Carnaval em Juína destaca aspectos históricos e culturais para combater racismo

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O carnaval é uma das manifestações culturais mais celebradas no Brasil. Em Juína, município a 740 km da capital mato-grossense, a festa popular se apodera do aspecto cultural para incentivar a discussão sobre combate ao racismo e promoção da igualdade racial.

Com o tema “Salvador, Bahia: Terra da Magia”, o município está preparando um carnaval que homenageia a cidade brasileira que traz em sua história as tradições culturais do povo afro-descendente.

Segundo o secretário municipal de Cultura de Juína, Adriano Souza, o objetivo de trazer esse tema ao carnaval é oportunizar o conhecimento, mesmo que a distância, da magia de Salvador e de toda a Bahia. “Vamos falar de história e de cultura na forma de música, sabores, crença, resistência, mostrando a força de um povo que tem a alegria como resposta à dor, desde o início do nosso Brasil”.

A ideia de se trabalhar um tema durante o carnaval não é novidade em Juína. Desde 2017, a gestão municipal aproveita a o evento festivo como início ou culminância de um projeto que se desdobra em política pública, conforme ressalta o prefeito Altir Peruzzo.

“Para nós, o carnaval fortalece uma série de ações, não é um evento isolado. Neste ano, por exemplo, a festa vai desmembrar várias outras atividades que serão desenvolvidas nas escolas, nos bairros, no município como um todo, para combater o racismo. Um outro resultado importante será a criação do Conselho Municipal de Igualdade Racial”.

A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) apoia institucionalmente a realização da festa. Representantes da Secretaria acompanharão as atividades, fazendo parte do júri do concurso de blocos carnavalescos e conhecendo a forma singular praticada pela gestão municipal para transformar o carnaval em ambiente de aprendizado cultural.

Para o secretário da Secel, Allan Kardec, o carnaval tem importância social, econômica e cultural. “O carnaval é elemento da nossa cultura, é parte da nossa identidade cultural. E Juína consegue fazer mais do que celebrar a multiplicidade brasileira. A cidade está promovendo conhecimento e valorização da história do povo negro. Tudo isso nos encantou e inspirou nosso reconhecimento ao carnaval realizado pelo município”, conta Allan.

Ações de preparação e programação

Mesmo antes do carnaval, intervenções concretas já estão sendo desenvolvidas para preparar e contextualizar a população sobre o tema. Na Biblioteca Municipal, rodas de leitura trazem o debate sobre a história do povo negro no Brasil e suas contribuições para a cultura brasileira. Nos bairros, crianças e adultos fazem aulas de capoeira e de zumba para aprender mais sobre a cultura afro-brasileira ao mesmo tempo em que se aprontam para curtir a folia.

A população de Juína também teve a oportunidade de participar de oficinas de produção de Abayomis, as bonecas negras feitas pelas mães africanas com retalhos de suas saias para acalmar seus filhos dentro de navios negreiros.

Planta da cidade cenográfica

De 02 a 05 de março, os foliões poderão se divertir com várias atrações na cidade cenográfica que homenageia Salvador, a primeira capital do Brasil e que possui um dos maiores carnavais do planeta. O Centro de Eventos do município contará com um tablado cultural representando o Pelourinho, onde haverá exibições de capoeira e outras apresentações culturais de escolas e de artistas locais.

A premiada Biblioteca Municipal, um dos equipamentos culturais que está sempre em destaque por sua constante presença no cotidiano da população, também faz parte da programação desde o primeiro dia de carnaval. A Bibliofolia, que retratará um navio negreiro, disponibilizará o Espaço Criança, local em que os pais poderão deixar seus filhos em práticas culturais, como contação de histórias, oficinas de produção de bonecas pretas e pinturas faciais. Para os jovens, haverá um espaço com jogos, oficinas de desenhos afro-brasileiros, pinturas do Olodum, dentre outras atividades.

Na programação terá ainda concurso de blocos carnavalescos e show com o cantor de Axé Gabriel Parada.

Impactos socioeconômicos 

Apesar do município ainda não possuir uma metodologia formal para análise dos benefícios socioeconômicos das festividades, os comerciantes locais já sentem o aquecimento nas vendas. Conforme identificado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Juína, há uma maior movimentação no comércio da cidade. “Percebemos o aumento do fluxo de vendas a partir do crescimento das consultas para crediários neste período”, esclarece Elaine Costa, secretária executiva da CDL Juína.

Para a empresária Bell Santos, em entrevista ao site www.eventosjuina.com.br, o maior motivo da procura é devido ao tema escolhido para este ano.

“O tema do Carnaval este ano foi certeiro para aumento das vendas. Bastou a prefeitura anunciar nas redes sociais que Salvador seria o tema do carnaval deste ano, e minhas clientes já começaram a me enviar mensagens pedindo por looks praianos, com tecidos leves e coloridos. Elas inclusive mandam fotos do modelo da roupa que desejam usar a cada noite de festa, e estamos fazendo um grande esforço para atendê-las”, disse a empresária.

As festividades carnavalescas também devem beneficiar setores como turismo e negócios, influenciando positivamente no cenário econômico geral da cidade, já que mobiliza gente de toda a região.

Com público estimado de 10 mil pessoas por noite, o carnaval em Juína possibilita impactos socioeconômicos que vão desde a contratação de serviços para sua realização aos gastos dos frequentadores no período do evento. O Mercado Modelo, patrimônio histórico de Salvador e maior shopping de artesanato do Brasil, é a inspiração para o espaço destinado à venda de produtos artesanais na festa.

Maquete do espaço para venda de artesanato no carnaval (Mercado Modelo)

“Precisamos demonstrar que cultura é investimento e não gasto. O formato do carnaval em Juína está conseguindo mostrar isso, mesmo que sem dados tangíveis ainda.  Além de proporcionar um espaço de cultura e lazer pra sua população, a realização da festa está, com certeza, impulsionando uma extensa cadeia produtiva”, defende o secretário da Secel, Allan Kardec.

 

 

 

 

Credito: SEC

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