A retomada precisa começar agora

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Por Luiz Pladevall (*)

Agilidade deve ser uma palavra impositiva para qualquer governo na recuperação econômica após os fortes impactos causados pela pandemia da Covid-19. Nesse primeiro momento, nossa preocupação deve estar na oferta dos serviços essenciais de saúde, sem esquecer que, em apenas alguns meses, estaremos retomando as atividades com milhões de desempregados e milhares de empresas com dificuldades de sobrevivência.

A história tem ensinado o papel indutor do Estado com investimentos em construção de obras de infraestrutura como forma de criar trabalho e renda para milhões de trabalhadores e serviços para as corporações. A flexibilização orçamentária, já considerada como essencial nesse momento, deve caminhar para investimentos que tragam retorno substancial. Por isso, o momento exige decisões robustas para começar, desde agora, estudos e projetos de engenharia para estarmos preparados para a saída da quarentena.

A pandemia do novo coronavírus trouxe um panorama de incerteza mundial, reduzindo os investimentos em todas as indústrias. Antes dos impactos causados pela Covid-19, caminhávamos para o ordenamento do setor de infraestrutura por meio de privatizações, PPPs (Parcerias Público Privadas), concessões, entre outros instrumentos para impulsionar os empreendimentos imprescindíveis para as próximas décadas. O cenário mudou completamente e as previsões iniciais precisam ser revistas e recuperadas por um outro viés. A retomada dos certames previstos demanda um tempo que já não podemos esperar diante da atual urgência.

O saneamento deve se tomar uma das prioridades e se transformar em uma política de Estado permanente, independente do governo de plantão, para ajudar os mais de 5.500 municípios brasileiros a oferecer infraestrutura adequada de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

A engenharia consultiva pode, neste momento, preparar estudos e projetos que agilizem e deem segurança para novos investimentos em empreendimentos. O setor de saneamento, por exemplo, atende demandas urgentes e que já poderiam ter sido sanadas no passado. Um país que convive com 35 milhões de brasileiros sem acesso a água potável e outros 100 milhões com moradias que não estão conectadas à rede de coleta e tratamento de esgoto, dificilmente consegue evitar a proliferação de doenças.

Nessa pandemia, encontramos pessoas que sequer conseguem atender ao quesito básico de lavar as mãos com água limpa, uma das medidas preventivas adotadas pelas autoridades de saúde. Vale lembrar ainda dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), que para cada US$ 1 investido em saneamento, há um retorno de outros US$ 4 em saúde, melhoria da qualidade de vida, produtividade, entre outros benefícios.

A nossa resposta no atendimento da universalização do saneamento tem sido tímida nos últimos anos. As projeções para o novo marco legal do saneamento, em discussão no Congresso Nacional, preveem investimentos na ordem de R$ 700 bilhões até 2033, com uma média de R$ 53 bilhões anuais. Infelizmente, temos alcançado, no máximo R$ 15 bilhões por ano nas últimas décadas.

O saneamento deve se tomar uma das prioridades e se transformar em uma política de Estado permanente, independente do governo de plantão, para ajudar os mais de 5.500 municípios brasileiros a oferecer infraestrutura adequada de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Caso contrário, continuaremos a relegar às populações mais pobres condições de vida que oferecem riscos à saúde. Por isso, é hora de tocar nossos projetos e fazer a diferença e garantir um futuro com melhor qualidade de vida para todos.

(*) Luiz Pladevall é presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e vice-presidente da ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

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