Ações do MIDR integram irrigação aos pilares de adaptação e mitigação das mudanças climáticas no campo.
Por Humberto Azevedo
O Departamento de Irrigação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) tem intensificado sua atuação em duas frentes estratégicas para a 30ª edição da Conferência sobre mudança no clima das Nações Unidas (COP-30), com ações alinhadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). De acordo com as duas pastas ministeriais, o foco está na irrigação como tecnologia essencial para enfrentar os desafios climáticos na produção rural brasileira.
Para a diretora de irrigação da secretaria nacional de segurança hídrica do MIDR, Larissa Rêgo, o trabalho conjunto com os agentes do MAPA tem como base o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC+), considerado um dos maiores programas do mundo voltado para práticas agrícolas sustentáveis. A irrigação, já inserida na agenda do ABC+, é parte central desse esforço.
As ações do Departamento de Irrigação estão organizadas em dois pilares principais: a irrigação como ferramenta de adaptação às mudanças climáticas e os sistemas produtivos irrigados como estratégia de mitigação dos gases de efeito estufa.
“A parceria com o Ministério da Agricultura tem sido fundamental para integrarmos a irrigação à agenda da agricultura sustentável no Brasil. O Programa ABC+ é hoje uma das maiores iniciativas do mundo em práticas de baixo carbono, e a irrigação já está inserida nesse contexto como uma tecnologia estratégica para o presente e o futuro do setor rural”, , destaca a diretora.
ADAPTAÇÃO
A irrigação como ferramenta para enfrentar as mudanças climáticas está centrada na adaptação. E o objetivo é promover o entendimento de que a irrigação é uma tecnologia estratégica diante das mudanças do clima. Isso se torna ainda mais relevante em períodos de “veranico” — quando se espera chuva, mas ela não ocorre — situação que pode comprometer severamente a produção agrícola.
Nesses casos, a irrigação suplementar oferece mais estabilidade e segurança ao produtor rural. Por isso, o Departamento de Irrigação tem investido na conscientização da sociedade e dos agricultores sobre o papel da irrigação como ferramenta de adaptação climática.
Já no campo da mitigação, os sistemas produtivos irrigados e sequestro de carbono, o enfoque é diferente: o termo “irrigação” dá lugar ao conceito de sistemas produtivos irrigados, que combinam irrigação com outras tecnologias sustentáveis, como o plantio direto na palha e práticas de conservação do solo e da água.
A irrigação isoladamente não tem impacto direto na mitigação dos gases de efeito estufa. No entanto, quando associada a essas práticas, estudos científicos já demonstraram seu potencial de contribuir para a fixação de carbono no solo. Um exemplo é o trabalho realizado no Oeste da Bahia, que comprovou a capacidade desses sistemas de sequestrar carbono da atmosfera.
Atualmente, o MIDR financia novas pesquisas em parceria com a Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (Embrapa), como o estudo em andamento na região Centro-Oeste — especialmente com a Embrapa-Cerrados, onde há grande concentração de terras irrigadas. A expectativa é que esses dados reforcem o conhecimento técnico e científico sobre a irrigação como aliada na mitigação climática.
Com informações de assessoria.























