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Após paralisação de entregadores, audiência na Câmara encontra consenso de bolsonaristas, petistas e PSOL para aprovar demandas da categoria

O diretor de impacto social do “Ifood”, Johnny Borges, que participou por vídeo-conferência da audiência teve boa parte da sua fala vaiada pelos entregadores, que o acusaram de mentir. (Foto: Vinícius Loures / Agência Câmara)

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Numa cena rara no parlamento desde o aguçamento da polarização, deputados do PL, PT e PSOL prometem se unir em favor da categoria que exige reajuste da taxa mínima do “Ifood” para dez reais.

 

Por Humberto Azevedo

 

Após a paralisação realizada pelos entregadores nos dias 31 de março e 1º de abril que contou com a adesão de profissionais de todas as capitais e de mais de 200 cidades, uma audiência na Câmara dos Deputados ocorrida na tarde desta quarta-feira, 23 de abril, para discutir a “realidade dos entregadores de aplicativo”, um inusitado consenso formado por parlamentares bolsonaristas do Partido Liberal (PL), do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) para aprovar as demandas da categoria, chamou a atenção.

 

Numa cena rara no parlamento brasileiro desde o aguçamento da polarização, deputados do PL como Daniel Agrobom (GO) e Eli Borges (TO), Érica Kokay (PT-DF), Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Henrique Vieira (PSOL-RJ) prometem se unir em favor da categoria que exige reajuste da taxa mínima da plataforma de entrega de comida “Ifood”, por exemplo, de R$ 6,50 para R$ 10,00, do quilômetro rodado, limitação de quilometragem para entregas feitas por ciclistas e recebimento integral da taxa de entrega.

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Atualmente, o assunto é tema do Projeto de Lei Complementar (PLP) 12 de 2024 apresentado pelo governo federal para disciplinar o vínculo trabalhista entre motoristas de aplicativo com as plataformas. Paralelo a isso, o deputado Agrobom afirmou que trabalha para atender parte das demandas dos entregadores no Projeto de Lei (PL) 3598 de 2024 em debate na comissão de indústria, comércio e serviços que trata especificamente sobre as normas dos motoentregadores.

 

“Ter tempo de discutir este projeto, é legítimo, e essa Casa tem o direito de demandar. Mas o que essa turma veio dizer aqui para nós é que isso é urgente. E a nossa proposta, e eu fiquei muito animado com a sua fala [se referindo ao deputado Agrobom] e a do deputado Eli Borges, que a gente possa fazer a partir do projeto deles, da proposta deles, um novo projeto que envolva taxa mínima, transparência algorítmica, e que seja apresentado em co-autoria do PSOL ao PL”, afirmou Boulos – autor do requerimento de solicitação da audiência com os moto-entregadores.

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“Nem sempre eu, Boulos, Érica e o pastor Henrique estamos no mesmo viés, mas neste ponto específico, estamos 100% juntos. (…) Eu fiz uma conta rápida, se vocês ganham R$ 1,50 por quilômetro. Em dez quilômetros aí são R$ 15,00, só de gasolina vai R$ 6,00. Aí vem o pneu, a depreciação, os riscos, a internet, o seguro, enfim, o que é que sobrou? Então, é preciso ponderar isso”, complementou o bolsonarista Eli Borges.

 

“Se precisamos aprovar projetos aqui em defesa dos trabalhadores, peço a vocês que procurem as lideranças da bancada evangélica. Onde ela se movimenta tem chance de aprovação. É muito importante que a Frente Parlamentar Evangélica se posicione em favor da regulamentação e dos direitos que vocês estão aqui corretamente exigindo”, completou Pastor Henrique Vieira.

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