Da redação
“O contexto de morte cerebral do partido PSDB tem obrigado que os jornalistas e intelectuais, sobretudo, os de esquerda, façam um exame de consciência sobre o sensacionalismo alarmista com que pautaram o conflito entre lulistas e tucanos”.
“Atualmente, a polarização ideológica entre o petismo e bolsonarismo tornou o debate público insalúbre, inviável para terceira via do passado (psdbismo)e do futuro (cirismo), que tem recebido tiro dos dois lados. Com isso, perde-se também análises jornalísticas e ou políticas mais distanciadas no contexto editorial das grandes editoras e mesmos jornais”.
Essa são algumas das constatações do autor da obra de ciências sociais, políticas e linguísticas “LULOPSDBISMO”, que está sendo lançada esse ano pela Editora Brasílha Teimosa, em função da própria dificuldade de publicação do trabalho, por não ser compactuado de forma acrítica o esquerdismo acadêmico.
O autor do livro Dr. Fred Le Blue Assis, doutor em planejamento urbano pela UFRJ aponta que há muitas diferenças factuais entre PT, PSDB e PSL (PL), mas também as complementaridades continuístas entre o governo FHC, Lula e até mesmo Bolsonaro, no tocante às práticas políticas autoritárias e populistas. Em função dessa proposta ousada, o trabalho tem permitido alargar as fronteiras mentais do senso comum para além da hermenêutica maniqueísta “Eles” e “Nós”, mostrando, na prática, as limitações de determinados governo em face a estado com forte tradição cordialista:
“As guerras ideológicas entre extrema direita e esquerda democrática criam um ambiente tóxico para o debate crítico no país, funcionando como mordaça discursiva ou autocensura para novas forças políticas e mesmo literárias, traduzindo e orquestrando um modelo de modernização conservadora. Todos estão supostamente defendendo posições imediatistas e pragmáticas com base em decisões irracionais e motivos irrelevantes, quase subliminares, de forma que o bem comum deixou de ser a pauta prioritária, sobretudo, no pleito presidencial. As narrativas de caos e ressentimentos fortalecem a polarização política entre os lulistas e bolsonaristas, sacando do debate posições mais moderadas novas e antigas (social democracia), como a do PSDB, que apesar de próxima da do PT, está muito distante das tendências globais e localistas de cunho neofascita e neopatriarcalista”.
O autor reforça, assim, certa refração em ambientes familiares, sociais e acadêmicos ao entendimento de que há uma dependência mútua das redes de ódio mesmo entre bolsonaristas e lulistas, na linha do que Freud chamou de “narcisismo de pequena diferença”, calcada na invenção contrastiva de de párias imaginários.
Segundo Fred, esta engrenagem classificatória relacional de nós (“povo”) e outros (“inimigos externos”) seria propulsionada pela perversão de laço oferecida pelo populismo autoritário nacional-desenvolvimentista herdada da Era Vargas e o Período Militar e que foi descongelado e requentado pela retórica lulopetista.
“LULO-PSDBISMO:
autoritarismo populista no Brasil pós-88”
A recente polarização ideológica e recessão econômica do Brasil tem estruturas latentes prenunciadoras nas políticas micro e macroeconômicas neoliberais promovidas pelos dois partidos que brincaram de gangorra no poder federal: “Lulopetismo” e “Cardosopsdbismo”. Ao relativizar o mito de estabilidade econômica pós-Real a partir de dentro, é possível contextualizar estatísticas oficiais e eventos históricos. Através de uma história de longa duração (de 1995 até 2021), torna-se possível perceber complementaridades e inversões de papéis entre PT e PSDB, o que aponta também para a fragilidade da democracia representativa e da crise do presidencialismo de coalizão no país, calcado na história simbólica e da posição fisiológica do PMDB, que se tornou o maior partido do chamado “Centrão”.
Uma questão colateral que funciona como arco hipotético é se a polarização prático-discursiva radical entre PT e PSDB no campo político-progressista, que nos parece apresentar mais semelhanças ocultas, do que diferenças estruturantes em termos político-ideológicos, contribuiu e/ou tem contribuído para o ressurgimento do conservadorismo através de ideologias políticas de cunho autoritário e neopentecostal no Brasil, em todas as esferas de poder, micro e macro. E mais profundamente, se essa, em certo grau, “dissimulada” polarização política entre os dois mais influentes partidos defensores do campo democrático, é mais do que a causa, mas também consequência dessa reativação da polarização também cultural entre extrema esquerda e extrema direita remanescente do escopo político no período ditatorial pré e pós-64.
MINIBIO:
Fred Le Blue Assis, Pós Doutor em Artes Visuais UFMG e pós-doutorando em Territórios Culturais do Cerrado UEG, doutor em Planejamento Urbano e Regional UFRJ; mestre em Memória Social UNIRIO; graduado em Comunicação Social UFG; pesquisador associado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC-UFRJ); Idealizador do Movimento Artetetura e Humanismo e coordenador do LAH-AQUI (Laboratório de Artetetura e Humanismo de Ações para Questões Urbanas Insolúveis); Autor de inúmeros livros como “Tradição da Modernidade: memória e mobilidade em Brasília” e roteirista de séries de educação socioambiental, política, urbana e patrimonial.













