar as gestões de 20, 30 anos atrás, você vai ter as mesmas manchetes nos jornais, nos noticiários, na televisão e agora nas redes sociais. Os problemas são os mesmos. As dificuldades são as mesmas. E como é que a gente vai resolver problemas que são extremamente complicados e que já duram décadas fazendo as mesmas coisas? Nós procuramos fazer diferente. Foi aí que nós resolvemos entender de que precisaríamos encontrar uma alternativa para, principalmente, fazer com que o Pronto Socorro pudesse ser fechado para uma ampla reforma, não fazer reforma com gente dentro, que isso é, inclusive, desumano. E nós encontramos uma alternativa com o Hospital Filantrópico, que é justamente poder oferecer o mesmo serviço que é oferecido a quem tem plano de saúde e quem paga uma saúde privada, para quem precise e não tem condição de pagar. Nós buscamos isso. Essa foi a grande proposta que nós construímos. E a partir daí, a gente ter este hospital de forma imediata funcionando e reformar o Pronto Socorro, que, ao fim desta reforma, nós passaríamos a ter dois hospitais, com garantia de atendimento dobrado. Inclusive, na nossa proposta digital, era aumentar o número de leitos deste novo hospital. Então, acho que houve um certo problema de compreensão de alguns sobre isso. E detalhe, ninguém ficaria desempregado. Aqueles que são efetivos, eles continuariam trabalhando na rede municipal de saúde, inclusive, fortalecendo algo fundamental que é a atenção básica. Que é quando a pessoa precisa ir no posto de saúde e ainda, às vezes, não tem profissionais de atendimento. Com isso, nós garantiríamos que todas as nossas unidades pudessem ter um reforço ainda maior de profissionais da saúde. Então, eu acredito muito que isso poderia realmente não só ser um grande ativo, como vai ser um grande ativo. Nós estamos defendendo essa proposta, porque a gente acredita que é importante e entende também que ela é uma proposta que, embora ofereça até mais serviço do que hoje oferece o próprio pronto-socorro da 14, ela também é mais barata. Hoje, nós economizaríamos cerca de 2 bilhões de reais por mês, tendo um serviço de qualidade, numa estrutura muito melhor do que existe hoje, enquanto passaríamos a reformar o pronto-socorro da 14. Nós também vamos continuar defendendo essa proposta. Evidentemente que o pronto-socorro da 14 precisa de algumas reformas. Nós vamos trabalhar junto à Justiça, junto ao Acompanhamento do Ministério Público, para que eles possam ter sensibilidade de ver como é que a gente pode construir essa reforma e sem deixar de atender as pessoas. A gente tem que reforçar. Eu não tenho compromisso com o erro. Quando a gente erra, a gente tem que assumir o erro e apresentar a solução. O pronto-socorro da 14 precisa de intervenção urgente, de engenharia, de reforma, mas é fundamental que a gente possa construir isso. E me permite aproveitar esse momento também. Hoje, Belém atende não só a população de Belém. Para se ter uma ideia, só no pronto-socorro da 14, nós atendemos 30% da população vinda do município de Ananindeua. Isso é importante ser frisado. Então, Belém não atende só a população de Belém. O hospital da 14 atende também o interior do estado e, como eu disse, a vizinha aqui, Ananindeua, tendo o pronto-socorro próprio, manda os seus pacientes para o nosso pronto-socorro da 14. Nós não nos negamos a atender. E nós não recebemos aquilo que deveremos receber para atender a população de outros municípios. Então, faço um apelo, inclusive, aos prefeitos que têm condições de atender os seus pacientes, que possam atender. Acho que cada um tem que ter responsabilidade com o seu cidadão. Eu tenho responsabilidade com o cidadão de Belém e eu espero que os outros prefeitos também possam ter. Eu acho que isso é um papel fundamental. E a gente está aqui para ajudar. Nós não vamos negar atendimento a ninguém, mas é fundamental que se diga que os nossos prontos-socorros, muitas das vezes, estão superlotados porque nós não atendemos só a Belém. Nós atendemos também o interior do estado.
Pergunta: Certo. Prefeito, entrando agora no setor de esporte e de cultura. Existem planos para ampliar e para reformar os campos de arenas esportivas, principalmente dos bairros mais distantes, como o Tapanã, como a Terra Firme?
Igor Normando: Olha, sem dúvida alguma, foi uma proposta de campanha nossa para o prefeito. Nós vamos fazer as areninhas e as arenas, que são fundamentais para que haja esporte em todos os bairros. Nós vamos iniciar um processo licitatório, acredito que lá pelo mês de fevereiro, para que a gente possa fazer a contratação de empresas para poder fazer essas obras. E, além disso, nós queremos instalar nessas areninhas também escolinhas de futebol, escolinhas de esporte, para que as crianças que vivem com vulnerabilidade social possam ter oportunidade.
Pergunta: Prefeito, diante da atuação das “Usinas da Paz”, que são iniciativas do governo do estado, gostaria que o senhor explicasse um pouco como fica a atuação da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (SEGBEL), e como é que ela atua ali junto com as “Usinas da Paz”, com o governo estadual, como é que ela não acaba ficando como coadjuvante nessa área?

Igor Normando: Olha, pela primeira vez a gente tem um governo federal, governo estadual e governo municipal com relações alinhadas. Ou seja, eu não sou aquele que tento esconder o que vem de bom do governo do estado e do governo federal atribuindo apenas a mim esse benefício. Pelo contrário, eu acredito muito de que a população me elegeu para que eu pudesse unir a todos e pudesse trazer benefício para a cidade. E é o que está acontecendo. Eu recebo muito comentários que dizem assim, mas essa obra é só do governo do estado, essa obra é do governo federal. Não, é a obra da cidade. Quantas obras nós entregamos e que foi a população de Belém que ajustou, que quis e que pediu e que foi a prefeitura de Belém que executou a obra e trouxe para cortar a faixa o governador, a vice-governadora representante do governo federal e quantas vezes aconteceu o inverso. O próprio governador federal fez isso e o governo do estado também fez isso. Se chama ser republicano e colocar principalmente a cidade acima das nossas aspirações políticas e pessoais. Então nós vamos continuar fazendo um trabalho integrado. Nós vamos continuar entregando obra junto com o governador, junto com a vice-governadora, junto com o governo federal e com todos aqueles que querem um benefício para a cidade. Eu sou prefeito de Belém, eu não estou aqui para discutir a próxima eleição, eu não estou aqui para discutir a ego, o status ou quem entregou ou deixou de entregar. O importante é que seja entregue. Se a obra acontecer, para mim a finalidade já está posta, já está feita e eu estou muito satisfeito. Eu não me importo se é uma obra financiada pela iniciativa privada, governo do estado ou governo federal. O que me importa é que ela aconteça. Qualquer pensamento que fuja disso é briga de ego e discurso politiqueiro e isso não me cabe. Me cabe ser gestor da cidade. Eu fui eleito para mudar a história da cidade, para mudar o curso que a cidade estava indo e é isso que eu vou fazer. Independente se isso me custe popularidade, independente se isso me custe qualquer tipo de benefício político. Eu tomei uma decisão muito clara que é fazer diferente do que aqueles que me antecederam fizeram. Porque fazer o mesmo, a gente já sabe o resultado. Então eu vou fazer diferente, eu vou organizar a cidade. Vou fazer o que tiver que ser feito, mesmo que isso seja impopular. Eu vou fazer aquilo que é preciso ser feito e daqui a 20, 30 anos eu vou poder olhar para trás e eu vou poder ter a clareza.























