Juros do cartão de crédito voltam a subir e ficam em 274% ao ano em agosto

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Foto: Marcos Santos

Depois de 4 meses consecutivos de queda, os juros do cartão de crédito rotativo voltaram ao subir. A taxa ficou em 274% ao ano em agosto, alta de 2,6 pontos percentuais em relação a julho, quando havia ficado em 271,4% ao ano.

A taxa de juros do rotativo regular –aplicada quando o cliente paga o valor mínimo da fatura– diminuiu na passagem de julho para agosto, ao cair de 252,1% para 250,3% ao ano. A queda foi de 1,8 ponto percentual no mês. Os dados foram divulgados nesta 4ª feira (26.set.2018) pelo Banco Central.

Já os juros na modalidade não regular –aquela em que o cliente não paga o mínimo da fatura– subiram de 285,2% ao ano em julho para 291,3% ao ano em agosto, variação de 6,1 pontos percentuais.

As taxas de juros do cartão de crédito parcelado caíram de 167,1% para 166,7%.

  • juros no rotativo: 274% ao ano;
    • regular: 250,3% ao ano;
    • não regular: 291,3% ao ano.
  • juros no parcelado: 166,7% ao ano.

CHEQUE ESPECIAL

Os juros do cheque especial fecharam o mês de agosto em 303,2% ao ano. A taxa registrou estabilidade no mês depois de 4 meses consecutivos de queda. Essa é, hoje, a modalidade de crédito mais cara do mercado.

“As operações de cheque especial e de cartão de crédito rotativo são para emergências e não devem ser utilizadas como ‘empréstimos’ para gastos de consumo (…). Dê preferência, não devem ser usadas”, explica Fernando Rocha, chefe do Departamento Econômico do BC.

Desde o início de julho, os bancos estão obrigados a oferecer uma linha de crédito mais barata para os clientes quitarem as dívidas do cheque especial. A mudança nas regras, anunciada em abril pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), é uma resposta das instituições financeiras à cobrança do Banco Central por medidas que ajudem a reduzir o custo do crédito no país.

  • juros no cheque especial: 303,2% ao ano.

CRÉDITO PESSOAL

Nas operações de crédito pessoal, a taxa de juros subiu de 44,6% ao ano para 44,9%.

No crédito pessoal não consignado, houve avanço de 118,5% para 121,4%, 2º mês consecutivo de alta. Já no consignado –no qual há desconto direto no contracheque–, houve queda de 24,9% para 24,5%.

  • juros no crédito pessoal: 44,9% ao ano;
    • não consignado: 121,4% ao ano;
    • consignado: 24,5% ao ano.

JUROS MÉDIOS

Mesmo com o aumento dos juros no cartão de crédito, os juros médios praticados pelas instituições financeiras com recursos livres –operações de crédito contratadas com taxas livremente pactuadas entre mutuários e instituições financeiras– caíram de 38,1% ao ano em julho para 38% ao ano em agosto.

Os juros para pessoas físicas caíram de 52% para 51,8% no período. Para a pessoa jurídica, o recuo foi de 20,6% para 20,4%.

  • taxa de juros média (pessoas físicas e jurídicas): 38% ao ano;
    • pessoas físicas: 51,8% ao ano;
    • pessoas jurídicas: 20,4% ao ano.

INADIMPLÊNCIA

Os dados do BC apontaram para 1 recuo na inadimplência nas operações com recursos livres. A porcentagem caiu de 4,3% em julho para 4,2% em agosto. É o 7º mês consecutivo de queda.

Pessoas físicas seguem com inadimplência maior, de 5% no mês passado, registrando estabilidade em relação ao mês anterior. Entre as empresas, o percentual caiu de 3,4% para 3,3%.

“Essa redução mantém uma trajetória que a gente vem observando desde 2017. A recuperação se deve, por um lado, à retomada da atividade, ainda que gradual, e por outro lado, ao desempenho do próprio setor bancário no gerenciamento das suas operações de credito”, afirmou Rocha.

SPREAD BANCÁRIO

spread para crédito de pessoas físicas e jurídicas caiu de 29,4% em julho para 28,9% em agosto. No recorte por pessoas físicas, a queda foi de 42,7% para 42,2%. Já entre as empresas, o recuo foi de 12,7% para 12%.

Spread é a diferença entre o valor do juro cobrado aos bancos quando eles tomam empréstimos e as taxas executadas por essas instituições no crédito para os consumidores.