A troca no comando do Progressistas em Santa Catarina foi tratada como reorganização interna. Mas o movimento que levou o senador Esperidião Amin à presidência estadual começou fora do estado — e em sentido contrário ao que havia sido decidido pela executiva.
Antes da mudança, a direção estadual do partido já havia deliberado, de forma prioritária, pelo apoio ao governador Jorginho Mello e sua permanência no cargo. Era uma posição formal, definida e pública.
Amin, no entanto, seguiu outro caminho.
Foi a Brasília e tratou diretamente com o presidente nacional do partido, Ciro Nogueira. A articulação não passou pela executiva estadual — e acabou resultando na mudança de comando do PP em Santa Catarina.
Sem anúncio de intervenção, sem dissolução da estrutura e sem reação oficial até agora, o partido vive um movimento raro: uma troca de poder feita de forma silenciosa, mas que contraria uma decisão previamente estabelecida.
A executiva foi mantida. Mas o comando político mudou.
Na prática, Amin assume o partido com a missão de conduzir as articulações para 2026 — inclusive no âmbito da federação com o União Brasil — e reposicionar o PP no cenário estadual.
O ponto central, porém, não está apenas na troca de nomes.
Está no fato de que a mudança ocorre depois de uma decisão já tomada internamente, o que abre espaço para diferentes interpretações dentro do próprio partido.
Até aqui, não há manifestação pública da executiva estadual. O silêncio evita o confronto imediato, mas não elimina a possibilidade de reação.
Ela pode vir — ou não.
Pode se dar de forma interna, no ritmo das decisões do partido, ou ganhar dimensão externa, caso a divergência sobre os rumos políticos se torne explícita.
Por enquanto, o que se tem é um movimento resolvido no plano nacional e ainda em aberto no plano estadual.
Amin assumiu o comando.
Resta saber se o partido, por inteiro, seguirá na mesma direção.

























