Cheguei à minha cidade natal.
Ainda no carro, a caminho da casa da minha mãe, já sinto a nostalgia, o frescor de uma vida inteira. Tudo mudou… e, ao mesmo tempo, continua exatamente igual.
Existe um calor aqui.
Um cheiro conhecido.
Como se o tempo passasse mais devagar.
A cidade continua parada em algum lugar da memória. Enquanto isso, tantas coisas mudaram em mim.
Chego à casa da minha mãe.
E lá está ela, aguardando com a mesa lindamente posta, cheiro de café fresco e bolo de arroz. Que delícia.
Vou deixar as malas no quarto que um dia foi meu. Cama arrumada, perfumada, toalha dobrada, tudo impecável. Sorte a minha. Mamãe é caprichosa. Estou feliz em estar aqui.
A movimentação começa. Irmãs chegam…
— Vamos, vamos!
Penso comigo: para que tanta pressa, se nem temos nada programado. Não questiono. Não sou corajosa nesse nível.
Com elas, não caminho, corro.
A praticidade, a agilidade, a espontaneidade e a autenticidade delas me encantam.
No acelerado da vida, tudo é agora.
É maravilhoso, no meio de uma família de arianas, esta virginiana perdida encontrar sentido.
Aqui, quietude não se encontra… e nem quero.
Já procurei ser cada uma delas. Hoje, não. Procuro entendê-las.
Entre nós não existe validação; existe compartilhamento, união, memórias e muitas risadas.
Ouço minha neném chorar…
Mas tudo bem. Está rodeada pela vovó, tias e sobrinhos.
Agora em Chapada dos Guimarães, outro lugar que carrego na minha história.
Contemplo sua paisagem indescritível.
No meio da neblina, o verde intenso das copas das árvores surge lentamente. Um mirante que parece uma pintura.
Isso não é paisagem.
É obra de arte.
Fico ali por horas contemplando sua beleza…
Não sinto saudade do passado.
Tenho carinho por ele.
Eu não sou mais quem eu era; contudo, me sinto confortável com quem fui.
Dela trago a essência.
Dela tenho orgulho.
Hoje busco o extraordinário:
na construção dos meus filhos,
na companhia do meu marido
e no crescimento espiritual.
Sinto paz.
Verônica Nardez é literata,intelectual, pensadora,contista e romancista.












