Projeto Quero te Conhecer mapeia perfil da população em situação de rua da Capital

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A pesquisa mostra que 67% dessa população é formada por homens e 65 % estão morando nas ruas há cerca de 3 anos

A população em situação de rua do Brasil vem crescendo em um percentual preocupante nos últimos anos. Uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de 2015, mostra que mais de 100 mil pessoas vivem nesta situação no país. Com a crise do desemprego – que atinge atualmente, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 13 milhões de brasileiros nessas condições, mas o número pode ser ainda maior.

Diante deste cenário, a Prefeitura de Cuiabá vem desenvolvendo, na gestão atual, novas ferramentas para trabalhar políticas públicas voltadas a este grupo de pessoas. Uma dessas ferramentas é o projeto Quero te Conhecer, em funcionamento desde 2017. Aplicado pela equipe da Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Humano, o Quero te Conhecer foi criado com o intuito de mapear essa população, para projetar, então, estratégias funcionais que atendam às necessidades desse grupo, assim, se construindo um estrutura sólida de respostas e soluções que amenizem essa situação.

“É um cenário calamitoso, mas que não é somente uma situação isolada de Cuiabá, como mostra as pesquisas. Diante disso, a gestão atual está, aos poucos, estudando essa situação, buscando parcerias com movimentos, instituições, ligados à causa, para que juntos possamos desenvolver ferramentas de qualidade e construir uma política pública eficiente, levando mais humanização na inclusão social, que é a principal bandeira da administração do prefeito Emanuel Pinheiro”, diz o secretário de Assistência Social e Desenvolvimento Humano, Wilton Coelho.

Seguindo essas diretrizes, o último relatório de abordagem do projeto –  realizado por amostragem em julho de 2018 – cadastrou cerca de 150 pessoas, que vivem em vários locais da Capital.  Nessa amostragem, a equipe constatou que 75% dessa população é formada por homens sendo que a maioria, 67%, não são oriundos de Cuiabá. Ainda segundo a pesquisa, 37% dessas pessoas se declaram pardos, possuem entre 22 a 31 anos e mais de 65% estão há cerca de três anos morando nas ruas. Quanto ao grau de estudo, um percentual de 38% declaram ter somente o ensino fundamental incompleto.

A assistente social do Município, Vera Lúcia Martins, esclarece que os números não se tratam de um diagnóstico e sim de dados preliminares, mas que estão auxiliando no conhecimento dessa população. Vera explica que o resultado da pesquisa só a partir de trabalho de aproximação, por meio das ações de fortalecimento de vínculo.

“É o início de um trabalho voltado para essa população, que é muito citada, mas pouco assistida ainda no Brasil. Estamos, agora, começando a desenhar as raízes dessa problemática, para tratá-la de forma assertiva. Pois antes desse início tínhamos um noção muito rasa ainda do perfil dessas pessoas. Assim, o que tratávamos era o superficial. E queremos abranger ações que realmente mude esse triste cenário. Falta muito, mas já começamos e acreditamos que esse é o caminho para a elaboração e prática de instrumentos eficazes na tratativa dessa situação”, relata a assistente.

Outro dado preocupante é o de envolvidos com substâncias químicas, que leva, na maioria das vezes, ao conflito familiar. Esse grupo é predominante, chegando ao percentual de 84%. “Uma situação leva a outra. Os conflitos com os familiares, devido ao uso de drogas, aguçam a saída dessas pessoas de seus lares. Alguns já estão há tanto tempos nas ruas, que têm muita dificuldade quando vão para unidades de acolhimento. Essas pessoas se dissociam do convívio com hábitos saudáveis, que é normal de quem mora nas ruas, e isso é um dos fatores que também contribuem para a nossa aproximação deles”, observa Vera Lúcia.

Essa primeira abordagem, que coletou dados dos 150 moradores em situação de rua, foi realizada na Praça Porto, Av. 15 de Novembro, Praça Oito de Abril, Praça Morro Caixa D’água Velha, Entornos do Atacadão, Beira Rio (Porto), Morro da Luz, Beco do Candeeiro, Avenida Historiador Rubens de Mendonça, Rodoviária e Entornos, Praça da Mandioca, Praça da República, Praça Alencastro, Praça Rachid Jaudh, Praça Ipiranga.

Ao todo, a Capital, hoje, tem aproximadamente, 400 moradores em situação de rua, que estão sempre recebendo a assistência do município. Ainda de acordo com Vera, é complicado fazer o mapeamento preciso, pois essas pessoas migram de um lugar para o outro, com uma certa frequência. “São andarilhos e na maioria das vezes, com a aproximação da nossa equipe, eles fogem, dificultando o trabalho.

Para facilitar o mapeamento, a Prefeitura está desenvolvendo, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), um trabalho científico, abrangendo ferramentas e técnicas facilitadoras do processo.

Reforço –  Além do atendimento no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Centro e Norte, de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, por meio do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), o Município agora conta também com uma equipe em atendimento pelo número de celular (65) 9 9938-7558, de domingo a domingo, até as 22h, para receber os pedidos de auxílio da população a esses moradores em situação de rua.

“Esse telefone foi pensado como um canal de apoio para ajudar a equipe na intersetorialidade do serviço. Pois acontece do Creas receber pedido de ajuda que não compete à unidade, como por exemplo o resgate de alguém que esteja ferido, que seria o caso de acionar o Samu.  Essa filtragem nos auxiliará a levar mais precisão e qualidade aos atendimentos e, assim, possibilitar que as pessoas sejam assistidas de forma rápida e recebendo o serviço certo de que ela precisa no momento”, conclui Vera Lúcia Martins.