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A DISPUTA PELO SENADO EM SANTA CATARINA COMEÇOU — E ELA DIZ MUITO MAIS DO QUE OS NÚMEROS APARENTAM

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Quando surge uma nova pesquisa eleitoral, o reflexo imediato é olhar para a tabela de números e tentar descobrir quem está ganhando. Mas pesquisas raramente servem para prever o resultado de uma eleição. O que elas realmente revelam é o estado psicológico do eleitorado e a correlação de forças de um determinado momento.
E a mais recente sondagem sobre a disputa ao Senado em Santa Catarina mostra exatamente isso: um cenário aberto, fragmentado e politicamente revelador.
O levantamento mais recente, realizado com cerca de 1.200 eleitores e margem de erro de três pontos percentuais, coloca Carlos Bolsonaro com 27%, seguido por Esperidião Amin com 21% e Décio Lima com 14% em um dos cenários testados. Brancos, nulos e indecisos ainda somam mais de 20% do eleitorado, um índice alto para uma disputa que ainda nem começou oficialmente.
Quando outros nomes entram na simulação, o quadro muda um pouco. A deputada Carol De Toni aparece em cenários alternativos com algo entre 22% e 24%, disputando diretamente o espaço com Amin e com o próprio Carlos Bolsonaro.
A primeira conclusão é óbvia: ninguém está eleito e ninguém está fora do jogo.
Mas a segunda conclusão é muito mais interessante.
A direita domina o estado — mas não sabe quem é o seu candidato
Santa Catarina talvez seja hoje o estado mais conservador do país. Isso não é apenas percepção política, é algo que aparece repetidamente nas pesquisas eleitorais e nos resultados das urnas.
Naturalmente, isso cria um cenário em que a disputa ao Senado tende a ser travada dentro do próprio campo da direita, e não entre direita e esquerda.
E é exatamente isso que a pesquisa revela.
Hoje existem três polos principais na disputa:
* o bolsonarismo mais ideológico, representado por Carlos Bolsonaro
* a direita parlamentar ligada ao PL, representada por Carol De Toni
* a direita tradicional catarinense, encarnada por Esperidião Amin
Enquanto isso, a esquerda tem um único polo competitivo, representado por Décio Lima.
Em outras palavras: a direita tem mais força, mas também mais candidatos.
E isso pode mudar completamente o resultado.
A eleição para o Senado tem uma regra pouco compreendida
O detalhe que muita gente esquece é que Santa Catarina elegerá dois senadores em 2026.
Isso cria uma lógica eleitoral diferente.
Não vence quem tem maioria absoluta.
Vencem os dois mais votados.
Na prática, isso significa que a fragmentação do campo conservador pode produzir um efeito inesperado: abrir espaço para um candidato de fora desse bloco.
Imagine um cenário hipotético:
* Carlos Bolsonaro – 28%
* Carol De Toni – 24%
* Esperidião Amin – 23%
* Décio Lima – 18%
Se isso acontecesse, um dos nomes da direita ficaria de fora.
Esse tipo de fenômeno é comum em eleições para Senado justamente porque o eleitor pode votar em dois candidatos.
Carlos Bolsonaro lidera, mas enfrenta um problema político
A pesquisa mostra Carlos Bolsonaro numericamente à frente em alguns cenários.
Mas existe um dado político que precisa ser observado com atenção.
Uma outra sondagem aponta que mais de 60% dos eleitores catarinenses acreditam que ele deveria se candidatar pelo estado de origem, o Rio de Janeiro, e não por Santa Catarina.
Esse dado revela algo importante:
o nome Bolsonaro é forte no estado, mas a candidatura do filho do ex-presidente não é unanimidade nem dentro do eleitorado conservador.
Há uma diferença entre:
votar em Bolsonaro presidente
e aceitar um “candidato importado” ao Senado.
Esse é um dos pontos mais delicados da disputa.
O paradoxo Esperidião Amin
Se há um político que parece confortável nesse cenário, é Esperidião Amin.
E isso ocorre por três motivos.
Primeiro: Amin possui baixo índice de rejeição, muito menor que os de seus adversários.
Segundo: ele representa uma direita tradicional que dialoga com diferentes setores do eleitorado.
Terceiro: ele possui algo que pesquisas raramente medem com precisão, mas que pesa muito em eleições majoritárias.
Estrutura política.
Prefeitos, vereadores, lideranças regionais e redes políticas ainda contam muito em disputas estaduais.
E Amin tem isso.
Carol De Toni e a máquina partidária
Outro fenômeno interessante na pesquisa é a força de Carol De Toni.
A deputada aparece com percentuais competitivos e em alguns cenários disputa diretamente a liderança da corrida.
Isso ocorre por três fatores:
* forte identificação com o eleitorado conservador
* apoio do bolsonarismo ideológico
* presença ativa no estado
Mas há uma pergunta que ainda não tem resposta.
Se o bolsonarismo tiver que escolher apenas um candidato competitivo, quem será?
Essa decisão pode definir o rumo da eleição.
O papel silencioso de Jorginho Mello
Existe ainda uma variável poderosa nessa equação.
O governador Jorginho Mello.
A aprovação de seu governo ultrapassa 60%, e sua liderança eleitoral é clara em pesquisas para a reeleição.
Isso significa que sua posição na disputa ao Senado pode ser decisiva.
Se ele:
* apoiar dois nomes
* apoiar apenas um
* ou permanecer neutro
cada escolha produz um cenário completamente diferente.
Governadores populares costumam ter enorme influência em eleições ao Senado.
A esquerda depende de uma única coisa
Décio Lima aparece atrás nos números, mas não está fora da disputa.
Seu caminho é claro.
Ele depende de uma divisão profunda da direita.
Se três candidatos conservadores permanecerem fortes ao mesmo tempo, a disputa pela segunda vaga pode se abrir.
Não seria a primeira vez que isso acontece em eleições majoritárias no Brasil.
O que a pesquisa realmente revela
No fim das contas, a pesquisa não aponta vencedores.
Ela mostra três fatos estruturais da política catarinense:
1.Santa Catarina permanece majoritariamente conservadora.
2.O campo da direita está dividido.
3.A eleição ainda está completamente aberta.
Em outras palavras, o que a pesquisa revela não é quem vai ganhar.
Ela revela que a disputa pelo Senado em Santa Catarina começou antes da campanha — e que a batalha real será dentro do próprio campo conservador.
E é justamente por isso que esta pode se tornar uma das eleições mais imprevisíveis da história política do estado.
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