Com aumento da umidade e instabilidades atmosféricas previstas, população deve adotar cuidados redobrados durante a temporada chuvosa
A região Centro-Oeste entra em sua fase mais volátil do ano: a umidade crescente e os sistemas frontais devem provocar chuvas generalizadas e tempestades localizadas em grande parte de Mato Grosso de outubro de 2025 em diante, até meados do primeiro semestre de 2026. Com isso, cresce o risco de descargas elétricas severas — fenômeno que já classifica o Brasil como o país com maior incidência de raios no mundo, com cerca de 77 milhões de descargas anuais. Em Cuiabá, por exemplo, foram registrados mais de 1,5 mil raios num único dia em dezembro de 2024. Diante desse cenário, autoridades da Defesa Civil e meteorologia reforçam alertas e estruturam planos de contingência para minimizar danos e riscos à população.
O Brasil lidera rankings globais de ocorrência de raios, graças à combinação de calor intenso, elevada umidade e sistemas frontais que geram instabilidades. Em média, ocorrem cerca de 77 milhões de descargas atmosféricas por ano, o que torna o fenômeno um desafio constante para previsões e mitigação de riscos.
Dentro desse quadro nacional, o Centro-Oeste (em especial o estado de Mato Grosso) se destaca. Localizado em uma zona de confluência entre massas de ar úmido vindas da Amazônia e frentes frias que avançam do Sul, o estado é palco de tempestades frequentes. Em 2021, Mato Grosso registrou mais de 14,9 milhões de raios entre janeiro e novembro. Já em dezembro de 2024, Cuiabá presenciou 1,5 mil descargas em apenas um dia, das quais cerca de 550 atingiram o solo.
Historicamente, o período de chuvas no estado vai de setembro até maio, com pico pluvial em janeiro, quando municípios como Cuiabá podem ultrapassar médias de 200 a 215 mm. Em 2025, o verão na capital acumulou 656,4 mm de chuvas, sendo marcado por fortes temporais desde as primeiras semanas.
A Defesa Civil Nacional já emitiu alerta válido para diversas regiões de Mato Grosso, com previsão de chuvas intensas — até 30 mm/h — e ventos entre 40 e 60 km/h, além de risco de quedas de árvore, alagamentos e descargas elétricas. O alerta tem como foco prevenir danos e orientar a população local.

Diante desse panorama, segundo especialistas, algumas práticas são fundamentais para reduzir riscos:
1. Evitar exposição ao ar livre durante trovoadas: em dias de instabilidade, permaneça em ambientes fechados e seguros. Evite árvores isoladas, áreas abertas ou estruturas metálicas.
2. Desligar aparelhos elétricos e evitar uso de telefones com fio: durante trovoadas, descarregue do sistema elétrico e evite contato com objetos condutores.
3. Afastar-se de locais alagados: chuvas intensas podem provocar enchentes rápidas — mantenha-se longe de córregos, drenagens e vias
inundadas.
4. Observar orientações oficiais: siga as instruções da Defesa Civil, noticiários locais e alertas emitidos por órgãos meteorológicos.
5. Preparar kits emergenciais: reserve água potável, alimentos não perecíveis, lanternas, pilhas e mantenha canais de comunicação com
autoridades em alerta.
Espera-se que novembro e dezembro registrem volumes acima dos padrões históricos, renovando riscos e exigindo plena capacidade de resposta dos órgãos competentes.
Com os sistemas de monitoramento meteorológico em expansão — como o apoio do Censipam e o radar de Chapada dos Guimarães em instalação —, espera-se que o tempo de alerta e a precisão das previsões melhorem nos próximos anos.
Enquanto isso, a população, os gestores públicos e as defesas civis devem permanecer em estado de vigilância: a natureza coloca Mato Grosso e o Centro-Oeste em posição de alto risco climático. Em tempos de temporais, informação, preparo e cautela podem fazer a diferença entre danos evitados e tragédias.
Com a chegada do período chuvoso, a Energisa, concessionária de energia de vários municípios de Mato Grosso, intensificou o monitoramento das condições climáticas e colocou em prática o plano de contingência. Segundo o gerente de Operações da empresa, Anderson Rodrigues, o estado já registra aumento significativo na incidência de descargas atmosféricas.

“Neste ano, tivemos 44% mais descargas do que em 2024, um crescimento expressivo que reforça a necessidade de mantermos atenção redobrada”, destaca Rodrigues.
O gerente explica que a concessionária realiza um monitoramento em tempo real do clima em todo o estado, acompanhando índices de chuva, ventos, raios e queimadas a partir do Centro de Operações da Energisa, em Cuiabá. Esse controle constante permite identificar falhas na rede e acionar equipes de forma imediata, antes mesmo de o cliente registrar o problema.

“O sistema detecta automaticamente oscilações causadas por descargas atmosféricas e aciona o atendimento de forma proativa, sem necessidade de contato do cliente”, explica.
De acordo com Rodrigues, o período mais crítico vai do fim de agosto até novembro, fase em que as chuvas ganham força e aumentam a demanda sobre o sistema elétrico. Nessas situações, a empresa segue protocolos definidos em seu plano de contingência anual, que inclui manutenções preventivas e alinhamento com órgãos públicos.
“Nos preparamos com antecedência, pois essa época do ano exige uma estrutura reforçada para garantir que qualquer ocorrência seja resolvida com agilidade e segurança”, diz. Anderson reforça que, durante tempestades com descargas atmosféricas, o interior das residências é o local mais seguro, mas alguns cuidados devem ser observados.
“Durante temporais intensos, o cliente deve evitar contato com instalaçõe elétricas e, em casos de maior gravidade, desligar os disjuntores internos para eliminar riscos de choque elétrico”, orienta.
O atendimento aos casos relacionados a descargas elétricas ocorre de duas formas: por demanda do cliente ou por detecção automática do sistema.

“Cada ocorrência recebe um protocolo individual, garantindo que o atendimento seja registrado e acompanhado de forma organizada e eficiente”, explicou Rodrigues.
Conforme o levantamento da empresa, as regiões de Tangará da Serra e Sinop registraram, neste ano, maior número de descargas atmosféricas, embora o padrão varie de acordo com as condições climáticas de cada temporada. O gerente também destacou o trabalho conjunto com órgãos públicos, como a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal, que participam ativamente das ações previstas no plano de contingência.
“A população pode ficar tranquila. Temos um planejamento estruturado, com manutenção preventiva e investimentos constantes para reduzir o impacto dos temporais. Nosso objetivo é garantir a segurança e o atendimento ágil em qualquer situação”, conclui.
































