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SOBRETUDO

Antídio no Senado fortalece João Rodrigues ou abre caminho para os adversários?

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A confirmação de que o deputado estadual Antídio Lunelli deve disputar o Senado na chapa de João Rodrigues ao lado de Esperidião Amin é um dos movimentos mais importantes da pré-eleição catarinense até aqui.

Mas a grande questão não é a candidatura de Antídio. A grande questão é o efeito colateral que ela produz.

Porque toda chapa majoritária tem duas funções: somar e evitar dividir.

E é justamente aí que mora o debate.

A primeira leitura parece positiva para João

Olhando superficialmente, a entrada de Antídio fortalece a chapa.

O MDB ganha uma vaga efetiva na majoritária.

João amplia a presença no Norte do Estado.

A aliança PSD-MDB ganha densidade política.

E um empresário com forte imagem de gestor passa a integrar o projeto.

Do ponto de vista da construção da chapa, é difícil argumentar que João sai menor.

Ele sai maior.

O MDB deixa de ser apenas o partido do vice e passa a ocupar também uma das vagas ao Senado.

Isso ajuda a consolidar internamente o apoio dos emedebistas ao projeto.

O problema começa quando se olha para a matemática eleitoral

O Senado não funciona como eleição para governador.

São duas vagas, e o eleitor pode votar em dois candidatos. Por isso, a disputa não é apenas sobre quem cresce. É também sobre quem tira voto de quem.

E é aqui que surge a principal dúvida estratégica.

Antídio busca basicamente o mesmo eleitor que Amin busca.

Empresarial, Conservador, Municipalista, Interiorano e de Centro-direita. Ou seja, existe uma sobreposição significativa de eleitorado.

Não são candidaturas naturalmente complementares. São candidaturas que possuem áreas de intersecção relevantes.

O risco para Amin é real

Hoje, olhando o cenário político catarinense, Amin já enfrenta uma disputa extremamente difícil.

Pesquisas recentes colocam os candidatos associados ao campo governista em posição muito mais confortável na corrida ao Senado.

Nesse ambiente, Amin precisava ampliar sua base.

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Não necessariamente dividir sua base.

A entrada de Antídio cria uma situação delicada.

Parte do eleitor que poderia escolher Amin como segunda opção passa a ter outra alternativa de centro-direita dentro da mesma chapa.

Isso não significa que Antídio tirará votos diretamente de Amin em massa.

Mas significa que passa a disputar o mesmo espaço político.

Sem falar no aumento de ruído e insatisfação na base Progressistas.

E isso altera a dinâmica da campanha.

Mas existe outro lado da história

A análise não pode parar aí. Porque existe uma leitura igualmente válida.

Antídio pode trazer votos que hoje simplesmente não estariam na chapa.

O Norte catarinense é uma região estratégica. Jaraguá do Sul, Joinville e o eixo industrial possuem comportamento político próprio.

A presença de Antídio pode ampliar o alcance regional da chapa e atrair eleitores que talvez não estivessem naturalmente alinhados com Amin.

Nesse caso, o crescimento de um não necessariamente significaria perda para o outro.

Significaria expansão do campo eleitoral da chapa.

Essa é a aposta dos articuladores do projeto.

Quem observa isso com atenção é a esquerda

Talvez o maior interessado nessa movimentação não esteja nem na chapa de João nem na de Jorginho.

Esteja na esquerda.

Porque existe um princípio básico das eleições para o Senado.

Quando um campo político concentra votos em poucos nomes, tende a ser mais eficiente.

Quando pulveriza excessivamente, aumenta o risco de dispersão.

Hoje, o eleitorado de esquerda em Santa Catarina tende a estar muito mais concentrado em torno de nomes como Décio Lima e dos candidatos do seu campo político.

Já a direita apresenta um cenário muito mais fragmentado. Carlos Bolsonaro, Caroline De Toni, Esperidião Amin e agora Antídio Lunelli.

Outros nomes que ainda podem surgir.

Quanto maior a fragmentação, maior a imprevisibilidade.

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A lembrança de 2022 é inevitável

Impossível não comparar o cenário atual com a eleição de 2022.

Naquela disputa para governador, o elevado número de candidaturas de direita contribuiu para a fragmentação do campo conservador no primeiro turno.

O resultado foi a ida de Décio Lima ao segundo turno contra Jorginho Mello.

Obviamente a eleição para o Senado possui uma mecânica diferente.

São duas vagas. O eleitor vota duas vezes.

Mas o princípio da dispersão continua existindo.

Quando muitos candidatos disputam o mesmo universo de votos, alguém inevitavelmente deixa de receber uma parte deles.

Quem realmente ganha hoje?

No curto prazo, quem mais ganha é João Rodrigues.

Porque fortalece sua chapa, Amplia o espaço do MDB, Reduz pressões internas e apresenta um time mais robusto ao eleitor.

No médio prazo, a resposta é menos clara.

Antídio precisará mostrar que agrega votos novos.

Amin precisará demonstrar que mantém sua força histórica.

E a oposição precisará evitar que a competição interna pelo eleitor de centro-direita enfraqueça o conjunto da estratégia.

 

PONTO DE VISTA

A entrada de Antídio Lunelli não é um movimento simples.

Ela fortalece a arquitetura política da chapa de João Rodrigues.

Mas cria uma variável nova dentro da disputa ao Senado.

A pergunta não é se Antídio ajuda João.

Ajuda.

A pergunta é outra.

Ele ajuda mais a chapa do que atrapalha a estratégia eleitoral de Esperidião Amin?

Hoje ninguém possui essa resposta.

Porque tudo dependerá de um fator central.

Se Antídio conseguirá trazer para a chapa um eleitor novo que ainda não estava lá.

Ou se passará a disputar exatamente o mesmo eleitor que Amin já tenta conquistar.

É essa resposta que determinará se a movimentação foi um acerto estratégico ou apenas uma redistribuição de votos dentro do mesmo campo político.

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