A publicitária Danielle Miranda Fonteles ligou o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, à Spyder Consultoria, empresa investigada pela CPMI do INSS por movimentação financeira atípica e indícios de ser de fachada. Mesmo sem site ou presença em redes sociais e registrada em nome de um auxiliar de serviços gerais de 25 anos, a empresa movimentou R$ 371 milhões nos primeiros seis meses do ano passado, uma das maiores cifras já identificadas pela comissão parlamentar.
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI aponta um pagamento de R$ 200 mil da Spyder a Danielle Fonteles. Procurada, ela afirmou que não conhecia a empresa e que a transferência foi determinada pelo Careca do INSS como parte da negociação de venda de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia. A defesa do empresário informou que ele não irá comentar o caso.
Danielle Fonteles, que atuou em campanhas eleitorais do PT, é apontada pela Polícia Federal como sócia do Careca do INSS na Cannabis World, empresa de cannabis medicinal em Portugal. Mensagens obtidas pela investigação indicam que ela coordenava a operação da companhia no país ibérico. “Pessoal, criei esse grupo para acompanharmos passo a passo o trabalho de avaliação do Projeto Cannabis em Aveiro (Sync Nature)”, escreveu em mensagem de outubro de 2024.
A CPMI chegou à Spyder após identificar repasses da empresa Dinar S/A Participações, usada pelo Careca do INSS e abastecida por recursos de outras entidades investigadas. Registrada em dezembro de 2024, a Spyder tinha capital social de R$ 120 mil, mas já havia movimentado mais de R$ 16 milhões em janeiro de 2025, segundo dados da Receita Federal. A comissão requisitou a quebra de sigilo da empresa para aprofundar as investigações.














