Risco de desabastecimento

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) alerta que o agravamento das tensões no Oriente Médio ameaça a agropecuária brasileira com riscos de desabastecimento de diesel, insumo essencial para atividades mecanizadas. Sindicatos rurais do interior do Paraná já registram escassez de combustíveis. O Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural mundial, é o ponto crítico da instabilidade que já provoca turbulências no mercado internacional de energia.
Impactos no campo
O diesel é insumo fundamental em praticamente todas as etapas da produção e no transporte rural. Os combustíveis fósseis respondem por 73% da energia utilizada na agropecuária, movimentando máquinas e sustentando a logística do setor. O transporte rodoviário responde por mais de 60% do escoamento de cargas no país. O aumento nos preços do combustível eleva os custos da produção mecanizada e do frete, podendo atrasar o plantio e a colheita, especialmente no Paraná, que tem produção intensiva de soja, milho, trigo e cana, além das cadeias de avicultura e suinocultura.
Vulnerabilidade nacional
O Brasil importa 29% do diesel que consome, o que expõe o país às oscilações externas. Um forte aumento no preço do diesel, provocado pela escalada militar no Oriente Médio, pode gerar impactos significativos no agronegócio. Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz afeta o mercado global de fertilizantes nitrogenados, essenciais para a agricultura, com reflexos na logística das exportações e na formação de preços.
Brasil adere ao pacto nuclear

O Brasil anunciou na última terça-feira, 10, sua adesão à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050, durante a II Cúpula sobre Energia Nuclear em Paris, organizada pela França com apoio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A iniciativa, lançada na COP-28 em Dubai, busca mobilizar governos, indústria e instituições financeiras para ampliar a capacidade instalada dessa fonte energética no mundo.
Compromisso brasileiro
China, Bélgica e Itália também aderiram na ocasião, elevando para 38 o número de países signatários. Ao endossar o pacto, o Brasil reafirma seu compromisso com o desenvolvimento responsável da energia nuclear, em conformidade com elevados padrões de segurança, proteção e não proliferação.
Histórico de produção segura
Com mais de quatro décadas de operação segura de usinas nucleares, o país domina o ciclo do combustível nuclear, da mineração de urânio à fabricação de combustível. Atualmente, as usinas Angra 1 e Angra 2 respondem por cerca de 3% da energia gerada no país, e a Eletrobras obteve financiamento de R$ 22,2 milhões para extensão da vida útil de Angra 1.
Futuro ou passado

O marqueteiro Paulo de Tarso da Cunha Santos, responsável por campanhas icônicas como o “Lula lá” de 1989, adverte que a campanha à reeleição do presidente Lula enfrenta um cenário adverso e precisa de profunda revisão estratégica. Em sua análise, o avanço da direita no cenário internacional, simbolizado pelo projeto “Maga” de Donald Trump, encurralou o presidente, tornando a tradicional propaganda petista, focada em programas sociais e realizações administrativas, ineficaz. “O povo está cansado da demora que a democracia liberal propõe”, afirma.
Alerta de veterano
O principal alerta é que a campanha não pode mais se basear na prestação de contas do passado, mas deve olhar para o futuro. Ele aponta que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário, “sintetiza o futuro e o antipetismo”. Para Tarso, a comunicação precisa abandonar a narrativa de vitória fácil no primeiro turno e se preparar para uma “batalha mais longa”, pensando desde o início em dois turnos. Apesar dos desafios, acredita que Lula “tem tudo na mão para se reeleger no segundo turno”, mas a vitória não virá de bandeja.
Fim de uma era
Tarso decreta que “estamos no fim da era Lula” e que o PT precisa urgentemente pensar em um projeto de país para o futuro, focado em educação e tecnologia, para não ser “atropelado pela história”. A ausência de um sucessor claro e a falta de debate interno sobre o pós-Lula são, para o marqueteiro, sinais de que a legenda corre o risco de se tornar irrelevante se não se reinventar para o “começo da era Brasil”.
Recorde ferroviário

A movimentação de cargas por ferrovias no Brasil atingiu 555,48 milhões de toneladas úteis em 2025, o maior volume já registrado no país, com crescimento de 2,57% em relação a 2024, segundo dados do Ministério dos Transportes. O presidente da Frente Parlamentar de Infraestrutura e Logística (Frenlogi), senador Wellington Fagundes (PL-MT), destacou que o desempenho reflete avanços regulatórios e a atração de investimentos, mencionando marcos legais como a legislação da renovação antecipada e do novo marco das ferrovias, que possibilitaram empreendimentos em Mato Grosso.
Investimentos e avanços
O Ministério dos Transportes prevê R$ 140 bilhões em investimentos no setor ferroviário até 2026, com oito leilões programados e potencial de R$ 600 bilhões em contratos. O minério de ferro segue como principal carga, representando 401,35 milhões de toneladas úteis, enquanto o setor agrícola registrou o maior crescimento com uma alta de 4,62%.
Alerta geopolítico
Fagundes alertou que as tensões internacionais, especialmente a guerra no Oriente Médio, podem impactar a cadeia logística com aumento nos preços de combustíveis e fertilizantes, afetando contratos do agronegócio e o custo do frete. “Logística é política de Estado, agrícola e econômica. Precisamos nos unir para ampliar a infraestrutura em todos os modais”, declarou.
Participação estratégica

O Instituto Brasil Logística (IBL) marcou presença no primeiro seminário da Associação Mundial de Infraestrutura de Transporte Aquaviário (PIANC Brasil) sobre “diálogo técnico”, realizado na última terça-feira, 10, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.
Cooperação técnica
O evento representou a primeira ação institucional da PIANC no Brasil, entidade centenária que produz relatórios técnicos usados como referência global no planejamento e na engenharia de portos, canais e hidrovias. O presidente do conselho gestor do IBL, Jesualdo Conceição, destacou que a participação brasileira nesse ambiente técnico fortalece a formulação de políticas públicas, especialmente por integrar o corpo técnico da Frenlogi.
Hidrovias em foco
Na abertura, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, declarou que o Brasil tem uma “dívida histórica” com o setor hidroviário, destacando que um comboio com 25 barcaças retira mais de 500 caminhões das estradas e reduz em quase 40% o custo logístico.
Fim da escala 6×1 e o impacto no agro

Em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o Ministério do Trabalho apresentou estudo preliminar indicando que o fim da escala 6×1 teria impacto superior no setor agropecuário. Enquanto o custo médio da redução de 44 para 40 horas na economia geral seria de 4,7% sobre a massa salarial, na agropecuária, construção e comércio, o custo adicional variaria entre 7,8% e 8,6%, sem contar gastos com novas contratações para manter a produção.
Setores calculam bilhões
Segmentos específicos projetam impactos bilionários: o setor de etanol teria incremento de custo entre R$ 4 bi e R$ 5 bi; a proteína suína e avícola, até R$ 9 bi; e cooperativas agroindustriais, R$ 2,5 bi. O ministro Luiz Marinho afirmou que o impacto negativo seria “absorvido pelo ganho de produtividade”, mas parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) questionaram os riscos de demissões, sobrecarga em pequenas empresas e a coerência do governo ao elevar impostos e defender redução de jornada.
Próximos passos
O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), programou novas audiências com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, centrais sindicais e entidades patronais como a CNA, CNC e CNI. Mais de 100 entidades já assinaram um manifesto defendendo debate técnico, preservação do emprego, ganhos de produtividade e negociação coletiva setorial.
FCO para Jovens e Turismo

A 26ª reunião ordinária do Conselho Deliberativo do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Conde) da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (/Sudeco), realizada nesta quarta-feira, 11, no Banco do Brasil, em Brasília, aprovou novas oportunidades de financiamento para a região.
Novas linhas de crédito
Foi criada a linha FCO Jovens Empreendedores, voltada a jovens de até 29 anos, visando ampliar o acesso ao crédito, incentivar a formalização de negócios e a permanência dos jovens em suas regiões. Também foi aprovado o FCO Turismo Rural e Agroecológico, que permitirá financiar iniciativas de diversificação econômica em propriedades rurais, gerando renda e valorizando o patrimônio natural e cultural do Centro-Oeste.
Aperfeiçoamentos e integração
O Conselho também aprovou aperfeiçoamentos nas regras do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para ampliar o acesso ao crédito. A superintendente da Sudeco, Luciana Barros, destacou a transparência na gestão e o acompanhamento dos resultados. A reunião deliberou sobre iniciativas voltadas ao fortalecimento do desenvolvimento regional e ao aprimoramento das políticas de crédito.
Combate à ilegalidade

A Frente Parlamentar do Brasil Competitivo (FPBC) promoveu um jantar de trabalho na última terça, 10, em Brasília, reunindo parlamentares, Receita Federal e lideranças do setor produtivo para discutir o combate à economia ilegal e ao crime organizado. O presidente da bancada, deputado Julio Lopes (PP-RJ), defendeu o fortalecimento da cultura da legalidade e destacou a instalação da comissão externa “Brasil Legal” na Câmara, que acompanhará ações contra pirataria, contrabando e comércio ilegal.
Setores sob ataque
Lopes citou fraudes no setor de combustíveis, com perdas anuais estimadas em R$ 62 bilhões, e alertou para o contrabando e falsificação de medicamentos, classificados como ameaça global. Defendeu maior digitalização de processos públicos para ampliar controle e transparência, além de valorização da Receita Federal no enfrentamento ao crime organizado, que bloqueou bilhões em esquemas de fraude.
PEC e avanços
O deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), relator da PEC da segurança pública, detalhou mudanças como a autorização para policiais registrarem termos circunstanciados diretamente, evitando deslocamentos. A proposta triplica recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário para cerca de R$ 6 bilhões anuais, e acelera o confisco de bens do crime e enfrenta facções que controlam atividades econômicas.
Irrigação no RS

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, recebeu nesta última quarta-feira, 11, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), para discutir estratégias de ampliação da irrigação no estado como forma de reduzir os impactos das estiagens recorrentes sobre a produção agrícola.
Projeto de Irrigação
Durante a reunião, o governador apresentou o projeto “Irrigação Resiliente no Rio Grande do Sul”, que prevê a expansão da área irrigada e investimentos em infraestrutura hídrica para fortalecer a segurança hídrica e energética e aumentar a capacidade de adaptação do setor agropecuário a eventos climáticos extremos.
Impactos
Leite destacou que, entre 2020 e 2025, o RS perdeu 48,6 milhões de toneladas de grãos, com produtores deixando de faturar cerca de R$ 126,3 bilhões. A economia estadual deixou de gerar R$ 319,2 bilhões em PIB, valor equivalente a 49% do PIB de 2023. Fávaro destacou a importância da articulação para enfrentar os impactos das crises climáticas, afirmando que “a crise climática já se transformou em um problema econômico que precisa ser enfrentado de forma estruturante”.
Monitoramento aprovado

A Câmara dos Deputados aprovou na noite da última terça, 10, o Projeto de Lei (PL) 2942 de 2024, que determina a aplicação de monitoramento eletrônico para agressores em casos de violência doméstica. A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS), coautora do projeto, defende parâmetros claros de prioridade para o uso da tornozeleira por agressores.
Regra para alto risco
Atualmente, as tornozeleiras são utilizadas em pouquíssimos casos. O PL muda a prioridade e coloca o uso de tornozeleira como regra para agressores enquadrados em alto risco pelo Formulário Nacional de Avaliação de Risco. Em casos graves, o monitoramento se torna obrigatório e, caso não seja determinado, o juiz precisa justificar a decisão. A proposta surgiu de demandas da Comissão Externa de Feminicídios no RS, coordenada por Fernanda.
Dados e eficácia
Segundo dados da Comissão Externa da Casa, em janeiro de 2026 apenas 6% das Medidas Protetivas no Rio Grande do Sul estavam cobertas por monitoramento, com 803 homens em vigilância, apesar de o estado dispor de duas mil tornozeleiras. “O monitoramento tem 100% de eficácia, mas é pouco utilizado. Diante da epidemia de feminicídios, não existem desculpas para que a tornozeleira não seja destinada a agressores”, afirmou Fernanda. O projeto segue para o Senado.

























