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Fortalecimento do comércio

Nova presidência brasileira no Mercosul quer bloco mais interativo com mercado asiático

O presidente Lula recebe do presidente argentino, Javier Milei, a presidência do Mercosul, durante a cúpula do bloco em Buenos Aires, capital argentina. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

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“É hora de o Mercosul olhar para a Ásia, centro dinâmico da economia mundial”, falou o presidente Lula ao assumir direção do bloco em reunião na Argentina.

 

Por Humberto Azevedo

 

Ao assumir a presidência, em 2025, do bloco econômico Mercado comum do Sul (Mercosul), que reúne além do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, nesta quinta-feira, 3 de julho, durante a 66ª cúpula de chefes de Estado, realizada na capital argentina, Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que quer o bloco do cone Sul mais interativo com mercado asiático.

 

Em sua fala, Lula se comprometeu a dedicar esforços para que o bloco avance na consolidação de uma integração cada vez mais ambiciosa e efetiva, com foco em integração regional e desenvolvimento sustentável. Ele destacou os acordos já firmados com União Europeia e com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), assim como enfatizou que temas como transição energética, combate à criminalidade, tecnologia e sustentabilidade estão no centro da agenda brasileira na liderança do bloco.

 

“É hora de o Mercosul olhar para a Ásia, centro dinâmico da economia mundial. Nossa participação nas cadeias globais de valor se beneficiará de maior aproximação com Japão, China, Coreia, Índia, Vietnã e Indonésia. A circulação de bens e serviços depende de infraestrutura adequada. O programa brasileiro Rotas da Integração Sul-Americana visa a encurtar distâncias e diminuir custos. A conclusão da Rota Bioceânica, que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, reduzirá em até duas semanas o tempo de viagem até a Ásia”, comentou.

 

“Fazem parte da Rota dois projetos brasileiros recentemente aprovados pelo FOCEM [Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul], que vão melhorar o saneamento e a conectividade viária das populações fronteiriças de Corumbá e Ponta Porã. O Brasil vai trabalhar, ao longo deste semestre, na estruturação da segunda etapa do FOCEM. Precisaremos do apoio continuado do FONPLATA [Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata], que vem se consolidando como o banco da integração do Cone Sul”, complementou.

 

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PRIORIDADES

 

Uma das prioridades já verbalizada pelo presidente é conduzir as tratativas para concluir os acordos entre o Mercosul e a União Europeia e entre o bloco sul-americano e a EFTA, integrada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Lula afirmou ainda que a presidência brasileira dará continuidade e profundidade às declarações adotadas durante o encontro em Buenos Aires.

 

A atuação do Brasil terá cinco pilares fundamentais: fortalecimento do comércio entre países do bloco e com parceiros externos; enfrentamento da mudança do clima e promoção da transição energética; desenvolvimento tecnológico; combate ao crime organizado; e promoção dos direitos dos cidadãos do bloco.

 

“Vou me dedicar para que a gente possa avançar o máximo que pudermos, para que o Mercosul se transforme num grande bloco econômico, político, cultural, científico e tecnológico. Estou confiante de que, até o fim deste ano, assinaremos os acordos com a União Europeia e com a EFTA, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo”, frisou.

 

AGILIZAÇÃO

 

Lula reconheceu os desafios apontados pelos demais chefes de Estado ao longo da reunião, especialmente em relação à lentidão em processos decisórios do bloco. Lula reforçou que o Mercosul se consolida como um dos maiores mecanismos de integração regional do mundo.

 

Além de fomentar a paz e a cooperação entre os países, o bloco viabiliza benefícios práticos, como a livre circulação de pessoas, reconhecimento de direitos previdenciários e alinhamento de normas comerciais e sanitárias.

 

“Ouvi com atenção as angústias que cada presidente colocou nas suas falas: a falta de rapidez nas decisões, a demora para executar o que muitas vezes já foi acordado. Quero me comprometer com cada um de vocês. Prometo que vou fazer a minha parte”, declarou.

 

ARTICULAÇÕES

 

A presidência brasileira se estende até o fim de 2025 e, segundo o presidente, será marcada por uma atuação voltada à ampliação das articulações políticas e econômicas com outros países e blocos. Para Lula, o bloco tem plenas condições de assumir protagonismo internacional.

 

“Temos tudo: um povo generoso, conhecimento científico e tecnológico, experiência política. Cabe somente a nós decidir se seremos grandes ou pequenos, porque temos tudo para desempenhar um grande papel na construção de um mundo mais justo e sustentável”, comentou.

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BALANÇA COMERCIAL

 

De janeiro a maio de 2025, o intercâmbio entre os países do MERCOSUL foi de R$ 94,85 bilhões (US$ 17,5 bilhões). As exportações brasileiras alcançaram R$ 55,28 bilhões (US$ 10,2 bilhões) e as importações foram de R$ 39,02 bilhões (US$ 7,2 bilhões) proporcionando um superávit de R$ 16,26 bilhões (US$ 3 bilhões).

 

A pauta de importações brasileiras é baseada, em grande parte, em veículos automotores para transporte de mercadorias e de passageiros, trigo e centeio não moídos e energia elétrica. O Brasil exporta majoritariamente para o Mercosul veículos de passageiros e mercadorias, produtos da indústria de transformação e minério de ferro.

 

COP-30

 

Ao encerrar sua participação na cúpula do Mercosul e assumir a presidência do bloco, Lula afirmou aos países-membros e parceiros, como o Chile, que “cabe somente a nós decidirmos de seremos grande ou pequenos”. O presidente destacou ainda o desafio do Brasil de sediar a 30ª edição da Conferência sobre mudança no clima das Nações Unidas, (COP-30), entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA), e pediu apoio.

 

Lula assinalou a adoção de declarações pelo Mercosul e o compromisso da presidência brasileira e enfatizou a crítica do bloco à exploração unilateral de recursos naturais nas Ilhas Malvinas – sob controle do Reino Unido.

 

“O Brasil assumiu a responsabilidade de sediar a COP-30 em um momento de graves turbulências para o multilateralismo. O apoio do Mercosul e de toda a América do Sul será imprescindível. (…) Estudaremos com afinco a possibilidade de criar uma agência contra a criminalidade organizada transnacional, como proposto pela Argentina. Também daremos seguimento à Declaração sobre Integração e Segurança Energética [e que também] sinaliza que a América do Sul não permanecerá à parte na corrida global por fontes de energia”, finalizou.

 

Com informações de assessoria.

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