A convite do vereador Abilio Junior, Moisés Martins discursa, na Câmara, sobre preservação da memória cuiabana

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O poeta, imortal da Academia Matogrossense de Letras, ex-vereador entre outras funções, Moisés Martins, esteve presente na Câmara Municipal de Cuiabá, a convite do vereador Abilio Junior. Na ocasião o ex-vereador cuiabano falou sobre a importância de preservar a memória, a história e a cultura cuiabana.
Nesse contexto, Martins, conclamou aos vereadores a não fazerem e a não aprovarem projetos de lei que atentam contra a identidade e a cultura do povo cuiabano, principalmente no tocante as alterações dos nomes de ruas, ao mesmo tempo em que saudou aos vereadores, em especial ao seu convidante.
Em uma de suas falas, Martins ainda relatou que: “tivemos um grande vereador, aqui nessa casa chamando Barbosa Caramuru, ele fez um projeto de lei que eu ratifiquei, eu assinei junto com ele para que a prefeitura colocasse o nome nas ruas oficiais e colocasse também o apelido delas, por exemplo, a rua dos porcos é a Antônio João, nós vamos ter vergonha de dizer que nós temos uma rua dos porcos em Cuiabá, por que rua dos porcos?, porque lá havia um criação de porcos que desaguava na prainha”.
Outro exemplo dito pelo ex-parlamentar, foi o da rua 15 de julho, que antigamente era conhecida como rua Bela do Juiz, assim era conhecida porque um juiz morara próximo a praça da República, e ele se apaixonou uma presidiária, esta fugia as noites do quartel, que ficava na, hoje, biblioteca Estevão de Mendonça para visitar o juiz, esse fato, tornou Bela do Juiz um nome popular e assim os  cuiabanos chamavam aquela rua, após a inclusão do nome oficial, poucos cuiabanos conhecem essa história, daí a importância de preservar a cultura cuiabana.
Durante sua participação na Tribuna Livre, Martins, declamou dois de seus poemas: “Minha casa germinada” e “Cadê você guri”, os que seguem aqui transcritos.
Minha casa germinada
“Minha casa geminada, qual a alma do meu povo
uma porta, uma janela,
de trancas e tramela.
Testada vermeia, azul amarela.
Feita de frente pro sol poente.
Calçada alta, prá tchuva escorrê.
Uma cancela que sempre geme,
Quando tchega tchgente!
Chão batido, no canto um pôte cô a bera quebrada.
Uma foinha na parede pendurada,
Cô a fotografia de São Jorge Guerreiro
Prá nos protegê,
De quebrantu, arca-caída e mau oiádo.
Minha casa não é só casa, minha casa e um lar
De braços abertos prá quem passar
De braços abertos prá quem chegar.”
Cadê você Guri
Cadê você Guri, cadê sua funda, merenda de peixe frito
das algazarras do finca-finca, da bola de meia ganhando no grito?
Cadê você Guri, dos mergulhos no Cuiabá, Coxipó, Ribeirão do Lipa
Roupa nova, fazendo fita
das trocas de gibi, cadê você, cadê guri?
Cadê você guri, por que me deixaste crescer
tornar-me homem envelhecendo, para na vida padecer?
Cadê você guri, hoje velho alquebrado quero você guri sempre ao meu lado.
Meu refrão sempre será assim
que pena, que pena perdi o guri que tinha em mim!”

Crédito: Secretaria de Comunicação