Protagonismo feminino na luta ambiental é reconhecido no Encontro Chico Mendes

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O protagonismo feminino vem fazendo a diferença nas associações rurais do Noroeste de Mato Grosso. Esta foi uma das constatações durante o Encontro Chico Mendes, realizado entre 15 e 17 de dezembro em Xapuri (AC), que reuniu mais de 500 pessoas de várias partes do país.
“A partir do momento em que as mulheres começaram a tomar postos de liderança, as organizações começaram a avançar com as parcerias, principalmente com os povos indígenas”, explica Lucineia Machado, coordenadora financeira do projeto Poço de Carbono Juruena. Ela coordenou em Juruena um projeto patrocinado pela Petrobras com forte protagonismo de mulheres agricultoras e indígenas entre 2014-2016 e agora participou do evento na mesa “Mulheres e Desenvolvimento Sustentável: Contribuição das mulheres nas cadeias de valor dos projetos apoiados pelo Fundo Amazônia”. 
Outras mesas que abordaram a luta das mulheres foram “O protagonismo das mulheres da Amazônia na preservação da floresta” e “Mulheres e Empates: Testemunhos das mulheres que fizeram os empates com Chico Mendes”.
O projeto Poço de Carbono Juruena, que é desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental e governo federal apoia o fortalecimento de entidades indígenas e de agricultores que trabalham com sistemas agroflorestais e extrativismo. Este projeto tem ampla participação de mulheres no viveiro de produção de mudas florestais, nas fábricas de beneficiamento de alimentos, nas escolas rurais e indígenas, em eventos de comercialização de produtos beneficiados e a maioria das organizações aglutinadas a ele são lideradas por grupos de mulheres.
Os resultados do protagonismo feminino apareceram no fortalecimento de entidades como a Cooperativa de Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavam), Associação de Mulheres Cantinho da Amazônia (Amca), Associação de Mulheres Andorinhas do Canamã (Amac). Associação Marias da Terra (Amater), Associação Comunitária da Aldeia Indígena Mayrobi, Associação de Mulheres Indígenas Apiaka Kayabi Munduruku (Akamu), Instituto Munduruku, Associação Indígena Passapkareej e Associação Indígena Kaiaby.
Juntas, essas entidades representam mais de 300 famílias de indígenas e agricultores da região Noroeste e desenvolvem vários produtos como óleos, castanhas, farinhas, biscoitos e outros com origem em Sistemas Agroflorestais e de cadeias de valor como a da castanha-do-Brasil e babaçu.
“Quando entrei na cooperativa só havia homens na coordenação e as mulheres faziam o trabalho braçal de manuseio da castanha”, comenta Luzirene Coelho Lustoza, presidente da Coopavam, que também participou do evento no Acre.
Em 2014 ela assumiu a presidência da cooperativa que tinha uma dívida negociada para ser paga até 2019, mas em dois anos o pagamento foi quitado. Há cinco anos um grupo de mulheres compõe a diretoria da cooperativa. “Os homens aprenderam a nos respeitar e ver que nós sabemos administrar uma cooperativa importante, que vem dando exemplo para outras associações”, finaliza.
Chico Mendes
Com o tema “Uma memória a honrar, um legado a defender”, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) realizou, com o apoio de diversas organizações, o Encontro Chico Mendes.
A edição deste ano reuniu mais de 500 pessoas de várias partes do Brasil e marcou os 30 anos de seu assassinato. O encontro é uma forma de celebrar o legado do líder ambientalista e seu exemplo para minorias.
Poço de Carbono Juruena
O projeto Poço de Carbono Juruena, patrocinado pela Petrobras e desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena –Aderjur, busca oferecer alternativas sustentáveis de renda aos agricultores familiares e povos indígenas.
O projeto apoia o extrativismo da castanha-do-Brasil em vários municípios do Noroeste de Mato Grosso. Promove a educação ambiental para a gestão e conservação dos recursos naturais. Também incentiva a diversificação de cultivos na recuperação de áreas por meio de sistemas agroflorestais em pequenas propriedades de Juruena. Dessa forma, os agricultores têm diversas opções de cultivos e uma renda garantida e melhor distribuída ao longo do ano. Além do benefício econômico, os sistemas agroflorestais “imitam” o comportamento da floresta, armazenando carbono e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Credito:Assessoria