A declaração do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que a investigação envolvendo o Banco Master pode retornar à primeira instância não significa, necessariamente, que isso vá ocorrer. Nos bastidores, a fala é interpretada como um gesto político, uma resposta à pressão de colegas incomodados com o desgaste institucional causado pela permanência do caso no Supremo.
O incômodo ganhou corpo após o ministro Edson Fachin conversar individualmente com outros integrantes da Corte, em um movimento interno para retirar do STF um processo que se tornou foco de críticas. A investigação teve início na primeira instância, mas subiu ao Supremo após a defesa alegar menções a autoridades com foro privilegiado, argumento reforçado por parlamentares e acolhido por Toffoli.
Diante da pressão, Toffoli passou a admitir a possibilidade de devolver o caso ao primeiro grau, mas apenas após a análise de celulares apreendidos pela Polícia Federal. Entre eles estão aparelhos de Daniel Vorcaro, de um cunhado que fez doações eleitorais, além de Augusto Lima e Nelson Tanure. O objetivo é verificar se há referências a deputados, senadores ou outras autoridades com prerrogativa de foro.
Se nenhuma menção surgir, o processo pode descer. Ainda assim, a avaliação interna é de que isso é improvável, diante das amplas conexões políticas do caso. Mesmo que haja a devolução, a investigação pode voltar ao STF se surgir alguém com foro privilegiado, o que manteria o cenário de insegurança jurídica e prolongaria o impasse sobre o futuro do caso.

























