Mais de 30% dos cursos de medicina do país tiveram desempenho insuficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), aplicado a estudantes do último ano, segundo dados obtidos pelo Fantástico. A prova avaliou cerca de 39 mil alunos de 351 cursos, e mais de 13 mil acertaram menos de 60% das questões, errando conteúdos considerados básicos da prática médica.
Relatório do Inep aponta falhas em temas comuns do atendimento cotidiano, como diagnóstico de dengue, avaliação de dor de cabeça e prescrição de medicamentos. Em uma questão sobre sintomas graves de dengue, 66% dos reprovados erraram a conduta correta. Em outro item, que descrevia uma mulher de 55 anos com dor de cabeça persistente e alterações visuais, 65% não reconheceram a necessidade de um exame de sangue simples.
“O estudante de medicina, que daqui a pouco vai ser médico, não saber manejar uma dor de cabeça e reconhecer sinais de gravidade é muito preocupante”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Alexandre Telles. Alunos também relataram deficiências na formação prática, como falta de hospital-escola, excesso de estudantes em estágios e professores atuando fora de suas especialidades.
O Ministério da Educação informou que instituições com baixo desempenho poderão sofrer sanções, como suspensão de novas matrículas e redução de vagas. Já o Conselho Federal de Medicina defende a criação de um exame obrigatório de proficiência para concessão do registro profissional. Representantes das universidades privadas, por outro lado, afirmam que o Enamed, isoladamente, não reflete toda a complexidade da avaliação da qualidade do ensino médico no país.












