“Fake news” reforçam mitos sobre câncer de mama e prejudicam a saúde das mulheres

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Uma notificação invade a tela do celular e a mensagem de texto logo atrai o olhar. Ela é personalizada: com palavras em negrito, várias cores, diversos emojis e com tópicos puxados por ícones. No conteúdo, textos que vão de dicas, sintomas, tratamentos, prevenção até diagnósticos sobre o câncer de mama. Contudo, em sua maioria, não são verdadeiros. As “fake news” [notícias falsas] que circulam sobre o tema parecem infinitas, bem como a imaginação de quem as origina.

Se por um lado o advento da internet facilitou o acesso à informação e uniu as pessoas, por outro está cada vez mais complicado encontrar conteúdo de qualidade e “verdadeiro”. Afinal, qualquer indivíduo leigo pode (re)produzir essas informações, que acabam sendo disseminadas em alta velocidade e contribuem para fortalecer novos e velhos mitos sobre o câncer.

Conforme alerta o oncologista clínico do Santa Rosa Onco, do Grupo Santa Rosa, Geraldo Alves de Paula Neto, boatos e notícias falsas andam na contramão da informação precisa e prejudicam tanto o diagnóstico precoce da doença quanto o tratamento.

“A oncologia trabalha com o câncer, que é uma doença estigmatiza pela sociedade. Com a disseminação de conteúdos na internet, muitas informações falsas e superestimadas são transmitidas por meio das redes sociais e se espalham de forma assustadora. Isto deixa muitos pacientes e familiares – que já estão sensibilizados pela notícia de um câncer – ainda mais assustados e com medo. Muitas vezes, isso faz com que desistam do tratamento sem ao menos começar”, ressalta.

Geraldo complementa que esse temor também acaba por atrapalhar a população, até mesmo, a fazer o rastreamento de rotina. “O câncer de mama não é um mostro com você. Ser um monstro com você é não cuidar da sua saúde. No caso de câncer de mama, o rastreamento deve ser feito a partir dos 40 anos. Mas, para aquelas mulheres com história familiar de câncer de mama e/ou mutação do BRAC1 e/ou BRCA2, isso deve ser iniciado a partir dos 25 anos”, enfatiza.

EVOLUÇÃO – O oncologista clínico reforça que, na direção oposta dessa avalanche de informações falsas que circulam na internet, o tratamento do câncer de mama evolui com a mesma velocidade e se torna – cada vez mais – personalizado para cada paciente. Tal avanço também ocorre com o rastreamento, que passa a ser ainda mais baseado no perfil genético – o que reitera a importância de se procurar um médico para esclarecer dúvidas e conduzir ao melhor horizonte possível.

“Por exemplo, um caso que se tornou público e evidenciou todo o avanço na área de tratamento e prevenção do câncer de mama e também sobre a importância do acompanhamento precoce foi o da atriz Angelina Jolie, cuja mãe faleceu por conta de um câncer de ovário – uma neoplasia ginecológica que também pode ser causada pela mutação do BRCA1 e BRCA2. Angelina procurou um médico especialista, que diagnosticou a mesma mutação da mãe”, relembra.

Geraldo sinaliza que, à época, a atriz foi submetida aos procedimentos de mastectomia [retirada das mamas] bilateral e salpingo-ooforectomia [retirada das trompas de Falópio e ovários]. “Isso reduziu os riscos de sofrer de câncer de mama e de ovário em mais de 90%. Além de que o fato dela colocar próteses de silicone mamárias ficam muito melhor esteticamente do que após um tratamento oncológico”, pondera.

Segundo o oncologista clínico, vale enfatizar que – atualmente – o tratamento do câncer de mama, bem como toda a oncologia em si, avança de forma substancial. “O que nos permite ter taxas de curas incríveis e, para aqueles casos em que a cura não é possível, tornam a doença crônica e, muitas vezes, as pacientes conseguem manter até suas atividades laborais”, finaliza.

ACREDITAÇÃO – Ao completar 20 anos, o Santa Rosa é o único hospital de Mato Grosso certificado pela Acreditação Canadense, nível Diamond – uma das principais certificações de qualidade em saúde no mundo. A instituição também é certificada em Excelência, Nível III, pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) e em Nível 6 da EMR Adoption Model (EMRAM) pela Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) Analytics.