Sem CPI do Master

De acordo com fontes do “centrão”, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master enfrenta resistência e não foi incluída na pauta prioritária da Câmara dos Deputados. Na reunião com líderes partidários, o presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), não sinalizou apoio à iniciativa, adiando o tema “para depois”. O mesmo cenário se repete no Senado, onde o presidente Davi Alcolumbre não se sensibilizou com o pedido. A proposta é vista por muitos parlamentares como uma “caixa de pandora”, devido ao alto risco de atingir figuras proeminentes de vários partidos – sobretudo do próprio “centrão”, dada a ampla rede de contatos do controlador do banco, Daniel Vorcaro. Há receio de que, como em investigações anteriores, o inquérito resulte em cassações generalizadas ou, ao contrário, termine em um impasse sem resultados concretos.
PL pode deixar base do governo Ibaneis

De acordo com informações de fontes bolsonaristas, o senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), articula a saída da sua legenda da base de apoio do governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB-DF). O movimento acontece em meio ao escândalo envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB) com o Banco Master, que atingiu a gestão, e contraria a posição da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que defende o apoio à pré-candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP) como sucessora de Ibaneis. Caso Flávio, o filho “zero um” do ex-presidente tenha sucesso, o PL perderá os cargos que indicou na estrutura do GDF, como a presidência da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) e o comando da Secretaria de Agricultura. A manobra é vista nos bastidores como um desdobramento da disputa interna da família Bolsonaro e reflete a tentativa de Flávio de se consolidar como líder político do clã.
Jogada de Celina

De acordo com informações de fontes bolsonaristas e do “centrão” ligadas ao Palácio do Buriti, o vídeo divulgado pela vice-governadora Celina Leão foi interpretado como um “sinal claro” de aproximação com a direita, reconfigurando os bastidores políticos de Brasília. Ao falar sobre “erguer a verdade sem destruir o outro” e usar referências como Martin Luther King Jr. e a figura bíblica de Neemias, Celina agradou os setores conservadores. A ex-primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, respondeu publicamente, reforçando seu apoio à candidatura de Celina ao GDF. O movimento, ainda simbólico, ajudou a reduzir a desconfiança de parte da direita em relação ao seu posicionamento. Nos bastidores, fontes afirmaram à reportagem da coluna, que o “gesto foi calculado para testar o terreno”.
Crise do Master e a política candanga

De acordo com informações de fontes bolsonaristas e do “centrão” ligados ao Palácio do Buriti, a crise envolvendo o BRB e o Banco Master, inicialmente tratada apenas como um “desgaste local”, mas que ganhou dimensão nacional, alterando profundamente as articulações para as eleições de 2026. O ex-governador do Distrito Federal (DF), deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), passou a usar o escândalo de maneira cotidiana para voltar a ter relevância no cenário político local. Com isso, o nome do deputado Rafael Prudente (MDB) passou a ser a esperança do grupo Ibaneis para se manter no comando do GDF, com o secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, se consolidando como o “principal articulador” e “operador jurídico” do governador Ibaneis Rocha no atual gabinete de crise. As mudanças no cenário brasiliense podem fazer com que a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, não seja mais candidata ao Senado pelo DF, abrindo espaço para a deputada Bia Kicis (PL-DF), ocupar a vaga.
Ativos do Master no BRB

O Banco Regional de Brasília (BRB) confirmou ter recebido ativos do extinto Banco Master como parte de uma compensação por carteiras podres. Os ativos, que incluíam posições originadas pelo Will Bank, que também foi liquidado pelo Banco Central do Brasil (BCB), estão em processo de avaliação para apurar seu valor real. O banco público também esclareceu notícias sobre fundos de investimento sob sua gestão, afirmando que eles foram recebidos como doação em pagamento e são administrados por empresas terceiras, cujas decisões de investimento não foram do BRB. A instituição nega haver Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master nesses fundos e informou que está em curso a troca do administrador e gestor dos produtos. O BRB prometeu comunicar qualquer fato relevante ao mercado, conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Setor produtivo apoia BRB

De acordo com informações de fontes bolsonaristas e do “centrão” ligadas ao Palácio do Buriti, a decisão das três das principais entidades do setor da construção civil e imobiliário de Brasília, em divulgar uma nota oficial conjunta de apoio ao BRB, investigado por supostas irregularidades na tentativa de compra do Banco Master, sinaliza que o setor empresarial do DF ainda vê a permanência do grupo do governador Ibaneis como importante para o setor. A nota foi assinada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-DF) e a Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco). O documento destaca o “papel estratégico” do BRB como “principal parceiro de políticas públicas habitacionais” e vetor de desenvolvimento econômico.
Toffoli sob pressão

De acordo com informações de fontes do “centrão”, Planalto, PGR e da Suprema Corte, a decisão do gabinete do ministro Dias Toffoli de emitir uma nota detalhada para rebater críticas sobre sua atuação no caso Master, mostra que o ministro pressionado pelos crescentes questionamentos sobre suas decisões consideradas atípicas, como a redução do prazo para depoimentos coletados pela Polícia Federal (PF), além de revelações sobre vínculos de seus familiares com fundos ligados à teia investigada. Nos últimos dias, Toffoli foi alvo de três pedidos de impeachment, que o acusam de “extrapolar suas atribuições”. Na nota emitida por seu gabinete, o ministro afirma que foi escolhido por sorteio para ser o relator e que determinou o sigilo dos autos para evitar vazamentos ordenando diligências urgentes, incluindo oitiva de investigados e dirigentes do Banco Central do Brasil (BCB).
Kakay defende Toffoli

De acordo com o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, o ministro Dias Toffoli vem sendo alvo de uma “campanha cruel” de desgaste movida por “interesses inconfessáveis”. Kakay revelou um episódio histórico, em 2001, ao sugerir que Lula incluísse advogados não petistas em sua equipe jurídica, recebeu do ex-ministro Sepúlveda Pertence a ressalva de que mantivesse “um tal de Toffoli”, descrito como “brilhante” e “sério”. O advogado também atribui a Toffoli um “papel crucial” na libertação de Lula, quando, como presidente do STF, garantiu que a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 43 fosse pautada e julgada. A referida ação questionava a prisão em segunda instância. Para Kakay, essa decisão, “tomada sob forte pressão da grande mídia”, foi fundamental para o “resgate democrático” do país.
Toffoli, símbolo do STF

De acordo com informações de fontes do “centrão”, Planalto, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Suprema Corte, a trajetória do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, sintetiza a ascensão do Judiciário como o “epicentro do poder político nacional”. Indicado por Lula em 2009 após atuar como advogado sindical e na Advocacia-Geral da União (AGU), sua nomeação, sem carreira na magistratura, quebrou um “padrão histórico” e o marcou com a pecha de proximidade com o Executivo. Durante sua presidência do STF, em 2018 e 2020, as suas decisões que redefiniram limites de investigações criminais, especialmente da Lava Jato, intensificaram o atrito com órgãos de persecução penal e o escrutínio público. No caso do Banco Master, suas decisões como relator, são vistas por críticos como interferência em “inquéritos sensíveis”, reacendendo debates sobre os limites da atuação da Corte.
A amplitude do caso Master

De acordo com informações de fontes bolsonaristas, do “centrão”, do Planalto, do Palácio Buriti, da PGR e da Suprema Corte, a repercussão do caso Master vem se espalhando por várias frentes, o que representará que o caso dificilmente terá uma CPI. Enquanto isso, a PF segue investigando, e as renúncias no conselho do BRB ocorrendo justamente após a convocação de assembleia pelo GDF para eleger novos membros, emite “sinal vermelho”. Políticos de diversos espectros aparecem ligados ao esquema, com prefeituras e governos, como o do Pará também tendo aplicado milhões em fundos da REAG, gestora que também foi liquidada pelo BCB. Fontes governistas argumentam que a intervenção foi feita por Gabriel Galípolo, presidente do BCB, para isolar a gestão Lula e apontar omissões do período de Roberto Campos Neto.




















